Grupo J. Mendes de Itaúna, suspende operação de minério de ferro em Minas Gerais e inicia demissões de trabalhadores

O Grupo J. Mendes, com sede em Itaúna, no Centro-Oeste de Minas Gerais, suspendeu as operações de minério de ferro da JMN Mineração, localizada entre os municípios de Desterro de Entre Rios e Piracema, na região Central do estado. A paralisação ocorreu na primeira semana de outubro de 2026, acompanhada do início do processo de desligamento de funcionários. A medida foi motivada pelas dificuldades enfrentadas no mercado de minério de ferro, pelo aumento dos custos de transporte e pelas características operacionais da unidade. A previsão divulgada é de 49 demissões, além da transferência de parte dos trabalhadores para outra empresa do grupo.
O processo de desligamento dos funcionários começou em 6 de outubro, enquanto a suspensão das atividades da mineradora teve início no dia 7, conforme informações divulgadas sobre a decisão empresarial. A empresa também comunicou a paralisação aos fornecedores e parceiros comerciais, informando que a continuidade da produção havia se tornado economicamente inviável diante das condições atuais do setor mineral.
A JMN Mineração integra o Grupo J. Mendes e atua desde 2014 na extração, no beneficiamento e na comercialização de minério de ferro. A unidade está instalada entre Desterro de Entre Rios e Piracema, municípios que possuem atividades econômicas relacionadas à mineração. A operação representa aproximadamente 10% do volume total de produção de minério de ferro do grupo.
Entre os fatores apresentados para justificar a decisão estão a menor escala de produção da JMN, os custos logísticos elevados e as características do minério extraído. A localização da unidade aumenta as despesas necessárias para transportar o produto, enquanto a qualidade do minério, inferior à produzida pela Ferro+ Mineração, outra empresa do mesmo grupo, reduz as margens financeiras da operação.
O cenário do mercado internacional também influencia a decisão. O setor de minério de ferro enfrenta dificuldades relacionadas à redução dos preços de comercialização e ao aumento das despesas logísticas, especialmente do frete marítimo. A combinação desses fatores compromete a competitividade de operações com custos de produção e transporte mais elevados.
A paralisação da JMN terá consequências para o quadro de funcionários da empresa. A medida prevê o desligamento de 49 trabalhadores, mas ainda não foi confirmado quantos já tiveram seus contratos encerrados. O grupo informou que parte dos profissionais será transferida para a Ferro+ Mineração, que mantém atividades entre os municípios de Congonhas e Ouro Preto.
Outra parcela dos empregados continuará vinculada à JMN para realizar os serviços de conservação e manutenção das instalações durante o período de paralisação. Essas atividades incluem a preservação da mina, da planta industrial, dos equipamentos e das demais estruturas utilizadas na produção de minério de ferro.
O trabalho de manutenção também contempla medidas destinadas a conservar as condições de segurança, ambientais e operacionais da unidade. A iniciativa permitirá que os ativos permaneçam preservados enquanto a mineradora estiver com a produção interrompida, mantendo a possibilidade de uma futura retomada das atividades.
Antes de decidir pela suspensão, o Grupo J. Mendes adotou medidas para tentar reduzir os custos e manter a operação. Entre as iniciativas estavam a diminuição dos turnos de trabalho, a reorganização de processos e a implementação de ações para melhorar a eficiência produtiva. A empresa também avaliou alternativas como férias coletivas e suspensão temporária dos contratos de trabalho.
Entretanto, as medidas analisadas não foram consideradas suficientes para garantir a continuidade da produção. Diante da manutenção das dificuldades econômicas, a empresa decidiu interromper temporariamente as atividades da JMN, sem estabelecer uma data para o retorno.
A mineradora já havia realizado uma reestruturação em janeiro de 2025, quando anunciou a redução de seu quadro de funcionários de 359 para 125 trabalhadores. Na ocasião, a empresa também modificou sua organização produtiva e passou a operar em apenas um turno, buscando adaptar as atividades às condições do mercado.
A reestruturação de 2025 resultou em demissões e transferências de trabalhadores para outras unidades do grupo. Naquele período, a redução do quadro de funcionários provocou manifestações de empregados e representantes sindicais em Itaúna, onde está localizado o escritório da empresa.
Mesmo após as mudanças adotadas anteriormente, a unidade continuou enfrentando dificuldades relacionadas à viabilidade financeira da extração e comercialização do minério de ferro. A suspensão anunciada em outubro de 2026 representa uma nova etapa do processo de adequação das operações às condições econômicas do setor.
O Grupo J. Mendes informou que pretende assegurar os direitos trabalhistas dos funcionários desligados e que iniciou conversas com representantes sindicais. A empresa também pretende apoiar a recolocação dos profissionais no mercado de trabalho, além de avaliar possibilidades de transferência para outras atividades mantidas pelo conglomerado.
A decisão de interromper a produção da JMN não significa o encerramento de todas as atividades de mineração do Grupo J. Mendes. A Ferro+ Mineração, que também integra a organização, continuará funcionando normalmente. A unidade está localizada entre Congonhas e Ouro Preto e possui características operacionais diferentes das registradas na JMN.
A paralisação também ocorre em um período de redução de atividades em outras mineradoras instaladas em Minas Gerais. Empresas como Usiminas, Itaminas, CSN Mineração e Cabo Verde Mineração anunciaram medidas de suspensão ou diminuição da produção em determinadas unidades diante das condições do mercado de minério de ferro.
Em setembro, a Mineração Usiminas anunciou a paralisação da planta de Samambaia, em Itatiaiuçu. Outras empresas também realizaram ajustes nas operações em municípios como Sarzedo, Ouro Preto, Cabo Verde e Muzambinho, demonstrando que as dificuldades econômicas atingem diferentes regiões produtoras de minério no estado.
No caso da JMN, a continuidade da suspensão dependerá de uma mudança nas condições de mercado que permita à empresa reavaliar a viabilidade econômica da unidade. A mineradora informou que acompanhará a evolução dos custos e das condições comerciais antes de considerar uma eventual retomada.
Até o momento, não existe previsão oficial para o restabelecimento das atividades de extração e beneficiamento da JMN Mineração. Enquanto isso, a unidade permanecerá com a produção suspensa, parte dos empregados será desligada ou transferida e uma equipe continuará responsável pela conservação das instalações.
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