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Portal G37: da Gazeta do Oeste à trajetória jornalística local de Divinópolis

A história do Portal G37 começou décadas antes de a internet, os smartphones e as redes sociais transformarem a maneira como as pessoas acompanham as notícias. O caminho que levou ao atual portal está diretamente ligado à história da imprensa de Divinópolis e à trajetória de uma família que atravessou diferentes fases da comunicação, passando pelo rádio, pelo jornalismo impresso, pela administração de empresas jornalísticas, pelas entidades de representação da imprensa do interior e, posteriormente, pela migração integral para o ambiente digital. O Portal G37 atual é, portanto, resultado de um processo construído ao longo de várias décadas.

Um dos pontos de partida dessa trajetória está na vida profissional do jornalista Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, que desenvolveu sua carreira em uma época em que o rádio e os jornais impressos concentravam grande parte da circulação de informações no interior de Minas Gerais. Natural de Divinópolis, ele nasceu em 18 de setembro de 1947, filho de José Rodrigues da Silva e Terezinha Lourdes Rodrigues. Casou-se com Maria Marcos Rodrigues e teve três filhos: Fernando Marcos Rodrigues, Leonardo Marcos Rodrigues e Gustavo Marcos Rodrigues. A própria família teria, anos depois, participação direta na continuidade do projeto jornalístico criado por ele.

A formação de Antônio Eustáquio também esteve ligada ao objetivo de trabalhar com comunicação. Ele estudou no Colégio Padre Matias Lobato, no Colégio São Geraldo e no Colégio Leão XIII e, posteriormente, cursou a Escola de Formação de Jornalistas Profissionais. A trajetória profissional começou em diferentes atividades e avançou para o jornalismo em um período no qual a profissão dependia de estruturas muito diferentes das atuais, com redações baseadas em máquinas de escrever, produção gráfica manual, fotografia analógica, impressão física e distribuição dos exemplares diretamente aos leitores.

O rádio foi uma das primeiras áreas da comunicação em que Antônio Eustáquio atuou. Ele trabalhou como comentarista esportivo na antiga Rádio Cultura de Divinópolis, posteriormente denominada Rádio Minas. A experiência com o esporte e com a cobertura radiofônica seria mantida em outros momentos da carreira, demonstrando uma atuação que não ficou restrita ao jornal impresso. Naquele período, o rádio possuía grande alcance regional e exercia papel fundamental na divulgação de notícias, esportes e acontecimentos comunitários, principalmente nas cidades do interior.

Antônio Eustáquio também trabalhou na Companhia Siderúrgica Pains, onde exerceu funções administrativas e dirigiu o jornal interno “Pains em Notícias”. Essa experiência ampliou sua atuação para a comunicação empresarial, colocando-o em contato com outra vertente do jornalismo. A Companhia Siderúrgica Pains tinha forte presença na economia de Divinópolis, e a produção de um informativo interno representava uma forma de comunicação direta entre a empresa, seus funcionários e os assuntos relacionados ao ambiente de trabalho.

Sua trajetória profissional ainda incluiu atuação relacionada ao Hospital São João de Deus, onde coordenou durante mais de quatro anos o atendimento médico destinado aos funcionários da Companhia Siderúrgica Pains. Também trabalhou como assistente da presidência do Estrela do Oeste Clube, instituição tradicional de Divinópolis. Essas atividades mostram que sua vida profissional transitou por diferentes setores da cidade ao mesmo tempo em que o jornalismo se consolidava como a principal marca de sua carreira.

Um dos capítulos mais importantes dessa história começou com o Jornal Agora. Antônio Eustáquio esteve entre os fundadores do periódico, criado em Divinópolis por um grupo de dez pessoas que tinha entre seus principais idealizadores ele próprio e Pedro Magalhães de Faria. A primeira edição do então Agora/Regional chegou às ruas em 1º de junho de 1971, iniciando uma trajetória que se tornaria parte da história da imprensa divinopolitana.

O início do Jornal Agora retrata bem como funcionava a imprensa do interior naquele período. O periódico começou com composição manual em caixas de tipos, nas quais as letras eram organizadas uma a uma para formar textos e páginas. A impressão também era realizada por processos que exigiam grande quantidade de trabalho manual. Posteriormente, o jornal passou pela linotipo, por sistemas de impressão mais modernos, pelo uso de computadores e, décadas mais tarde, também pelas plataformas digitais.

