Polícia

Mulher é presa por pagar R$ 1,5 mil para sequestrar e matar ex-companheiro no Sul de Minas Gerais

Uma mulher de 56 anos foi presa suspeita de pagar R$ 1,5 mil para que quatro homens sequestrassem e matassem o ex-companheiro, de 47 anos, em Heliodora, no Sul de Minas Gerais. O caso foi descoberto durante a madrugada de sábado (12), após uma denúncia sobre um veículo abandonado levar a Polícia Militar a uma sequência de abordagens que terminou com o resgate do homem e da atual companheira dele, de 48 anos. Ao todo, cinco pessoas foram presas.

A ocorrência começou por volta de 1h40, quando a Polícia Militar recebeu uma denúncia sobre um Chevrolet Vectra abandonado no bairro Cachoeirinha, na zona rural de Heliodora. A informação também indicava que um Volkswagen Gol branco estaria passando repetidamente pelo mesmo trecho. Os militares foram ao local e encontraram o Vectra trancado, com documentação regular e sem qualquer registro de furto ou roubo.

Durante o retorno para a cidade, os policiais encontraram o Gol citado na denúncia e fizeram a abordagem. No veículo estavam um homem, duas mulheres e o motorista. O automóvel apresentava irregularidades e o condutor não possuía habilitação. O grupo disse aos policiais que seguia para o local onde estava o Vectra porque o veículo pertencia a um deles e teria apresentado problema mecânico. Como naquele momento não havia elementos suficientes que ligassem os ocupantes a outro crime, o Gol foi removido e eles foram liberados.

Pouco depois, uma nova denúncia informou que três homens estavam perto do Vectra e tentavam abrir o carro. Os policiais retornaram à zona rural e localizaram os suspeitos caminhando pela estrada. Durante a abordagem, um deles inicialmente afirmou que havia sido vítima de roubo, mas outros dois acabaram revelando informações que levaram a PM à descoberta de um possível plano de sequestro e assassinato.

O homem de 47 anos foi localizado e relatou que havia sido rendido, amarrado e colocado no porta-malas do Vectra. A atual companheira dele, de 48 anos, também foi dominada e colocada no banco traseiro. Segundo as informações levantadas pela polícia, os suspeitos não esperavam que a mulher estivesse com o homem, já que o alvo inicial do grupo seria apenas ele.

As vítimas teriam sido mantidas sob ameaças enquanto os envolvidos aguardavam o avanço do plano. O Vectra, porém, apresentou problemas mecânicos durante a ação, o que teria obrigado parte do grupo a utilizar o Volkswagen Gol. Dois suspeitos permaneceram em um cafezal com o homem amarrado, enquanto outros seguiram para a cidade.

A situação começou a se desfazer depois que o Gol foi abordado pela Polícia Militar e removido por irregularidades de trânsito. Os homens que estavam no cafezal deixaram a área e seguiram com a vítima para a cidade, onde procurariam os demais envolvidos.

Com as informações obtidas durante as diligências, a PM chegou a uma residência no bairro Vista Verde. No imóvel foram encontrados dois homens, a mulher de 56 anos apontada como possível mandante e o homem que havia sido sequestrado. A partir daí, os militares concluíram as prisões dos cinco suspeitos envolvidos na ocorrência.

O homem relatou que permaneceu sob ameaças de morte e foi intimidado com uma arma de fogo. Também afirmou que os suspeitos tiveram acesso ao telefone celular dele mediante ameaça. A Polícia Militar passou a investigar se movimentações bancárias foram realizadas sem autorização enquanto ele estava em poder do grupo.

Uma transferência de R$ 654 teria sido feita da conta da vítima para a ex-companheira de 56 anos. Os policiais também apreenderam dinheiro e aparelhos celulares durante as diligências. Segundo as informações da ocorrência, foram encontrados R$ 200 pertencentes ao homem sequestrado e outros R$ 607 na residência da mulher apontada como possível mandante.

Dois celulares encontrados com os suspeitos foram reconhecidos pelas vítimas. A Polícia Militar também recolheu cordas, facas, facões e uma arma de fogo dissimulada no formato de caneta-revólver, além de cartuchos calibre .22. Parte desse material teria sido utilizada para ameaçar ou manter as vítimas imobilizadas.

A mulher de 48 anos relatou ainda que foi ameaçada para permanecer em silêncio durante uma das primeiras abordagens policiais. Segundo ela, os envolvidos afirmaram que uma pessoa estaria mantendo o filho dela sob controle em Careaçu, numa tentativa de impedir que pedisse ajuda aos militares.

A principal linha de investigação apontada inicialmente pela polícia envolve o antigo relacionamento entre a mulher de 56 anos e o homem sequestrado. Ele seria ex-companheiro dela e havia iniciado um novo relacionamento com a mulher de 48 anos que também foi rendida.

Conforme os relatos obtidos durante a ocorrência, a mulher teria oferecido R$ 1,5 mil para que o ex-companheiro fosse morto. Os suspeitos teriam informado ainda que pretendiam dividir eventual dinheiro encontrado com a vítima depois do crime. A polícia também apura relatos de que a mulher teria feito cobranças por mensagens e ligações para que o plano fosse concluído.

As informações levantadas apontam ainda para uma possível tentativa anterior de emboscada contra o homem, que teria ocorrido dias antes na região de Careaçu, às margens da BR-381. Essa primeira ação não teria sido concluída e também deverá ser analisada durante a investigação.

Os quatro homens presos têm 19, 20, 20 e 21 anos. A mulher apontada como possível mandante tem 56 anos. As vítimas e os suspeitos passaram por atendimento médico e, posteriormente, os cinco presos foram apresentados à delegacia de plantão em Pouso Alegre.

Os veículos utilizados na ocorrência também foram apreendidos e removidos. A investigação deverá esclarecer a participação de cada suspeito, as movimentações financeiras feitas durante o sequestro, a possível contratação dos quatro homens e se o objetivo final do grupo era realmente matar a vítima.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que deverá analisar depoimentos, aparelhos celulares, movimentações bancárias, objetos apreendidos e demais elementos reunidos pela Polícia Militar para esclarecer toda a dinâmica e eventual responsabilidade criminal de cada envolvido.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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