Greve dos Correios chega ao fim após decisão do TST e funcionários retomam atividades nesta sexta-feira em todo o país

A greve nacional dos trabalhadores dos Correios chegou ao fim após cerca de duas semanas de paralisação, e os funcionários começaram a retornar às atividades nesta sexta-feira (25/9) em todo o país. O encerramento do movimento ocorre depois do julgamento do dissídio coletivo da categoria pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que definiu pontos relacionados ao reajuste salarial, aos dias de greve e às condições para retomada dos serviços.
A paralisação havia começado em 10 de setembro e atingiu unidades dos Correios em diferentes estados. Durante o período, serviços de atendimento, distribuição e entrega de correspondências e encomendas tiveram impactos em algumas localidades. Com o retorno dos empregados, a estatal passa agora a concentrar esforços na regularização do fluxo de objetos acumulados durante os dias de greve.
No julgamento realizado nesta quinta-feira (24/9), o TST considerou que a greve não foi abusiva. A decisão afastou o pedido para que o movimento fosse classificado como irregular e estabeleceu as condições que passam a valer para trabalhadores e empresa após o encerramento da mobilização.
Entre os principais pontos definidos está o reajuste salarial de 4,09%, correspondente à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O aumento terá efeitos retroativos à data-base da categoria, em 1º de agosto de 2026, e também alcança parcelas de natureza salarial e determinados benefícios vinculados aos trabalhadores.
O percentual também deverá ser aplicado a benefícios como vale-refeição ou alimentação, vale-transporte, reembolso-creche, reembolso-babá e auxílios relacionados a empregados e dependentes com deficiência, conforme as condições estabelecidas para o acordo coletivo da categoria.
Outro ponto discutido no julgamento foi o tratamento dos dias em que os trabalhadores permaneceram parados. Em vez do desconto automático do período nos salários, foi autorizada a compensação das horas não trabalhadas, possibilitando que empregados e empresa organizem formas de reposição do serviço.
Entre as alternativas para compensação estão mutirões de trabalho voltados principalmente para reduzir o volume de correspondências e encomendas acumuladas durante a paralisação. A organização dessas atividades deverá ocorrer de acordo com as necessidades operacionais de cada unidade e com as condições estabelecidas após o julgamento.
Com o retorno nesta sexta-feira, a prioridade será normalizar gradualmente as operações. A retomada não significa necessariamente que todas as entregas atrasadas serão concluídas imediatamente, já que o volume represado durante os dias de paralisação pode exigir alguns dias para ser processado e distribuído.
Encomendas que permaneceram em centros de distribuição, unidades operacionais e outras estruturas dos Correios deverão voltar ao fluxo normal conforme as equipes retomarem integralmente as atividades. O tempo necessário para regularização poderá variar entre cidades e regiões dependendo da quantidade de objetos acumulados.
O atendimento presencial nas agências também tende a ser restabelecido com o retorno dos funcionários. Consumidores que possuem encomendas em trânsito poderão acompanhar as movimentações pelos canais de rastreamento à medida que os objetos voltarem a ser processados dentro da rede logística.
A paralisação teve como pano de fundo a campanha salarial dos trabalhadores e divergências envolvendo reajustes, benefícios e condições previstas no acordo coletivo. O plano de saúde dos funcionários também esteve entre os temas debatidos durante as negociações que antecederam o julgamento do dissídio.
Durante o período de greve, empresa e representantes dos trabalhadores mantiveram negociações sem chegar a um entendimento capaz de encerrar a paralisação antes do julgamento. Com a intervenção do TST e a definição das condições para a categoria, assembleias realizadas após a decisão começaram a aprovar o retorno ao trabalho.
A retomada ocorre em um momento em que os Correios precisarão administrar simultaneamente o fluxo normal de novas postagens e a distribuição das encomendas acumuladas desde o início da greve. A compensação dos dias parados poderá ser utilizada justamente para ampliar a capacidade de atendimento durante esse período de normalização.
Clientes que aguardam correspondências ou encomendas devem continuar acompanhando o rastreamento para verificar novas movimentações. Objetos que ficaram temporariamente parados poderão apresentar atualizações gradativas conforme forem encaminhados para os centros de distribuição e unidades responsáveis pela entrega final.
O retorno dos trabalhadores nesta sexta-feira encerra a paralisação iniciada em 10 de setembro, mas o processo de normalização das entregas poderá continuar nos próximos dias. A velocidade da regularização dependerá do volume acumulado em cada região e da organização dos mutirões e demais ações de compensação adotadas pela empresa.
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