Antônio Eustáquio manteve ligação com o Jornal Agora por um longo período. Em 1979, passou a sócio majoritário da AGE Agora Gráfica Editora Ltda., empresa responsável pela edição do periódico, assumindo a condição de diretor responsável. A função ampliou sua experiência não apenas como jornalista, mas também na administração de uma empresa de comunicação, conhecimento que posteriormente seria importante quando decidiu desenvolver outro projeto jornalístico em Divinópolis.

Ao longo de cerca de três décadas de ligação com o Jornal Agora, Antônio Eustáquio participou de diferentes momentos da evolução da imprensa local. Essa trajetória não impediu que, ao longo do período, desenvolvesse outros projetos profissionais. Pelo contrário, sua experiência no jornal, somada às atividades no rádio e à atuação institucional, criou as bases para que ele mais tarde abrisse uma nova frente na imprensa divinopolitana, com a criação do Jornal Gazeta do Oeste.

O jornalismo esportivo permaneceu presente na carreira. Antônio Eustáquio foi responsável pela criação da Divisão de Esportes da Rádio Santa Cruz, de Pará de Minas, onde dirigiu o setor por mais de dois anos. Depois, foi convidado por Samuel Martins, então diretor-presidente da Rádio Emissora Lagoa da Prata, posteriormente Rádio Tropical, para fundar e comandar o Departamento de Esportes da emissora. Essas experiências ampliaram sua atuação para além de Divinópolis e fortaleceram sua presença na comunicação regional.

O trabalho desenvolvido na cobertura esportiva também lhe proporcionou viagens por países da América do Sul, segundo a biografia incorporada pela Prefeitura de Divinópolis à legislação municipal que posteriormente prestou homenagem ao jornalista. A experiência acumulada no rádio, no jornal, na comunicação empresarial e na administração de empresas jornalísticas fez com que Antônio Eustáquio também passasse a participar de movimentos de organização e representação dos veículos de imprensa instalados fora das capitais.

Essa participação levou Antônio Eustáquio às entidades representativas da imprensa do interior. Os registros oficiais de sua trajetória o identificam como ex-presidente da Associação de Jornais do Interior de Minas Gerais, organização criada para congregar veículos de diferentes municípios mineiros. O mesmo documento registra que ele teve participação destacada na estruturação da entidade em Minas Gerais, em uma época na qual jornais regionais buscavam maior representação institucional diante dos desafios econômicos, profissionais e tecnológicos enfrentados pelas empresas de comunicação.

A atuação alcançou também o cenário nacional por meio da ABRAJORI — Associação Brasileira dos Jornais do Interior. A documentação oficial registra Antônio Eustáquio em funções de presidência nos períodos de 1980 a 1982, 1982 a 1984 e 1984 a 1986. A participação em uma entidade de abrangência nacional colocou o jornalista de Divinópolis em contato com proprietários, editores e profissionais de veículos de comunicação de diferentes estados brasileiros.

Outras entidades também aparecem vinculadas à sua trajetória. Na fase final de sua vida profissional, Antônio Eustáquio exercia a função de 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo do Interior e figurava como presidente emérito da Associação de Jornais de Minas Gerais. Os registros históricos utilizam denominações distintas para organizações representativas da imprensa ao longo dos anos, razão pela qual é importante preservar os nomes registrados nos documentos da época e não confundir essas associações com outras entidades posteriormente organizadas no setor.

A vida comunitária também fazia parte dessa trajetória. Antônio Eustáquio integrou o Lions Clube Divinópolis Candidés desde 1973, onde exerceu atividades relacionadas à comunicação, entre elas a função de assessor de imprensa e a coordenação de palestras. A participação no Lions se somava ao envolvimento com instituições locais e às atividades profissionais desenvolvidas na imprensa, no rádio, no esporte e em empresas de Divinópolis.

