Polícia

Quem eram as cinco vítimas do acidente de helicóptero na Serra de Santa Catarina

O acidente com um helicóptero Bell 430 na Serra Catarinense matou cinco pessoas que viajavam entre Porto Belo e São Joaquim: o cantor Rick Sollo, da dupla Rick & Renner; o empresário mineiro Bruno Avelar; o videomaker Paulo Soares; o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo; e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Os destroços foram encontrados nesta terça-feira (22), depois de uma operação de buscas iniciada na tarde de segunda-feira (21).

As primeiras informações divulgadas durante o desaparecimento mencionavam apenas quatro ocupantes e não traziam a identificação completa da tripulação. Com o avanço das buscas e as manifestações da empresa responsável pela aeronave, a relação foi atualizada para cinco pessoas. Ao longo desta terça-feira, novas informações permitiram identificar também os dois profissionais que estavam na cabine do helicóptero.

A aeronave tinha matrícula PP-MGR e pertencia à JTA Empreendimentos e Urbanismo. Segundo informações consultadas no sistema da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Bell 430 havia sido fabricado em 2001 e estava em situação regular. O certificado de aeronavegabilidade tinha validade até agosto de 2027.

Antes do trecho realizado de helicóptero, Rick e Bruno Avelar haviam viajado de jatinho de Jundiaí, no interior de São Paulo, até Porto Belo, no litoral de Santa Catarina. De acordo com dados públicos de rastreamento reunidos durante a apuração, o avião deixou Jundiaí pela manhã e chegou ao Aeródromo Costa Esmeralda. Depois, o grupo seguiu no helicóptero em direção à Serra Catarinense.

Equipe de resgate trabalhando ao redor de um helicóptero acidentado em uma área arborizada.

O destino era São Joaquim. Segundo informações divulgadas durante as buscas, o grupo pretendia cumprir compromissos na região e avaliar possibilidades de investimento, incluindo uma visita a uma área de interesse. O helicóptero, porém, não chegou ao destino e perdeu comunicação durante o trajeto.

As equipes passaram a trabalhar em uma extensa região montanhosa entre Urubici e São Joaquim. O relevo acidentado, a mata fechada, a chuva, a neblina e as dificuldades de acesso tornaram a operação mais complexa. Cerca de 40 bombeiros, cães de busca, drones com câmeras térmicas, viaturas e aeronaves participaram dos trabalhos.

A localização dos destroços ocorreu perto do meio-dia desta terça-feira. O helicóptero Arcanjo 03, do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, participou da localização, enquanto a Força Aérea Brasileira também empregou aeronaves na operação. Informações divulgadas posteriormente por veículos catarinenses apontaram a região de Santa Bárbara, na Serra Catarinense, como o local onde a aeronave foi encontrada.

Com a chegada das equipes ao ponto onde estava a aeronave, foi constatado que nenhum dos cinco ocupantes havia sobrevivido. A partir daí, a operação passou a envolver a retirada dos corpos, os procedimentos da Polícia Científica e o início dos trabalhos destinados a esclarecer as circunstâncias do acidente.

Rick Sollo

A vítima mais conhecida nacionalmente era Geraldo Antônio de Carvalho, o Rick Sollo, de 59 anos. Natural de Monte do Carmo, no Tocantins, ele construiu uma carreira de décadas na música sertaneja e se tornou conhecido principalmente pela parceria com Renner, nome artístico de Ivair dos Reis Gonçalves.

Rick começou a cantar ainda criança. Em uma das primeiras experiências musicais, formou com a irmã Dalva a dupla Sereno & Serenata. Antes de chegar à formação que o projetaria nacionalmente, passou por outras parcerias musicais. A união com Renner começou na década de 1980 e levou os dois aos palcos de casas noturnas antes da consolidação no mercado fonográfico.

A dupla Rick & Renner ganhou projeção nacional especialmente nos anos 1990 e 2000. Entre as músicas associadas à trajetória dos artistas estão “Ela É Demais”, “Nos Bares da Cidade”, “Cara de Pau”, “Escolta de Vagalumes”, “Nóis Tropica, Mas Não Cai” e “Filha”. A parceria passou por interrupções ao longo dos anos, mas os dois voltaram a trabalhar juntos e mantinham agenda de apresentações em 2026.

