Minas Gerais

Minas Gerais registra 1,7 milhão de raios em 2026; veja como proteger eletrodomésticos e evitar prejuízos durante as chuvas

Minas Gerais registrou aproximadamente 1,7 milhão de descargas atmosféricas entre janeiro e setembro de 2026, conforme levantamento do setor de Meteorologia da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Com a chegada do período chuvoso, moradores de Divinópolis, do Centro-Oeste mineiro e das demais regiões do estado precisam redobrar os cuidados com as instalações elétricas de residências e estabelecimentos comerciais. Uma das medidas recomendadas é a instalação do Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS), equipamento que ajuda a reduzir os riscos de danos provocados por elevações repentinas de tensão na rede elétrica. O dispositivo pode proteger televisores, geladeiras, computadores, máquinas de lavar e outros aparelhos, desde que seja instalado corretamente e esteja associado a um sistema elétrico adequado.

O período chuvoso em Minas Gerais costuma ser acompanhado por temporais, rajadas de vento e descargas atmosféricas que podem atingir diretamente estruturas e redes de distribuição de energia. Mesmo quando um raio não atinge uma residência, seus efeitos podem provocar variações de tensão capazes de danificar equipamentos conectados às tomadas. Essas alterações podem se propagar pela instalação elétrica e atingir aparelhos utilizados diariamente pelas famílias. A ocorrência de 1,7 milhão de descargas nos primeiros nove meses de 2026 demonstra a frequência desse fenômeno no estado e reforça a importância da adoção de medidas preventivas durante as tempestades.

Entre os equipamentos disponíveis para reduzir os efeitos dessas alterações está o Dispositivo de Proteção contra Surtos, conhecido pela sigla DPS. O aparelho é instalado no sistema elétrico do imóvel, geralmente no quadro de distribuição, e atua quando ocorre uma elevação repentina de tensão. Sua função é desviar parte da corrente associada ao surto para o sistema de aterramento, reduzindo a intensidade da perturbação que pode alcançar os equipamentos conectados à rede. Dessa forma, o dispositivo contribui para diminuir a possibilidade de danos materiais provocados por descargas atmosféricas e outras situações que geram sobretensões transitórias.

A utilização do DPS pode beneficiar diferentes equipamentos domésticos, incluindo televisores, computadores, refrigeradores, máquinas de lavar e aparelhos eletrônicos. Entretanto, sua instalação não significa que todos os dispositivos estarão completamente protegidos contra qualquer ocorrência elétrica. A eficiência depende de fatores como a escolha do modelo adequado, as características da rede interna, a existência de aterramento e as condições gerais da instalação. Por esse motivo, a aquisição do dispositivo deve considerar as necessidades específicas de cada imóvel, evitando a utilização de equipamentos incompatíveis com o sistema elétrico existente.

A instalação do DPS deve ser realizada por um eletricista qualificado, responsável por avaliar a distribuição dos circuitos, o aterramento e os componentes de proteção já existentes na residência. O profissional também deverá identificar o tipo de dispositivo mais adequado e definir sua integração ao quadro elétrico, seguindo as normas técnicas aplicáveis. A instalação incorreta pode comprometer o funcionamento da proteção e não oferecer o resultado esperado. Por isso, a orientação é evitar intervenções feitas por pessoas sem conhecimento técnico, principalmente em quadros de distribuição e circuitos energizados.

Outro componente importante para a segurança das instalações é o Dispositivo Diferencial Residual (DR), também conhecido como IDR. Embora possa ser instalado no sistema elétrico da residência, ele possui uma finalidade diferente da apresentada pelo DPS. Enquanto o DPS reduz os efeitos dos surtos de tensão que podem danificar aparelhos, o DR identifica determinadas fugas de corrente elétrica e desliga automaticamente o circuito quando detecta condições que podem representar risco de choque. A utilização dos dois dispositivos oferece proteções complementares, mas cada um atua diante de situações diferentes e deve ser instalado conforme as características da rede.