Ao longo da carreira, Antônio Eustáquio recebeu diferentes homenagens relacionadas ao jornalismo e à atuação comunitária. Entre os reconhecimentos registrados oficialmente estão o título de Benemérito da Polícia Militar de Minas Gerais, o Diploma dos 10 Melhores da Imprensa do Interior de Minas Gerais, o Diploma dos 10 Melhores da Imprensa do Interior do Brasil, o Troféu Gutenberg, o Troféu Pequeno Jornaleiro e distinções concedidas por entidades e instituições de Divinópolis e de Minas Gerais.

Também constam entre as homenagens recebidas o Certificado de Reconhecimento do Ministério do Exército, a Comenda Santos Dumont, no Grau Prata, o Diploma de Colaborador Emérito da Polícia Militar, o Troféu Personalidade Destaque concedido pela Associação dos Municípios da Microrregião do Vale do Itapecerica, a AMVI, além de homenagens do Estrela do Oeste Clube e de instituições ligadas à imprensa. Em 1988, seu nome passou a integrar oficialmente a relação de homenageados com a Medalha Candidés de Divinópolis.

Toda essa experiência antecedeu a criação do projeto que está na origem direta do atual Portal G37. Em 1993, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro fundou em Divinópolis o Jornal Gazeta do Oeste. A nova publicação surgiu como outro capítulo de sua trajetória na comunicação e levou para o novo veículo a experiência acumulada em décadas de atuação no Jornal Agora, em emissoras de rádio, na comunicação empresarial, na administração de empresas jornalísticas e na representação institucional dos jornais do interior.

A Gazeta do Oeste nasceu em uma realidade completamente diferente da encontrada hoje pelas empresas jornalísticas. O jornal impresso ainda era uma das principais formas de acompanhar os acontecimentos locais, enquanto a internet comercial brasileira dava seus primeiros passos e estava distante da rotina da maioria da população. Não existiam redes sociais como as atuais, os telefones celulares ainda não eram ferramentas de acesso constante à informação e a distribuição de notícias dependia fortemente do rádio, da televisão e das publicações impressas.

Produzir uma edição da Gazeta do Oeste envolvia uma cadeia de trabalho que começava na apuração dos fatos e terminava na distribuição física dos exemplares. A redação acompanhava os acontecimentos, os jornalistas conversavam com fontes, as matérias eram redigidas e revisadas, fotografias eram selecionadas, anúncios eram preparados, as páginas passavam pelo processo gráfico e, somente depois da impressão, o conteúdo chegava aos leitores. A velocidade da notícia obedecia ao ritmo de fechamento de cada edição, algo muito diferente do modelo de atualização permanente do jornalismo digital.

Desde os primeiros anos, a Gazeta do Oeste voltou parte significativa de sua cobertura para Divinópolis e o Centro-Oeste de Minas Gerais. Política, segurança pública, saúde, economia, esporte, cultura, educação, serviços públicos, acontecimentos comunitários e decisões dos poderes constituídos passaram a integrar as páginas do veículo. Essa característica regional acabaria atravessando as diferentes fases da empresa e permaneceria presente posteriormente no Portal G37.

A presença da Gazeta do Oeste também alcançou a vida institucional de Divinópolis. Registros legislativos municipais mostram o jornal como veículo utilizado para publicação de atos oficiais ainda durante a década de 1990. A relação demonstra como, poucos anos depois de sua criação, o periódico já havia passado a integrar o ambiente de circulação de informações públicas no município, além da cobertura jornalística cotidiana realizada pela redação.

Ao mesmo tempo, a Gazeta do Oeste tornou-se um ambiente de formação e participação da própria família de Antônio Eustáquio. Fernando, Leonardo e Gustavo cresceram acompanhando de perto diferentes momentos da trajetória profissional do pai. No caso de Fernando Rodrigues e Leonardo Rodrigues, essa convivência avançaria para uma participação direta na estrutura do jornal, preparando a continuidade do projeto em uma fase na qual a comunicação começava a entrar em um período de acelerada transformação tecnológica.

Em 2004, a morte de Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro marcou uma mudança decisiva na história da Gazeta do Oeste. Após a perda do fundador, seu filho Fernando Rodrigues assumiu a direção do jornal, ficando responsável pela continuidade do projeto iniciado em 1993. A sucessão familiar garantiu a permanência do veículo em circulação e abriu uma nova etapa de sua história, justamente quando a internet começava a modificar os hábitos dos leitores e a estrutura das redações em todo o país.