Além de intérprete, Rick desenvolveu uma extensa carreira como compositor. Suas músicas foram gravadas por artistas e duplas de diferentes gerações do sertanejo. Levantamento publicado após a morte do cantor apontou mais de 660 composições registradas no Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, o Ecad.

Entre os artistas que gravaram composições de Rick estão Chitãozinho & Xororó, João Paulo & Daniel, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano, Milionário & José Rico, Gian & Giovani e Gino & Geno. A atividade como compositor acompanhou praticamente toda a trajetória do artista e fez com que seu trabalho também alcançasse o público por meio das vozes de outros intérpretes.

Rick estava em uma fase de comemoração dos 40 anos de parceria musical com Renner. A dupla tinha apresentações programadas para os meses seguintes, com compromissos previstos até dezembro. O último fim de semana antes do acidente havia sido marcado por apresentações da dupla, e Rick seguiu posteriormente para o compromisso particular em Santa Catarina.

O cantor era casado com Geralda Helena. Informações biográficas publicadas ao longo dos anos registram também filhos e netos do artista. A família acompanhou as buscas desde a notícia de que o helicóptero havia perdido comunicação e recebeu manifestações de apoio de fãs, músicos e profissionais do meio artístico.

Bruno Avelar

Outra vítima era o empresário Bruno Avelar, de 41 anos, natural de Belo Horizonte. Ele atuava como empresário, escritor e palestrante, concentrando parte de sua atividade profissional na área de networking e construção de relações entre empresários, executivos e profissionais de diferentes setores.

Avelar ficou conhecido principalmente como fundador do projeto O Poder do Network, que promovia eventos, encontros e atividades voltadas à criação de conexões profissionais. Em entrevistas, relatava que sua trajetória de trabalho havia começado ainda na adolescência e que posteriormente viveu durante anos fora do Brasil.

Segundo relatos do próprio empresário recuperados por veículos de comunicação após o acidente, Avelar viveu em países como Portugal, Inglaterra, Espanha e Estados Unidos. Ele trabalhou em atividades ligadas ao mercado de cosméticos antes de ampliar sua atuação para empreendedorismo, palestras, mentorias e eventos empresariais.

A exposição pública do empresário também cresceu por sua participação em eventos e projetos envolvendo personalidades conhecidas nacionalmente. Avelar participou de atividades ligadas ao Instituto Projeto Neymar Jr. e chegou a atuar como apresentador de eventos beneficentes da instituição. Também teve participação em conteúdo televisivo no programa “Operação Mesquita”, do SBT.

Avelar era casado e pai. Durante o período em que o helicóptero permanecia desaparecido, familiares e integrantes de sua equipe publicaram mensagens pedindo orações e aguardando informações das equipes de resgate. Depois da localização dos destroços, sua equipe confirmou a morte e divulgou uma manifestação em homenagem ao empresário.

Paulo Soares

O terceiro passageiro era o videomaker Paulo Soares, profissional que acompanhava Bruno Avelar e produzia registros audiovisuais de viagens, eventos e compromissos do empresário. Seu nome já havia sido divulgado durante as primeiras horas de buscas, quando assessorias confirmaram quem estava no helicóptero.

Paulo era formado em Comunicação Audiovisual pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e morava em São Paulo. Atuava profissionalmente como operador de câmera e cinegrafista e também possuía experiência como filmmaker, editor de vídeo e profissional de mídias sociais.

A atividade profissional fazia com que Paulo acompanhasse compromissos e viagens para produzir imagens destinadas às redes sociais e a outros conteúdos audiovisuais. Pouco antes do desaparecimento do helicóptero, registros relacionados à viagem chegaram a ser publicados nas redes sociais.

Informações divulgadas após sua identificação também mostraram aspectos da vida pessoal do videomaker. Paulo mantinha um relacionamento com Kelly Costa e, fora do ambiente profissional, também tinha ligação com atividades musicais, incluindo o hábito de tocar guitarra na igreja.