A manutenção periódica das instalações também faz parte das medidas recomendadas para evitar acidentes e prejuízos. Imóveis antigos ou que passaram a utilizar equipamentos de maior potência podem necessitar de avaliações para verificar a capacidade dos circuitos elétricos. Fiações inadequadas, tomadas danificadas, conexões deficientes e ausência de aterramento podem comprometer a segurança dos moradores. A revisão dessas condições por profissionais habilitados permite identificar necessidades de adequação e verificar se os componentes existentes atendem às exigências de funcionamento dos aparelhos conectados.

As tomadas utilizadas nas residências também precisam receber atenção. O padrão brasileiro de três pinos possui um contato destinado ao condutor de proteção, que integra o sistema de aterramento quando a instalação está corretamente executada. A retirada desse pino ou a utilização de adaptadores inadequados pode eliminar uma proteção prevista para o equipamento. O uso de benjamins, extensões e adaptadores incompatíveis com a carga elétrica também pode provocar sobrecarga e superaquecimento, aumentando o risco de falhas e incêndios nas instalações.

A orientação merece atenção especial em relação aos aparelhos de maior potência, como chuveiros elétricos, micro-ondas, fritadeiras elétricas e ferros de passar roupa. Esses equipamentos exigem circuitos e tomadas compatíveis com suas características de funcionamento. Quando diferentes aparelhos de elevado consumo são ligados em um mesmo ponto sem a capacidade necessária, a instalação pode apresentar aquecimento excessivo e outros problemas. A adequação dos circuitos deve considerar as especificações dos equipamentos e as condições da rede interna, com avaliação profissional sempre que necessário.

Durante tempestades acompanhadas de raios, uma medida que pode reduzir os riscos de danos é desconectar previamente os aparelhos elétricos mais sensíveis. Entretanto, essa providência deve ser realizada antes da aproximação da tempestade e somente quando houver condições seguras. Não é recomendado manusear tomadas, fios ou equipamentos elétricos durante a ocorrência de descargas atmosféricas próximas. Também devem ser evitadas intervenções no quadro de distribuição ou tentativas de reparo enquanto houver risco relacionado à tempestade.

Além dos dispositivos utilizados dentro das residências, existem sistemas destinados à proteção de edificações contra os efeitos das descargas atmosféricas. O Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), conhecido popularmente como para-raios, possui uma função diferente daquela desempenhada pelo DPS. Enquanto o SPDA é projetado para interceptar e conduzir descargas atmosféricas conforme as características da estrutura protegida, o DPS atua na redução de surtos que podem se propagar pelas instalações elétricas. Os sistemas podem funcionar de maneira complementar, mas um não substitui o outro quando sua utilização é necessária.

A adoção dessas medidas se torna especialmente relevante durante os meses de maior ocorrência de chuvas em Minas Gerais. O levantamento de aproximadamente 1,7 milhão de raios entre janeiro e setembro de 2026 mostra a dimensão da atividade atmosférica registrada no estado antes mesmo do encerramento do ano. A proteção dos imóveis depende de um conjunto de cuidados que envolve instalações adequadas, aterramento, manutenção periódica e utilização correta dos equipamentos de segurança. A avaliação de um eletricista qualificado permite identificar quais dispositivos são necessários para cada residência e quais adaptações devem ser realizadas.

Com a continuidade do período chuvoso, a recomendação é que os moradores verifiquem as condições das instalações elétricas e adotem medidas preventivas antes da ocorrência de temporais. O DPS pode contribuir para reduzir prejuízos com a queima de eletrodomésticos, enquanto o DR auxilia na proteção contra determinados riscos de choque elétrico. A combinação desses dispositivos com aterramento adequado, manutenção e utilização correta das tomadas integra as medidas destinadas à segurança das residências e à preservação dos equipamentos durante a temporada de chuvas em Minas Gerais.

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Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.

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