Minas Gerais

Homem que matou policial penal e fugiu de hospital usando farda da vítima vira réu em Minas Gerais

A Justiça de Minas Gerais aceitou a denúncia contra Shaylon Cristian Ferreira Moreira, acusado de matar o policial penal Euler Oliveira Pereira Rocha, de 42 anos, durante uma escolta no Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte. A decisão foi divulgada na quarta-feira (4 de novembro) e permite o andamento da ação penal por homicídio qualificado e falsa identidade. O crime aconteceu na madrugada de 3 de agosto de 2025, quando o acusado estava internado sob custódia no hospital. Após os disparos, ele teria vestido o uniforme da vítima, retirado armas e outros equipamentos da unidade e tentado fugir em um carro de aplicativo, mas acabou preso pela Polícia Militar (PM).

A denúncia, apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais em 27 de outubro de 2026, foi recebida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri – 1º Sumariante da Comarca de Belo Horizonte. A acusação atribui a Shaylon homicídio cometido com recurso que dificultou a defesa da vítima e contra um profissional do sistema prisional durante o exercício de suas funções. Ele também responde por falsa identidade, em razão de ter se apresentado como policial penal durante a tentativa de fuga.

O crime ocorreu no Hospital Luxemburgo, localizado na Região Centro-Sul da capital mineira. Shaylon havia sido internado para tratamento médico em 27 de julho de 2025 e permanecia sob vigilância de policiais penais. Antes da internação, ele estava custodiado na Penitenciária Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Conforme a acusação, durante a madrugada de 3 de agosto, Shaylon aproveitou a proximidade de Euler Oliveira Pereira Rocha para iniciar uma luta corporal dentro do quarto onde estava internado. Durante o confronto, ele teria conseguido retirar a arma de fogo do policial penal e efetuado disparos contra o agente. Euler sofreu ferimentos provocados pelos tiros e recebeu atendimento da equipe médica do hospital, mas não resistiu.

Depois dos disparos, o acusado teria retirado o uniforme e outros equipamentos utilizados pelo policial penal. Entre os materiais mencionados na denúncia estavam um colete balístico e uma bolsa contendo armas de fogo, carregadores e munições. A investigação aponta que Shaylon vestiu a farda do servidor e deixou o hospital utilizando a aparência de um integrante da Polícia Penal.

A estratégia também teria sido utilizada fora da unidade hospitalar. De acordo com a denúncia, Shaylon se apresentou como policial penal e conseguiu convencer uma pessoa a solicitar uma corrida por aplicativo. O objetivo seria deixar a região do hospital sem ser identificado como o homem que estava sob custódia e havia fugido após o homicídio.

A tentativa de fuga terminou durante uma abordagem realizada pela Polícia Militar. O veículo em que Shaylon estava foi interceptado por policiais, que efetuaram sua prisão em flagrante. Na ocasião, a Polícia Civil confirmou a prisão pelo crime de homicídio qualificado e realizou os procedimentos de investigação relacionados à morte do servidor.

O policial penal Euler Oliveira Pereira Rocha tinha 42 anos e integrava o sistema prisional mineiro desde 2009. Após sua morte, o corpo foi encaminhado para os procedimentos médico-legais. O velório e o sepultamento aconteceram em 4 de agosto de 2025, em Justinópolis, distrito de Ribeirão das Neves. A despedida contou com a participação de colegas da Polícia Penal.

O caso também levou à abertura de procedimentos para apurar as condições da escolta hospitalar. Na época, foram levantados questionamentos sobre a presença de outro policial penal que deveria participar da vigilância do homem internado. A situação motivou discussões sobre os protocolos de segurança utilizados no acompanhamento de pessoas privadas de liberdade durante tratamentos médicos.

Em setembro de 2025, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizou uma audiência pública para discutir as condições de trabalho e a segurança dos policiais penais. A morte de Euler esteve entre os motivos para o debate, que abordou procedimentos de escolta, composição das equipes e condições oferecidas aos profissionais durante o serviço. Também foram apresentados pedidos de informações sobre os protocolos adotados durante a internação do acusado.

Com a decisão divulgada nesta quarta-feira, Shaylon passa a responder formalmente à acusação apresentada pelo Ministério Público. O recebimento da denúncia significa que a Justiça considerou presentes os requisitos para o prosseguimento da ação penal, mas não representa uma condenação. O acusado terá direito à defesa e à apresentação de provas durante o processo.

A próxima etapa inclui a resposta à acusação e os procedimentos de instrução, com análise das provas e depoimentos relacionados ao caso. Após essa fase, a Justiça poderá decidir sobre o encaminhamento do acusado ao Tribunal do Júri, responsável pelo julgamento de crimes dolosos contra a vida. Ainda não há informação sobre uma data para eventual julgamento.

A ação penal tramita sob o número 5177683-53.2025.8.13.0024. Shaylon Cristian Ferreira Moreira responde por homicídio qualificado e falsa identidade, enquanto a Justiça prossegue com a análise dos fatos relacionados à morte do policial penal Euler Oliveira Pereira Rocha, ocorrida durante uma escolta hospitalar em Belo Horizonte.

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Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.

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