O reconhecimento à trajetória de Antônio Eustáquio continuou após sua morte. Em 2005, a Câmara Municipal de Divinópolis aprovou resolução que deu o nome de “Jornalista Antônio Eustáquio Rodrigues” ao espaço físico destinado à imprensa no plenário da Câmara. No mesmo ano, a Lei Municipal nº 6.232 denominou “Antônio Eustáquio Rodrigues” o viaduto construído na Rua Piauí, incorporando à própria legislação municipal uma extensa justificativa sobre sua trajetória na comunicação.

A partir de 2004, Fernando Rodrigues passou a conduzir a Gazeta do Oeste em uma fase marcada por mudanças tanto na empresa quanto no próprio mercado jornalístico. Leonardo Rodrigues também ampliou sua participação na estrutura do projeto familiar e, posteriormente, teria papel diretamente ligado ao desenvolvimento da presença digital da Gazeta. A segunda geração passou, assim, a administrar uma empresa que havia sido criada no ambiente do jornal impresso, mas que começava a precisar se adaptar a leitores cada vez mais conectados à internet.

Os processos de produção também mudavam rapidamente. Computadores já substituíam antigas etapas manuais de redação e diagramação, câmeras digitais reduziam o tempo necessário para disponibilizar fotografias e conexões de internet tornavam possível enviar informações com rapidez crescente. O modelo de fechamento de uma edição impressa ainda permanecia, mas começava a conviver com uma lógica diferente: a de que o leitor não precisaria necessariamente esperar até o dia seguinte para saber o que havia acontecido.

Outro marco ocorreu em 2011, quando a Gazeta do Oeste completou 18 anos de circulação. Naquele ano, o veículo iniciou sua fase como jornal diário, aumentando a frequência das edições impressas e ampliando a rotina de produção da redação. O início da circulação diária foi registrado pela Câmara Municipal de Divinópolis, que destacou os 18 anos de atuação jornalística e a nova etapa do periódico.

A passagem para o formato diário foi celebrada durante evento realizado em 30 de abril de 2011, no Salão Nobre da sede campestre do Estrela do Oeste Clube. Na ocasião, a Gazeta do Oeste recebeu uma Moção Congratulatória da Câmara Municipal pelos serviços prestados à comunicação e pelo crescimento do jornal. A homenagem foi entregue aos diretores Fernando Rodrigues e Leonardo Rodrigues, identificados pela Câmara como filhos do fundador Antônio Eustáquio Rodrigues.

A circulação diária aumentava a necessidade de acompanhar os acontecimentos em um ciclo mais curto. A redação precisava fechar edições com maior frequência, organizar pautas diariamente e manter equipes mobilizadas para atender às demandas de uma cidade em crescimento. Ao mesmo tempo, a internet já começava a impor um ritmo ainda mais acelerado, tornando possível publicar informações várias vezes ao longo do mesmo dia e atualizar uma reportagem depois de sua divulgação inicial.

Foi nesse ambiente que a presença digital vinculada à Gazeta do Oeste ganhou importância crescente. O endereço g37.com.br passou a ser associado ao projeto de comunicação da empresa, enquanto a marca G37 começou a ocupar espaço próprio entre os leitores. A transição não ocorreu de um dia para o outro. Durante um período, o jornal impresso e a plataforma digital coexistiram, cada um atendendo a hábitos diferentes do público e exigindo rotinas específicas de produção.

Leonardo Rodrigues teve participação direta nessa transformação. Jornalista formado profissionalmente dentro do ambiente da Gazeta do Oeste, ele chegou à direção executiva do veículo e posteriormente foi responsável pela criação do Portal G37, levando para a internet um projeto que tinha origem na imprensa impressa de Divinópolis. A própria apresentação biográfica publicada pelo G37 registra essa passagem da formação dentro da Gazeta do Oeste para a direção do veículo e a criação do portal.

