De quem terei medo?

Ômar Souki
O pequeno Davi enfrentou o gigante Golias com uma funda. Atirou a pedra e o derrubou. Tornou-se o rei de Israel e escreveu o precioso Salmo 27: “De quem terei medo?”. Assim começa o seu clamor: “O Senhor é minha luz e salvação: de quem terei medo? O Senhor é a força da minha vida; a quem temerei?” (4, 1). De fato, quando colocamos as nossas esperanças no Altíssimo, no Criador do Céu e da Terra, não há motivo para temores.
O que enfraquece o ser humano é o medo, e o seu oposto é justamente o amor a Deus: “Ame o Senhor, o seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todo o seu entendimento e com todas as suas forças” (Marcos 12, 29-30). O oposto do medo é, portanto, o amor—primeiro a Deus e depois, ao próximo, como a si mesmo.
E, quais são os nossos inimigos? Eles estão identificados na parábola do semeador (Marcos 4, 4-7); na qual Jesus compara a sua Palavra às sementes que (01) “caem à beira do caminho” e são comidas pelos passarinhos (o demônio: os maus pensamentos, o pessimismo, a falta de fé); (02) “caem em terreno pedregoso”, brotam mas não têm raízes, “quando chega uma tribulação ou perseguição, logo desistem” (a carne: as tentações, os questionamentos, as dúvidas); (03) “caem no meio de espinhos” e são sufocadas (o mundo: as críticas, a ilusão de riquezas, de fama, de poder) (Marcos 4, 14-19).
A força da Palavra, somente se manifesta—quando os inimigos (o demônio, a carne e o mundo) são vencidos—e as sementes caem em terreno bom. As pessoas as recebem e dão frutos: “um dá trinta, outro sessenta e outro cem por um” (Marcos 4, 20). Esses frutos são explicados em Mateus 6, 2-17: caridade, oração e jejum. “Quando der esmola, que a sua esquerda não saiba o que a sua direita faz”. “Reze ao seu Pai em segredo”. “Quando você jejuar, perfume a cabeça e lave o rosto”.
Davi, protegido pela sua prodigiosa fé no Todo Poderoso, consegue vencer Golias, porque dominou a influência do demônio, da carne e do mundo. Afirma: “Ainda que um exército me cercasse, o meu coração não temeria; ainda que a guerra se levantasse contra mim, nisso confiaria. […] Pereceria sem dúvida, se não cresse que veria a bondade do Senhor na terra dos viventes. Espere no Senhor, anime-se, e ele fortalecerá o seu coração; espere, pois, no Senhor” (Salmo 27, 3, 13-14).
O medo é o nosso maior inimigo. Uma vez vencido pela prática da caridade, da oração e do jejum, poderemos partir—com fé—para derrotar os outros (o demônio, a carne e o mundo). Tudo, portanto, vai depender de nossa fé em Deus, que “fortalecerá o nosso coração”.









