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Polícia Federal faz operação contra venda e compartilhamento de material de abuso sexual de crianças e adolescentes e apreende celulares de pedófilos

A Polícia Federal (PF) realizou, na manhã desta terça-feira (20 de outubro), uma operação em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, contra suspeitas de comercialização e compartilhamento de material de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes na internet. A ação teve como alvo um homem de 42 anos, investigado por possível participação em atividades criminosas realizadas por meio de aplicativos de mensagens. Durante o cumprimento de um mandado judicial de busca e apreensão, os policiais federais recolheram aparelhos celulares que serão submetidos à perícia. A investigação teve início em 2023, após uma denúncia sobre a existência de um grupo virtual utilizado para distribuir e vender conteúdos de abuso sexual infantojuvenil.

O trabalho investigativo começou depois que uma organização não governamental (ONG) encaminhou uma notícia-crime ao Ministério Público Federal (MPF). As informações recebidas indicavam que um grupo criado em um aplicativo de mensagens estaria sendo utilizado para a circulação de arquivos contendo registros de violência sexual contra crianças e adolescentes. Além do compartilhamento desses conteúdos entre participantes, a denúncia apontava a possível comercialização do material, situação que motivou a abertura de procedimentos destinados a identificar os envolvidos e esclarecer a atuação do grupo no ambiente digital.

Durante as diligências, os investigadores reuniram elementos que apontavam para a possível participação do homem de 42 anos nas atividades investigadas. As apurações também identificaram indícios de que o suspeito utilizava mecanismos tecnológicos destinados a dificultar sua identificação na internet. Entre os procedimentos mencionados nas informações sobre o caso estão mecanismos de validação de contas em aplicativos de mensagens, que teriam sido utilizados para dificultar o rastreamento de sua identidade e das atividades realizadas no ambiente virtual.

Com o avanço da investigação, foi expedida uma ordem judicial de busca e apreensão, cumprida pelos agentes federais nesta terça-feira, em Montes Claros. A operação teve como objetivo recolher equipamentos e informações que possam contribuir para esclarecer as suspeitas de compartilhamento e comercialização dos arquivos. Durante as buscas, os policiais apreenderam aparelhos celulares relacionados ao investigado. Os dispositivos passarão por exames periciais para verificar a existência de elementos que possam auxiliar na identificação das condutas investigadas.

A perícia dos aparelhos constitui uma etapa do procedimento investigativo. A análise técnica poderá permitir a identificação de registros digitais relacionados ao caso, além de fornecer informações para a continuidade das diligências. Os resultados serão utilizados para avaliar a participação do suspeito e verificar possíveis conexões com outras pessoas envolvidas na circulação dos materiais. A identificação de eventuais participantes adicionais dependerá dos elementos encontrados e da continuidade das investigações.

A investigação envolve suspeitas de crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), legislação que estabelece punições para condutas relacionadas à produção, comercialização, distribuição, transmissão e armazenamento de registros de abuso sexual envolvendo menores de idade. O artigo 241 do ECA prevê pena de reclusão de quatro a oito anos e multa para quem vende ou expõe à venda esse tipo de material. Já o artigo 241-A estabelece pena de três a seis anos de reclusão e multa para práticas como oferecer, transmitir, distribuir ou divulgar arquivos com esse conteúdo, inclusive por meios digitais.

A legislação também prevê responsabilização pelo armazenamento e pela aquisição de materiais de abuso sexual infantojuvenil. As condutas são tratadas em dispositivos específicos do ECA, e a aplicação das penalidades depende da comprovação dos fatos e da responsabilização individual dos envolvidos. No caso investigado em Montes Claros, a apuração ainda está em andamento, e os materiais apreendidos serão examinados para esclarecer as circunstâncias relacionadas às suspeitas.

O uso de aplicativos de mensagens para a circulação desse tipo de conteúdo representa uma das situações investigadas pelas autoridades no combate aos crimes sexuais praticados no ambiente digital. As investigações podem envolver a identificação de contas, a análise de equipamentos eletrônicos e a verificação de informações relacionadas ao compartilhamento de arquivos. Esses procedimentos permitem reunir elementos sobre possíveis atividades criminosas e subsidiar as medidas judiciais cabíveis.

A operação desta terça-feira representa um desdobramento das apurações iniciadas há três anos. Desde o recebimento da denúncia, em 2023, as diligências buscaram esclarecer a existência do grupo virtual e identificar pessoas que poderiam estar envolvidas na comercialização e distribuição dos conteúdos. O cumprimento da ordem judicial em Montes Claros permitiu a apreensão dos aparelhos celulares, que poderão fornecer informações relacionadas às suspeitas investigadas.

Até a divulgação das informações sobre a operação, a PF havia confirmado o cumprimento de um mandado de busca e apreensão e o recolhimento de celulares. Não havia confirmação de prisão durante a ação. Também não foram divulgados a quantidade de arquivos eventualmente identificados, o número de participantes do grupo investigado ou informações sobre possíveis vítimas relacionadas ao caso.

Além da investigação, a Polícia Federal orienta pais e responsáveis a acompanhar a utilização da internet por crianças e adolescentes. A recomendação inclui atenção aos aplicativos de mensagens, às redes sociais e aos contatos estabelecidos no ambiente digital. A orientação também envolve conversar com crianças e adolescentes sobre segurança na internet, exposição de informações pessoais e situações que possam representar riscos.

Os responsáveis devem incentivar crianças e adolescentes a relatar abordagens suspeitas, ameaças ou solicitações inadequadas recebidas em aplicativos e plataformas digitais. O acompanhamento das atividades on-line e a comunicação de possíveis crimes às autoridades são medidas que podem contribuir para a prevenção de situações de violência e para a identificação de vítimas.

A investigação conduzida pela PF em Montes Claros terá continuidade após a análise pericial dos equipamentos apreendidos nesta terça-feira, 20 de outubro. Os resultados dos exames poderão contribuir para esclarecer a possível participação do homem investigado nas atividades relacionadas ao grupo virtual e identificar outros elementos associados ao compartilhamento e à comercialização de material de abuso sexual de crianças e adolescentes.

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Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.

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