A presença do G37 como braço digital do grupo já aparecia claramente antes da migração definitiva do impresso. Um trabalho acadêmico sobre projetos da Universidade Federal de São João del-Rei, por exemplo, registrou conteúdos publicados em 2017 tanto pelo Jornal Agora quanto pelo Portal G37, identificado como portal de notícias do Grupo Gazeta do Oeste. O registro ajuda a documentar uma fase em que o G37 já possuía identidade digital enquanto a estrutura originada na Gazeta do Oeste ainda passava por sua transição.

Essa convivência entre papel e internet permitiu à empresa acompanhar a mudança de comportamento dos leitores. O público que durante anos aguardava a edição impressa passou gradualmente a buscar notícias nos computadores e, depois, nos celulares. O tempo entre um acontecimento e sua divulgação diminuiu de horas ou de um dia para poucos minutos. A redação precisou incorporar uma nova lógica de produção, baseada em publicação rápida, atualização contínua e diferentes formatos de conteúdo.

A mudança definitiva ocorreu em 2018. Depois de aproximadamente 25 anos de circulação no papel, a Gazeta do Oeste encerrou sua versão impressa e migrou integralmente para o ambiente on-line. A partir daquele momento, a história iniciada com a fundação do jornal em 1993 deixou de depender da impressão e distribuição física dos exemplares e passou a continuar exclusivamente pela internet, por meio do projeto que se consolidou como Portal G37.

O encerramento da edição impressa representou o fim de um formato, mas não o encerramento do projeto jornalístico. A estrutura construída pela Gazeta do Oeste foi direcionada para uma plataforma capaz de publicar notícias sem os limites impostos pelo fechamento e pela impressão de uma edição. O G37 passou a concentrar a continuidade da marca, da experiência acumulada pela redação e da relação mantida com Divinópolis e com os municípios do Centro-Oeste de Minas Gerais.

No jornalismo digital, a rotina passou a funcionar de maneira diferente. Uma ocorrência policial, uma decisão judicial, um acidente de trânsito ou uma mudança nos serviços públicos poderia ser publicada logo após a confirmação das informações e atualizada posteriormente. Fotografias deixaram de depender do processo de revelação utilizado décadas antes, documentos puderam ser disponibilizados eletronicamente e vídeos passaram a fazer parte da cobertura, alterando profundamente a relação entre texto, imagem e velocidade.

As redes sociais e os aplicativos de mensagens acrescentaram outra transformação. O leitor deixou de depender de receber fisicamente um exemplar para acompanhar o trabalho do veículo. A notícia passou a chegar por compartilhamentos, mecanismos de busca, redes sociais, notificações e mensagens. Ao mesmo tempo, a população passou a enviar diretamente à redação informações, fotografias, vídeos e sugestões de pauta sobre acontecimentos em bairros, rodovias e municípios da região.

Essa nova estrutura também tornou possível ampliar geograficamente a cobertura. Divinópolis permaneceu como principal referência do projeto, mas o Portal G37 passou a acompanhar com frequência crescente acontecimentos de outras cidades do Centro-Oeste mineiro. A lógica digital eliminou parte das limitações de distribuição enfrentadas pelo jornal impresso e permitiu que o conteúdo produzido pela redação pudesse ser acessado imediatamente em qualquer cidade com conexão à internet.

Municípios como Nova Serrana, Itaúna, Formiga, Bom Despacho, Pará de Minas, Carmo do Cajuru, Lagoa da Prata, Santo Antônio do Monte, Arcos, Oliveira, Pitangui, Itapecerica, São Gonçalo do Pará e outras localidades passaram a aparecer regularmente na cobertura. As principais rodovias que cortam a região, entre elas BR-262, BR-494, MG-050 e outras estradas estaduais e federais, também se tornaram parte importante da produção diária, especialmente em notícias sobre trânsito, acidentes, fiscalizações e segurança pública.

A abrangência do portal também avançou para assuntos de interesse estadual e nacional. Notícias de Minas Gerais e do Brasil passaram a dividir espaço com a cobertura regional, especialmente quando tratam de temas com impacto para os leitores do Centro-Oeste mineiro. Política, economia, Justiça, saúde, segurança, serviços, esportes e acontecimentos de repercussão nacional passaram a integrar a estrutura do portal sem eliminar a prioridade histórica dada à informação produzida a partir de Divinópolis.

