Polícia

Mulher é abordada com crânio humano em sacola e caso termina na delegacia na Grande BH

Uma mulher de 21 anos foi abordada com um crânio humano dentro de uma sacola plástica depois de deixar um cemitério em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A ocorrência foi registrada na noite de sexta-feira (11) e terminou com a condução de quatro pessoas para os procedimentos policiais. Entre os envolvidos estava um coveiro de 32 anos, apontado como responsável por retirar e entregar o resto mortal. Após serem ouvidos, o funcionário e a jovem pagaram fiança e foram liberados.

O caso começou quando o sistema de videomonitoramento identificou uma movimentação considerada suspeita nas proximidades do Cemitério Bom Jesus, localizado no bairro Alvorada. As imagens mostraram três mulheres deixando a área do cemitério carregando sacolas. A Guarda Civil Municipal de Contagem foi acionada e iniciou buscas para localizar o grupo.

As três mulheres, de 40, 21 e 16 anos, foram encontradas pouco depois em um supermercado situado nas proximidades. Durante a abordagem, os agentes verificaram o conteúdo das sacolas e encontraram um crânio humano sendo transportado pela jovem de 21 anos. A descoberta levou os guardas a questionarem o grupo sobre a origem do material e sobre como ele havia saído do cemitério.

Segundo as informações registradas durante a ocorrência, uma das mulheres contou que o crânio havia sido entregue por um funcionário do Cemitério Bom Jesus. A partir do relato, a Guarda Municipal retornou ao cemitério para localizar o trabalhador citado pelas envolvidas. O homem, de 32 anos, foi encontrado e passou a ser questionado pelos agentes.

De acordo com a versão apresentada pela Guarda Municipal e divulgada após a ocorrência, o coveiro admitiu ter retirado o crânio e entregado o material às mulheres. Em uma das versões registradas inicialmente, ele também teria alegado que não sabia que a retirada e o repasse poderiam configurar uma conduta irregular. As circunstâncias exatas e a responsabilidade de cada envolvido seguem sob investigação.

Os relatos colhidos durante a ocorrência indicam ainda que o crânio teria sido solicitado ou oferecido para utilização em um trabalho de natureza espiritual ou religiosa. Essa informação faz parte da versão apresentada pelos envolvidos e ainda deverá ser confrontada com outros elementos da investigação conduzida pela Polícia Civil.

Outro ponto relatado à Guarda Municipal foi que o funcionário teria demonstrado interesse afetivo por uma das mulheres e, posteriormente, oferecido um crânio. Uma das versões divulgadas indica que a mulher teria recebido autorização para escolher entre os restos mortais disponíveis e teria selecionado uma peça. Essas declarações não representam uma conclusão da investigação e deverão ser verificadas pela Polícia Civil.

As publicações sobre o caso apresentam versões diferentes sobre o ponto exato de onde o crânio foi retirado. Há relatos de que o funcionário teria retirado diretamente o material e feito a entrega ao grupo, enquanto outras informações indicam acesso a uma área destinada a restos provenientes de exumações. A origem específica da peça e as condições em que ela deixou o cemitério ainda são pontos que deverão ser esclarecidos.

Depois da localização do coveiro, ele e as três mulheres foram conduzidos para os procedimentos relacionados à ocorrência. Como uma das integrantes do grupo tinha 16 anos, a situação dela seguiu os procedimentos aplicáveis a adolescentes. As informações posteriores divulgadas pelas autoridades se concentraram principalmente no funcionário de 32 anos e na jovem de 21 anos que estava com o crânio.

A Polícia Civil informou que os dois foram ouvidos por meio da Central Estadual do Plantão Digital. Após os procedimentos de polícia judiciária, a autoridade policial estabeleceu fiança para o coveiro e para a mulher de 21 anos. Os valores não foram divulgados. Depois do pagamento, ambos foram colocados em liberdade.

A situação da mulher de 40 anos e da adolescente de 16 anos não foi detalhada da mesma forma nas atualizações posteriores. Elas faziam parte do grupo localizado pela Guarda Municipal e foram conduzidas durante a ocorrência, mas não havia, na última atualização, informação pública detalhando eventual responsabilização delas nos mesmos termos aplicados ao coveiro e à jovem.

O crânio foi apreendido e colocado à disposição das autoridades para os procedimentos necessários. A investigação deverá buscar informações que permitam esclarecer a origem do resto mortal, de qual área ele foi retirado e se ainda existe possibilidade de identificar a pessoa à qual pertencia.

O Cemitério Bom Jesus integra a rede de cemitérios municipais de Contagem. Pelas regras do município, restos mortais podem ser exumados após o período previsto para permanência na sepultura, seguindo procedimentos administrativos próprios. Quando não há interesse da família na retirada, os restos podem ser encaminhados ao ossário municipal.

A legislação e os procedimentos municipais também estabelecem controle sobre exumações, translados, sepultamentos e movimentação de restos mortais. As atividades devem ser realizadas dentro dos procedimentos determinados pelo serviço funerário e pelas autoridades responsáveis, com registro e documentação específicos.

Por esse motivo, a investigação deverá apurar não apenas quem retirou e transportou o crânio, mas também se houve descumprimento dos procedimentos de guarda e controle existentes no cemitério. A Polícia Civil poderá analisar documentos, registros internos, imagens e depoimentos para determinar como o material ficou disponível para ser entregue às mulheres.

Outro ponto a ser esclarecido é a destinação pretendida para o crânio. A informação de que seria usado em um ritual ou trabalho espiritual aparece nos relatos apresentados durante a ocorrência, mas ainda não representa uma conclusão policial. Também não foi divulgado se havia uma solicitação anterior feita ao funcionário ou se a entrega ocorreu de forma espontânea.

A investigação deverá esclarecer ainda se o crânio foi retirado de uma sepultura, de um ossário ou de outra área do cemitério. Essa definição é relevante para estabelecer a dinâmica completa do caso e avaliar juridicamente as condutas atribuídas às pessoas envolvidas.

Embora algumas publicações tenham classificado o episódio como furto de crânio, a Polícia Civil informou que os procedimentos investigativos continuam para a completa apuração dos fatos. A definição jurídica final dependerá das circunstâncias confirmadas e da análise feita pelas autoridades responsáveis.

Até a última atualização, o coveiro de 32 anos e a mulher de 21 anos estavam em liberdade após o pagamento das fianças. O material humano permaneceu apreendido para os procedimentos periciais, enquanto a Polícia Civil continuava a investigação para determinar a participação individual dos envolvidos e esclarecer como o crânio foi retirado do Cemitério Bom Jesus.


Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
Botão Voltar ao topo

Bloqueador de Anúncio Detectado

Nosso conteúdo é gratuito e o faturamento do nosso portal é proveniente de anúncios. Desabilite o seu bloqueador de anúncios para ter acesso ao conteúdo do Portal G37.