A idade de Paulo não havia sido informada de forma consistente pelas fontes consultadas até a publicação deste levantamento. Por esse motivo, o dado não é apresentado como confirmado. O mesmo critério vale para outras informações pessoais que ainda não foram divulgadas oficialmente pela família.

Antônio Roberto Nóbrega de Araújo

O piloto do Bell 430 foi identificado como Antônio Roberto Nóbrega de Araújo. Ele era natural de Acari, município da região do Seridó, no Rio Grande do Norte, e havia construído uma longa trajetória profissional na aviação.

Informações divulgadas por veículos catarinenses após a identificação apontam que Antônio Roberto atuava havia décadas como piloto e tinha experiência na condução de helicópteros utilizados por empresários de São Paulo. Relatos de pessoas próximas citados pela imprensa local destacaram sua extensa experiência na atividade aérea.

Antônio estava no comando do helicóptero no trecho entre Porto Belo e São Joaquim. Inicialmente, a empresa proprietária da aeronave se referiu a ele apenas como “Antônio” ou “Seu Antônio”. O nome completo passou a ser divulgado no decorrer da tarde desta terça-feira, à medida que as vítimas eram formalmente identificadas pela imprensa local e por pessoas ligadas aos ocupantes.

Até o fim da tarde, fontes consultadas ainda não haviam apresentado de maneira uniforme informações como idade, local atual de residência ou detalhes completos de sua trajetória profissional. Por isso, esses dados não são incluídos como fatos confirmados neste levantamento.

Leopoldo Barros Teixeira

O quinto ocupante foi identificado como Leopoldo Barros Teixeira, que atuava como copiloto. Ele dividia a cabine do Bell 430 com Antônio Roberto no momento em que a aeronave realizava o voo pela Serra Catarinense.

Leopoldo era natural de São Paulo. Diferentemente das outras vítimas, poucas informações biográficas haviam se tornado públicas até as primeiras horas após sua identificação. Não haviam sido divulgados de maneira confirmada sua idade, a cidade onde residia nem o período exato de experiência profissional na aviação.

A participação de um copiloto também ajudou a esclarecer a divergência inicial sobre o número de pessoas no helicóptero. Durante o desaparecimento, algumas assessorias mencionaram quatro ocupantes. Posteriormente, os bombeiros e a empresa responsável pela aeronave confirmaram cinco mortes e informaram que Leopoldo também integrava a tripulação.

Com as novas identificações, a relação completa das vítimas ficou formada por Geraldo Antônio de Carvalho, o Rick Sollo; Bruno Avelar; Paulo Soares; Antônio Roberto Nóbrega de Araújo; e Leopoldo Barros Teixeira. As informações divulgadas ao longo desta terça-feira permitiram reconstruir parte da trajetória profissional e pessoal de cada um deles, embora alguns dados sobre os tripulantes ainda dependam de divulgação das famílias ou das autoridades.

Investigação do acidente

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foi acionado para investigar a ocorrência, com participação do Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa V), sediado em Canoas, no Rio Grande do Sul. Os investigadores devem analisar os destroços, as condições da aeronave e outras informações relacionadas ao voo.

A finalidade da investigação aeronáutica é identificar fatores que possam ter contribuído para o acidente e produzir informações destinadas à prevenção de ocorrências semelhantes. O trabalho pode envolver análise de componentes, registros de voo, informações meteorológicas, comunicações e outros elementos técnicos disponíveis.

Apesar de a região ter enfrentado chuva, neblina e condições meteorológicas que dificultaram significativamente as buscas, não havia, até a última atualização, uma causa oficialmente estabelecida para a queda. As condições do tempo, portanto, não devem ser apresentadas como causa do acidente enquanto a investigação técnica estiver em andamento.

A retirada das vítimas e os procedimentos periciais prosseguiram após a localização da aeronave. A JTA Empreendimentos informou que colaboraria com as autoridades e com as providências relacionadas às famílias, enquanto o Cenipa seguirá com a apuração destinada a esclarecer o que ocorreu durante o último trecho do voo.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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