Divinópolis

Tiba Camargos, missionário de Divinópolis que ficou tetraplégico ao salvar o filho, enfrenta nova cirurgia e busca acesso à polilaminina

O missionário e influenciador católico Thiago José Camargos, conhecido como Tiba Camargos, natural de Divinópolis, vive uma nova etapa na recuperação depois do acidente que mudou sua vida em fevereiro de 2025. Tetraplégico após sofrer uma grave lesão na coluna cervical enquanto tentava socorrer o filho Matias em um rio no interior do Rio Grande do Sul, Tiba agora se prepara para uma nova cirurgia e, ao lado da família, intensificou a mobilização para tentar acesso à polilaminina, substância experimental estudada para o tratamento de lesões da medula espinhal.

A história começou em 9 de fevereiro de 2025, durante uma passagem da família pelo município de Alegria, no Rio Grande do Sul. Matias entrou em uma parte mais profunda do rio e teve dificuldades para sair da água. Tiba entrou imediatamente para ajudá-lo e, durante o socorro, bateu violentamente a cabeça contra uma rocha no leito do rio. O filho conseguiu sair em segurança, mas o missionário sofreu um grave traumatismo e uma lesão na região cervical da coluna, dando início a uma sequência de internações, cirurgias e tratamentos que mudaria completamente a rotina da família.

Após o resgate, Tiba foi levado para atendimento médico e posteriormente transferido para uma unidade hospitalar de maior complexidade. Os exames identificaram uma fratura com luxação envolvendo as vértebras cervicais C4 e C5, além de grave comprometimento da medula espinhal. A lesão provocou perda dos movimentos dos braços e das pernas e exigiu intervenções para descompressão da medula e estabilização da coluna, além de cuidados respiratórios e acompanhamento intensivo.

A repercussão do acidente ganhou dimensão nacional, mas em Divinópolis a história assumiu um significado ainda mais próximo. Foi na cidade do Centro-Oeste de Minas Gerais que Tiba nasceu, cresceu e viveu os primeiros anos que antecederam sua trajetória missionária. Familiares, amigos, antigos conhecidos e integrantes da comunidade católica passaram a acompanhar de perto as informações sobre sua recuperação, promovendo correntes de oração e mobilizações em apoio à família.

Tiba nasceu e cresceu no bairro Esplanada, em Divinópolis, onde viveu a infância e parte da adolescência e construiu os primeiros vínculos familiares, religiosos e comunitários que marcariam sua trajetória. Foi na cidade que começou a formação que mais tarde o levaria à vida missionária. Ainda jovem, deixou Divinópolis para seguir para a Canção Nova, no estado de São Paulo, onde passou a aprofundar sua atuação religiosa e iniciou uma nova etapa de sua vida. Mesmo com a projeção nacional conquistada ao longo dos anos como missionário, palestrante, escritor e comunicador católico, Tiba manteve forte ligação com Divinópolis, cidade onde permanecem familiares, amigos e pessoas que acompanham sua caminhada desde antes de seu trabalho missionário ganhar alcance em todo o país.

A passagem pela Canção Nova representou um dos momentos decisivos da formação religiosa de Tiba. A experiência abriu caminho para uma atuação cada vez mais voltada à evangelização, à formação de famílias e à comunicação. Com o passar dos anos, ele começou a participar de encontros, palestras e projetos religiosos, ampliando gradualmente sua presença entre o público católico.

Ao lado da esposa, Andréa Camargos, conhecida como Déa, Tiba consolidou uma trajetória voltada à evangelização de casais e famílias. Os dois passaram a compartilhar experiências do casamento, da criação dos filhos e da espiritualidade cristã, aproximando-se de milhares de pessoas por meio de palestras, encontros presenciais, redes sociais e produções audiovisuais.

Depois do acidente, essa rede construída ao longo dos anos se transformou em uma ampla corrente de solidariedade. Amigos, seguidores, religiosos e pessoas que sequer conheciam pessoalmente a família passaram a acompanhar diariamente as atualizações sobre o estado de saúde do missionário. Campanhas de oração foram organizadas em diferentes cidades, enquanto uma arrecadação financeira foi criada para ajudar nas despesas decorrentes do tratamento.

Os custos passaram a envolver internações, procedimentos médicos, equipamentos, profissionais de saúde, fisioterapia, acompanhamento respiratório e adaptações necessárias para a nova condição física de Tiba. A mobilização ganhou alcance nacional e permitiu que a família estruturasse uma rotina de cuidados multidisciplinares para acompanhar a recuperação depois da fase mais crítica.

Ao longo dos meses seguintes, Tiba passou a dividir com os seguidores momentos da reabilitação. Exercícios de fisioterapia, cuidados respiratórios, pequenas respostas motoras e adaptações à nova rotina passaram a fazer parte das publicações. A família também utilizou as redes sociais para agradecer pelas orações e atualizar o público sobre os desafios encontrados durante o tratamento.

Mais de um ano após o acidente, uma nova situação médica abriu outra etapa desse processo. Exames identificaram dois cistos na região da antiga lesão medular, levando à indicação de uma nova intervenção cirúrgica. Diante da necessidade de voltar a operar justamente a área atingida no acidente, Tiba e a família passaram a defender que a possibilidade de aplicação da polilaminina fosse analisada pelas autoridades responsáveis.

A polilaminina é uma substância experimental desenvolvida a partir de pesquisas conduzidas pela professora e pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A tecnologia vem sendo estudada como uma possível alternativa para favorecer a regeneração de fibras nervosas após lesões da medula espinhal, mas ainda se encontra em fase de pesquisa e não possui liberação para utilização ampla como tratamento convencional.

