Justiça mantém preso homem que agrediu esposa com barra de ferro após discussão por volume do som em Belo Horizonte

A Justiça de Minas Gerais determinou a manutenção da prisão de um homem de 63 anos investigado por agredir a esposa, de 62, com uma barra de ferro e ameaçá-la de morte no bairro Bom Jesus, na região Noroeste de Belo Horizonte. A decisão foi tomada na terça-feira, 20 de outubro, durante audiência de custódia, quando a prisão em flagrante de Walter Tonani Junior foi convertida em preventiva. O caso aconteceu no domingo, 18 de outubro, após uma discussão provocada pelo volume de uma caixa de som. A vítima sofreu ferimentos na cabeça e nas pernas, precisou de atendimento hospitalar e relatou um histórico de violência doméstica ao longo de aproximadamente quatro décadas de relacionamento.
A decisão foi proferida pelo juiz Leonardo Vieira Rocha Damasceno, da Central de Audiências de Custódia da Comarca de Belo Horizonte. Ao analisar as circunstâncias do caso, o magistrado considerou a gravidade das agressões e os relatos apresentados pela mulher sobre episódios anteriores de violência física, psicológica e ameaças. A prisão preventiva foi determinada para garantir a ordem pública e proteger a integridade física e psicológica da vítima, diante do risco de novas agressões.
O episódio ocorreu na residência do casal, localizada na Rua Teresina, no bairro Bom Jesus. Conforme o registro policial, o homem estava consumindo bebida alcoólica e ouvindo música em volume elevado quando a esposa pediu que diminuísse o som. A solicitação provocou uma discussão entre os dois. A mulher relatou que o marido passou a ofendê-la verbalmente e, em seguida, fez ameaças de morte antes de utilizar uma barra de ferro para atacá-la.
Durante a agressão, a vítima foi atingida na cabeça e nas pernas. Mesmo ferida, conseguiu se deslocar em direção ao portão da residência e pedir ajuda. Os gritos chamaram a atenção de vizinhos e de pessoas que passavam pela rua, que se aproximaram do imóvel. Em determinado momento, a mulher conseguiu retirar a barra de ferro das mãos do marido e arremessá-la para fora da casa, interrompendo a utilização do objeto contra ela.
A Polícia Militar foi acionada e compareceu ao endereço para atender à ocorrência. O homem foi localizado no interior do imóvel e recebeu voz de prisão em flagrante. Conforme as informações registradas durante o atendimento, ele confirmou aos policiais que havia agredido a esposa durante a discussão. A vítima recebeu socorro e foi encaminhada para atendimento médico em uma unidade hospitalar de Belo Horizonte, onde passou por avaliação dos ferimentos.
As investigações também reuniram informações sobre possíveis registros da agressão por câmeras de segurança instaladas na residência. Familiares informaram aos policiais sobre a existência de imagens relacionadas ao episódio. O material foi mencionado durante os levantamentos realizados após a ocorrência e integra as informações consideradas na apuração dos fatos.
Mulher relatou histórico de violência durante quatro décadas
Durante os procedimentos policiais e judiciais, a mulher informou que mantinha um relacionamento com o investigado havia aproximadamente 41 anos. Segundo seu relato, o casamento foi marcado por episódios de agressões físicas, ameaças e violência psicológica. A vítima também afirmou que os episódios se intensificaram nos últimos anos e que temia pela própria vida caso o marido fosse colocado em liberdade.
Outro detalhe apresentado durante a apuração foi a existência de uma solicitação anterior de medida protetiva. A mulher relatou que havia recorrido à Justiça aproximadamente seis anos antes para obter proteção contra o companheiro. Posteriormente, pediu a revogação da medida e retomou o relacionamento, após acreditar que as agressões não voltariam a ocorrer.
O histórico de violência doméstica apresentado pela vítima foi considerado durante a audiência de custódia. Na avaliação judicial, as circunstâncias do episódio de 18 de outubro, associadas aos relatos de ameaças anteriores e agressões ao longo do relacionamento, demonstraram a necessidade da prisão preventiva. O magistrado também considerou que medidas de proteção isoladas não seriam suficientes para afastar o risco identificado no caso.
Polícia Civil investiga tentativa de feminicídio
Na segunda-feira, 19 de outubro, o homem foi ouvido na Delegacia de Plantão Especializada em Atendimento à Mulher, em Belo Horizonte. Após os procedimentos, a Polícia Civil ratificou a prisão em flagrante pelo crime de tentativa de feminicídio. A classificação considera a hipótese de que o ataque tenha sido praticado com intenção de matar a vítima em um contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
A Polícia Civil também formalizou um pedido de medida protetiva de urgência para a vítima e solicitou à Justiça a conversão da prisão em flagrante em preventiva. A segunda solicitação foi acolhida durante a audiência realizada no dia seguinte. Não foi informada uma decisão definitiva sobre o novo pedido de medida protetiva.
As investigações continuam sob responsabilidade da Delegacia Especializada em Atendimento à Pessoa com Deficiência e ao Idoso, em Belo Horizonte. A unidade deverá dar continuidade aos procedimentos necessários para esclarecer as circunstâncias das agressões e reunir os elementos relacionados à responsabilização criminal do investigado.
A prisão preventiva não representa uma condenação. Trata-se de uma medida cautelar determinada pela Justiça durante o andamento da investigação ou do processo, quando estão presentes os requisitos previstos na legislação. O homem continuará preso conforme a decisão judicial, enquanto o caso segue os procedimentos legais.
Como denunciar violência doméstica
Mulheres em situação de violência doméstica podem procurar atendimento pelos canais de proteção disponíveis em todo o país. O Ligue 180 funciona gratuitamente, durante 24 horas por dia, para receber denúncias, prestar orientações e informar sobre os serviços de assistência e proteção às mulheres. Em situações de emergência ou agressões em andamento, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.
O caso registrado em Belo Horizonte permanece sob investigação por tentativa de feminicídio. A última decisão judicial confirmada determinou que Walter Tonani Junior continuasse preso preventivamente, considerando o histórico de violência relatado pela esposa e a necessidade de proteção da vítima.
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