Minas Gerais

Ore e trabalhe

Ômar Souki

“Para São Bento, um critério essencial para uma espiritualidade salutar é ver se a pessoa se deixa desafiar no seu trabalho ou se ela faz bem o seu trabalho. […] Uma espiritualidade madura se expressa em produtividade também no trabalho. Quem se abre para Deus, também está aberto para as obrigações cotidianas”, afirma Anselm Grün (Ser uma pessoa inteira, p. 100-101). No dia 11 de julho de 2025 visitei o Instituto São Bento nas proximidades de Divinópolis, Minas Gerais. Obra idealizada e realizada por três pessoas admiráveis: Eliete, Simone e Leila. Nasceu com o propósito de promover a contemplação e a espiritualidade beneditina em nosso meio.

Bento nasceu no ano de 480 e aos 20 anos retirou-se para uma gruta no monte Subíaco, na Itália, onde viveu três anos. Depois de breve passagem pelo convento de Vicovaro, retornou para o silêncio do monte Subíaco onde amadureceu a ideia de fundar mosteiros focados no ideal de oração e trabalho. Aos 40 anos saiu da gruta para fundar o mosteiro de monte Cassino, onde estruturou as diretrizes da vida monástica que regem o convívio dos monges até hoje.

A sua Regra é um livro que possui 73 capítulos curtos que, além de regularem a vida comunitária, enfatizam a prática do silêncio, da oração, do trabalho, do recolhimento, da obediência e da fraternidade. Essa Regra é o sustentáculo de uma obra que perdura inabalável por mais de 1500 anos, tornando-se referência para os mosteiros e para os leigos que procuram cultivar a santidade no seu dia a dia. Universidades famosas surgiram como desdobramento de colégios beneditinos: Paris, Cambridge, Bolonha, Ovedo, Salamanca e Salzburgo.

Os beneditinos tiveram um impacto incalculável na civilização ocidental, tornando-se celeiro de santos. Do seu meio brotaram 23 papas, cinco mil bispos e três mil santos canonizados. Em 2003, tive o privilégio de participar de retiros espirituais com Thomas Keating e William Meninger, monges do mosteiro de Snowmass do Colorado, nos Estados Unidos. Aprendi a arte da contemplação silenciosa que pratico até hoje com resultados extraordinários para a minha vida pessoal e profissional.

A louvável iniciativa da Eliete, da Simone e da Leila tem mobilizado o apoio de inúmeros devotos desta terra que tem divino até no nome. Fiquei encantado com a acolhida que minha esposa, Rejane, e eu recebemos naquela data, quando foi celebrada uma missa em comemoração aos 1578 anos da morte de Bento que, ao falecer, com 67 anos, deixou um legado inigualável para a humanidade.

O Instituto São Bento está situado há cerca de 20 minutos da cidade em uma fazenda onde reina a oração, o trabalho e o silêncio, tão necessário nos dias de hoje. Ali encontramos um oásis de serenidade onde foi aberto um espaço para a Divina Presença se manifestar no coração daqueles que buscam uma maior intimidade com Deus. Agradeço de coração às ilustres fundadoras que, inspiradas por Bento, e iluminadas pelo Espírito Santo, criaram o Paraíso na Terra do Divino.   

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