O interesse da família de Tiba pelo tratamento aumentou à medida que as pesquisas avançaram. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou um estudo clínico inicial da polilaminina em seres humanos, mas o protocolo estabelecido possui critérios específicos. Entre eles estão a localização da lesão na região torácica e a realização da aplicação dentro de uma janela muito curta depois do trauma.

O caso de Tiba está fora desses critérios. A lesão dele ocorreu na região cervical, entre as vértebras C4 e C5, e o acidente aconteceu em fevereiro de 2025. Dessa forma, além de a localização da lesão não corresponder à prevista para os primeiros participantes da pesquisa, o quadro já se encontra em uma fase crônica, distante da janela estabelecida no protocolo experimental.

Diante dessa situação, a família passou a buscar outras possibilidades legais para que o caso fosse analisado individualmente. Pedidos relacionados ao uso excepcional da substância chegaram ao Judiciário, mas as solicitações não obtiveram autorização. Entre os pontos considerados está justamente a necessidade de preservar a segurança do paciente diante de um tratamento que ainda está em avaliação científica e cuja utilização em lesões cervicais crônicas não integra o protocolo atual.

A descoberta dos cistos e a indicação da nova cirurgia aumentaram a mobilização. A família entende que, como será necessária uma nova intervenção na região lesionada, o momento deveria ser analisado pelas autoridades médicas e regulatórias como uma possível oportunidade para aplicação experimental da substância. A decisão, entretanto, não depende apenas da vontade do paciente ou da família e envolve critérios médicos, científicos, legais e regulatórios.

No fim de agosto de 2026, Tiba publicou um vídeo pedindo apoio para que seu caso chegasse às autoridades responsáveis. A mobilização ganhou grande repercussão nas redes sociais e ampliou o debate sobre o acesso à polilaminina e sobre os limites existentes para pacientes que não se enquadram nos protocolos atuais de pesquisa.

A discussão também chegou ao meio político. Parlamentares e outras lideranças passaram a se manifestar sobre o caso e a buscar informações sobre a possibilidade de análise excepcional. As iniciativas, porém, não representam autorização para o tratamento e qualquer eventual utilização continua dependendo dos procedimentos técnicos e regulatórios exigidos.

Em Divinópolis, uma dessas movimentações ocorreu no início de setembro. Tiba e familiares conversaram com o ex-ministro da Educação Walfrido dos Mares Guia, que estava na cidade para compromissos políticos. Acionado por pessoas próximas ao missionário, Walfrido conversou com Tiba por videoconferência a partir do aeroporto local e assumiu o compromisso de buscar interlocução junto ao Ministério da Saúde sobre o caso.

A movimentação representou mais uma tentativa da família de levar a situação às autoridades federais e compreender quais caminhos poderiam ser avaliados dentro das regras existentes. A busca ocorre paralelamente à continuidade do tratamento convencional e à preparação para a nova cirurgia indicada pela equipe médica.

Enquanto aguarda os próximos passos, Tiba mantém uma rotina de acompanhamento multidisciplinar, com fisioterapia neurofuncional, cuidados respiratórios e demais procedimentos necessários à condição provocada pela lesão medular. A reabilitação tornou-se parte permanente do cotidiano da família e exige acompanhamento contínuo.

Outro capítulo importante da trajetória ocorreu com a chegada da sexta filha do casal. Durante o parto, a família optou pela coleta e preservação de células-tronco do cordão umbilical diante da possibilidade de que, no futuro, avanços científicos possam criar novas alternativas terapêuticas. A preservação do material não significa, entretanto, que atualmente exista tratamento aprovado capaz de reverter a lesão de Tiba por meio dessas células.

A história também chegou ao audiovisual. A plataforma católica Lumine produziu o documentário “O Dia da Cruz”, dedicado à trajetória de Tiba e da família após o acidente. A produção acompanha momentos da internação, as mudanças impostas pela tetraplegia, a adaptação da casa, a rotina dos filhos, os tratamentos e o papel da fé durante o processo de recuperação.

O documentário ampliou ainda mais a projeção da história iniciada naquele acidente no interior do Rio Grande do Sul. Para quem acompanhava Tiba antes do trauma, especialmente em Divinópolis e dentro das comunidades católicas, a produção também recupera aspectos da trajetória construída anteriormente e mostra como a família passou a reorganizar a vida diante de uma condição inesperada.

Mesmo com as limitações físicas, Tiba manteve a comunicação com seguidores e continuou compartilhando reflexões relacionadas à fé. “A cruz não é o fim, é o lugar onde a graça se manifesta. Seguimos firmes na esperança e muito gratos por cada oração que sustenta a nossa casa”, declarou em uma das mensagens publicadas durante a rotina de reabilitação.

A nova cirurgia representa agora mais uma etapa de uma trajetória que, desde fevereiro de 2025, reúne tratamento médico, reabilitação, mobilização social e busca por alternativas científicas. A possibilidade de acesso à polilaminina continua sem definição e depende de decisões técnicas e regulatórias, enquanto o tratamento do missionário segue pelos procedimentos disponíveis atualmente.

Para Divinópolis, a história mantém uma ligação que antecede a projeção nacional do missionário. Antes das redes sociais, das palestras e das grandes mobilizações, Tiba era o jovem criado no bairro Esplanada que deixou a cidade para seguir uma trajetória religiosa. Hoje, enquanto sua recuperação mobiliza pessoas em diferentes regiões do país, parte importante dessa história continua ligada às raízes construídas em Divinópolis.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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