Atlético supera o drama no Uruguai, chega à final da Sul-Americana e mantém vivo o sonho do título inédito

Galo perde por 2 a 0 para o Montevideo City Torque, confirma a classificação no placar agregado de 3 a 2 e agora enfrentará o Boca Juniors, em Barranquilla, na decisão continental
O Atlético Mineiro está na final da Copa Sul-Americana. Mas não foi uma classificação qualquer. Foi uma noite de sofrimento, tensão e coração acelerado, daquelas que testam até o torcedor mais acostumado a viver emoções fortes. No Estádio Centenário, em Montevidéu, o Galo perdeu por 2 a 0 para o Montevideo City Torque, viu a vantagem construída na Arena MRV desaparecer pouco a pouco, mas resistiu até o último instante e garantiu a vaga na decisão pelo placar agregado de 3 a 2.
A vitória por 3 a 0 no jogo de ida parecia ter deixado o Atlético muito perto da final. Parecia. Porque, no Uruguai, o roteiro mudou completamente. O time precisou lutar contra a pressão, o nervosismo e o ambiente hostil para proteger uma classificação que, durante boa parte da partida, esteve ameaçada.

O primeiro golpe veio aos 43 minutos do segundo tempo. Kevin Silva marcou para o Montevideo City Torque e reacendeu a esperança dos donos da casa. O segundo gol, marcado por Kagelmacher já nos acréscimos, transformou os minutos finais em um verdadeiro teste de resistência para o Galo. Como se a tensão já não fosse suficiente, Alan Franco foi expulso e deixou a equipe mineira ainda mais vulnerável.
A partir dali, cada bola afastada parecia valer uma final. Cada dividida ganhava peso de decisão. A torcida uruguaia empurrava o time da casa, enquanto os jogadores atleticanos tentavam sobreviver em campo, suportando uma pressão que parecia não ter fim.
Mas o Atlético resistiu.
Mesmo sem apresentar seu melhor futebol, o Galo encontrou forças para segurar o resultado de que precisava. O apito final foi recebido como um grito de alívio. Jogadores se abraçaram, a comissão técnica respirou e a torcida pôde comemorar uma classificação conquistada com sofrimento, mas também com muita entrega.
Não foi bonito. Não foi tranquilo. Foi dramático. E talvez justamente por isso tenha sido tão especial.
Agora, o desafio será ainda maior. O Atlético enfrentará o Boca Juniors, da Argentina, na decisão marcada para o dia 21 de novembro, sábado, no Estádio Metropolitano Roberto Meléndez, em Barranquilla, na Colômbia. O clube argentino chega à final depois de eliminar o Vasco da Gama, com uma vitória por 3 a 1 no Maracanã.
Será uma decisão entre duas camisas pesadas, dois clubes acostumados a grandes noites e duas torcidas que conhecem profundamente o significado de uma final continental. De um lado, o Boca Juniors, dono de uma das maiores tradições do futebol sul-americano. Do outro, um Atlético movido pela força de sua torcida e pelo desejo de conquistar um título inédito.
O susto no Uruguai não apaga a campanha do Galo. Sob o comando de Eduardo Domínguez, a equipe cresceu ao longo do segundo semestre, ganhou organização e passou a competir com mais intensidade. Ainda há ajustes a fazer, especialmente depois da atuação irregular na partida de volta, mas o Atlético já mostrou que tem capacidade para enfrentar adversários de alto nível.
E mostrou também que sabe sofrer.
A caminhada até a final foi construída com vitórias importantes, noites difíceis e momentos em que a equipe precisou encontrar forças além do futebol. Contra o Montevideo City Torque, o Galo abriu uma vantagem enorme na Arena MRV e depois precisou defendê-la com tudo o que tinha no Centenário. Em uma competição equilibrada, sobreviver também é uma forma de vencer. E o Atlético sobreviveu.

Para a torcida, essa decisão carrega um peso ainda maior. O vice-campeonato da Copa Libertadores de 2024 e a derrota nos pênaltis para o Lanús na Sul-Americana de 2025 ainda fazem parte da memória alvinegra. São feridas que não desapareceram, mas que agora podem se transformar em combustível.
O Boca Juniors será um adversário duríssimo. Tem tradição, experiência e conhece como poucos a pressão de uma final continental. Para levantar a taça, o Atlético precisará jogar com inteligência, intensidade e equilíbrio emocional. Cada detalhe poderá decidir o destino do troféu: uma defesa no momento certo, uma bola parada, uma chance aproveitada ou a capacidade de manter a calma quando o jogo parecer escapar.
Até a decisão, Eduardo Domínguez terá a missão de recuperar fisicamente os jogadores, corrigir os erros e preparar a equipe para uma batalha de alto nível. O Galo precisará chegar a Barranquilla inteiro, concentrado e disposto a lutar por cada bola, como fez nos minutos finais no Uruguai.
Porque a classificação desta quarta-feira não foi apenas uma passagem para a final. Foi uma prova de resistência. O Atlético sofreu, perdeu a vantagem, ficou com um jogador a menos e viu o adversário acreditar até o último segundo. Ainda assim, não caiu.
Permaneceu de pé.
Agora, a história será escrita em Barranquilla. Diante do Boca Juniors, o Atlético terá a oportunidade de conquistar pela primeira vez a Copa Sul-Americana e oferecer à sua torcida uma alegria que há tanto tempo espera. O sonho está vivo. E, depois de tudo o que o Galo enfrentou no Uruguai, ninguém pode dizer que ele chegou até aqui por acaso.
Ronner Miranda
