Essa combinação entre cobertura local, regional, estadual e nacional tornou-se uma das características da fase digital. A lógica é diferente daquela que orientava a distribuição física do jornal impresso, porque o mesmo endereço eletrônico pode ser acessado tanto por uma pessoa que procura informações sobre um bairro de Divinópolis quanto por um leitor interessado em um acontecimento ocorrido em outra região de Minas Gerais ou do Brasil.

Ao longo desse processo, a marca G37 passou a representar cada vez mais a continuidade digital da Gazeta do Oeste. O nome do antigo jornal permanece como origem histórica do projeto, enquanto o Portal G37 consolidou a identidade utilizada pelo veículo na internet. A transformação também ajuda a explicar por que a história do portal não deve ser contada apenas a partir da criação de um site: o projeto digital é consequência de uma trajetória jornalística muito anterior à própria popularização da internet.

Em 2026, essa trajetória passou por outra mudança tecnológica com a adoção do endereço portalg37.com.br, que atualmente identifica a página principal do Portal G37. O domínio reúne a cobertura diária produzida pelo veículo e mantém Divinópolis e o Centro-Oeste de Minas Gerais como elementos centrais de sua apresentação ao público. A página principal atual identifica o G37 como portal de notícias de Divinópolis e do Centro-Oeste mineiro.

Na estrutura atual, o portal organiza conteúdos em editorias como Divinópolis, Polícia, Minas Gerais, Brasil, Política, Artigos e Variedades e Publicações Oficiais, além de manter atualização contínua das últimas notícias. Essa organização reflete a ampliação temática ocorrida ao longo da trajetória digital e permite que a cobertura regional conviva com assuntos estaduais e nacionais em uma mesma plataforma.

Apesar das mudanças de tecnologia, a continuidade entre as gerações permanece como parte central dessa história. Antônio Eustáquio participou da criação do Jornal Agora, acumulou experiência em diferentes áreas da comunicação e fundou a Gazeta do Oeste. Depois de sua morte, Fernando Rodrigues assumiu a direção do jornal e manteve o projeto em funcionamento, enquanto Leonardo Rodrigues participou da direção e da transformação que levou à criação e ao fortalecimento do Portal G37.

A linha do tempo permite compreender essa evolução de maneira mais clara. A trajetória passa pela fundação do Jornal Agora em 1971, pela experiência acumulada por Antônio Eustáquio na imprensa e nas entidades representativas, pela criação da Gazeta do Oeste em 1993, pela sucessão de Fernando Rodrigues em 2004, pela transformação da Gazeta em jornal diário em 2011, pela expansão da plataforma digital, pela migração integral para o on-line em 2018 e pela consolidação posterior do Portal G37.

Essa história também acompanha a transformação do próprio jornalismo. Antônio Eustáquio trabalhou em uma época marcada por composição manual, impressão física, distribuição por jornaleiros e horários rígidos de fechamento. Seus filhos conduziram o projeto durante a passagem para computadores, fotografia digital, internet e publicação em tempo real. O G37 atual funciona em uma realidade baseada em celulares, mecanismos de busca, redes sociais, vídeos e atualização contínua, mostrando como um mesmo projeto jornalístico precisou se adaptar a diferentes tecnologias ao longo do tempo.

Mais de três décadas separam a fundação da Gazeta do Oeste da estrutura digital atualmente utilizada pelo Portal G37, enquanto a origem profissional dessa história recua ainda mais, até os primeiros trabalhos de Antônio Eustáquio e sua participação na fundação do Jornal Agora. Ao longo desse período, diferentes empresas, instituições e entidades fizeram parte dessa trajetória, entre elas AGE Agora Gráfica Editora, Companhia Siderúrgica Pains, Hospital São João de Deus, Estrela do Oeste Clube, Rádio Cultura, Rádio Santa Cruz, Rádio Emissora Lagoa da Prata, associações da imprensa do interior e Lions Clube Divinópolis Candidés.

Os reconhecimentos oficiais concedidos a Antônio Eustáquio e as homenagens prestadas posteriormente à Gazeta do Oeste também fazem parte desse percurso. A Medalha Candidés, o espaço de imprensa da Câmara Municipal com seu nome, o viaduto denominado em sua homenagem e a Moção Congratulatória entregue aos diretores da Gazeta em 2011 registram, em diferentes momentos, a relação dessa trajetória jornalística com a história institucional de Divinópolis.

A transformação da Gazeta do Oeste em Portal G37 também representa uma mudança na forma de preservar essa história. O que antes permanecia registrado principalmente em coleções de jornais impressos passou a ser armazenado e consultado digitalmente. Reportagens podem ser encontradas por mecanismos de busca, compartilhadas anos depois da publicação e acessadas por leitores que nunca tiveram contato com as antigas edições em papel.

Ao mesmo tempo, o alcance digital permitiu que acontecimentos essencialmente locais ganhassem uma audiência maior. Uma notícia sobre Divinópolis ou sobre um município do Centro-Oeste de Minas pode hoje chegar a moradores de outras regiões, antigos residentes que vivem longe da cidade e leitores interessados em assuntos mineiros. Essa possibilidade ampliou a distribuição sem alterar a origem regional do projeto.

A relação com o público também se transformou. No período do jornal impresso, cartas, telefonemas, visitas à redação e contatos presenciais eram algumas das principais formas de comunicação entre leitores e jornalistas. Na fase digital, mensagens instantâneas, redes sociais e envio de arquivos passaram a integrar essa relação. O leitor consegue informar à redação sobre um acontecimento praticamente no momento em que ele ocorre, exigindo ao mesmo tempo rapidez e verificação antes da publicação.

A trajetória do G37 mostra, dessa forma, uma sucessão de mudanças que acompanharam a própria história recente da imprensa brasileira. O projeto nasceu de uma experiência construída no ambiente do jornal impresso, atravessou a modernização gráfica, enfrentou a mudança de geração após a morte de seu fundador, tornou-se diário, desenvolveu uma presença digital paralela ao papel e, finalmente, transferiu toda a sua operação jornalística para a internet.

A história também mantém como ponto permanente a cidade de Divinópolis. Foi no município que Antônio Eustáquio desenvolveu grande parte de sua carreira, participou da fundação do Jornal Agora, criou a Gazeta do Oeste e formou a base do projeto posteriormente continuado por seus filhos. Foi também a partir de Divinópolis que o Portal G37 ampliou sua cobertura para o Centro-Oeste mineiro e passou a alcançar leitores de outras regiões.

Hoje, o Portal G37 reúne essa trajetória em uma plataforma digital que trabalha com um ritmo muito diferente daquele existente quando a Gazeta do Oeste começou a circular, em 1993. Notícias podem ser publicadas a qualquer momento, atualizadas ao longo do dia e distribuídas simultaneamente pelo site e por diferentes plataformas. A essência da transformação está justamente nessa passagem de um produto jornalístico condicionado ao papel para uma estrutura de informação permanentemente disponível.

Por isso, a história do Portal G37 não começa com a criação de uma página na internet. Ela começa com décadas de trabalho na comunicação, passa pela participação de Antônio Eustáquio no Jornal Agora, por sua atuação nas entidades da imprensa, pela criação da Gazeta do Oeste, pela sucessão familiar após 2004, pelo crescimento do jornal sob a direção da nova geração e pela decisão de acompanhar as transformações tecnológicas que mudaram profundamente o jornalismo.

Do Jornal Agora à Gazeta do Oeste, da Gazeta impressa ao jornal diário, do papel ao computador e do computador ao celular, cada etapa acrescentou um novo capítulo à mesma trajetória. O nome mudou, a tecnologia mudou, as formas de produzir e distribuir informação mudaram e o alcance se ampliou, mas o vínculo com Divinópolis e com o Centro-Oeste de Minas Gerais permaneceu como um dos elementos centrais do projeto.

O Portal G37 representa hoje a continuidade dessa história. É a etapa digital de uma trajetória que começou muito antes da internet e que atravessou gerações, veículos, redações, oficinas gráficas, emissoras de rádio e diferentes fases da imprensa regional. Da experiência de Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro à continuidade conduzida por seus filhos, da Gazeta do Oeste ao G37, a história do projeto permanece ligada à produção de notícias a partir de Divinópolis e ao acompanhamento dos acontecimentos que fazem parte da vida da cidade, da região e de Minas Gerais.

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