Demora nas obras do Viaduto do bairro Esplanada prolonga transtornos e revolta motoristas em Divinópolis

A demora na conclusão das obras do Viaduto Francisco Machado Gontijo, conhecido como Viaduto do Esplanada, continua provocando transtornos para motoristas que utilizam diariamente uma das principais ligações entre a região do bairro Esplanada e o Centro de Divinópolis. Iniciados em dezembro de 2025, os trabalhos atravessaram praticamente todo o ano de 2026 com interdições, mudanças no trânsito e sucessivos bloqueios, sem que a população tenha uma data definitiva para o encerramento dos serviços.
A recuperação estrutural é necessária para garantir a segurança do viaduto, mas a duração da intervenção passou a ser o principal motivo de cobrança. Depois de meses convivendo com pistas fechadas, desvios e alterações constantes na circulação, motoristas querem saber quando a estrutura será definitivamente liberada e a rotina do trânsito voltará ao normal.

O problema ganha ainda mais peso quando se observa que a necessidade de intervenção no viaduto não surgiu recentemente. Vistorias realizadas ainda em 2021 já apontavam problemas na estrutura, incluindo danos em elementos de concreto e na junta de dilatação.
Em 2022, a Prefeitura já discutia a contratação de empresa especializada para realização de perícia, elaboração de estudos e preparação dos projetos necessários à recuperação do viaduto. Ou seja, os problemas eram conhecidos pelo poder público havia anos antes do começo efetivo das obras.
Apesar desse histórico, a execução física da recuperação somente começou no fim de 2025. Entre os primeiros levantamentos e o início dos trabalhos, passaram-se anos de estudos, procedimentos administrativos e licitações.
Em maio de 2025, a Prefeitura abriu uma licitação para recuperação do Viaduto do Esplanada, do Viaduto Campo do Meio e da Ponte Dr. Fábio Notini. O procedimento, entretanto, acabou sendo revogado e um novo processo precisou ser realizado.

A nova contratação resultou no Contrato nº 174/2025, assinado em setembro daquele ano com a Construtet Engenharia Ltda. O valor destinado ao conjunto das intervenções nas três estruturas foi de aproximadamente R$ 2,26 milhões.
O contrato divulgado oficialmente previa prazo de oito meses. Esse prazo, diante da continuidade das intervenções em setembro de 2026, tornou-se um dos principais pontos que precisam ser esclarecidos pela administração municipal.
É necessário explicar à população se houve prorrogação contratual, suspensão de prazo, alteração de projeto ou qualquer outro fato técnico ou administrativo que tenha ampliado o período inicialmente previsto para execução das obras.
A Prefeitura informou que os serviços começaram em dezembro de 2025 e que o primeiro local atendido seria justamente o Viaduto do Esplanada. Foram executadas etapas como tratamento de armaduras, proteção anticorrosiva, reforço de pilares, aplicação de concreto e impermeabilização.

O avanço dos serviços, entretanto, veio acompanhado de impactos cada vez maiores sobre o trânsito. Em fevereiro de 2026, motoristas já enfrentavam interdições durante o período noturno para execução de trabalhos na estrutura.
A situação se agravou a partir de maio, quando o viaduto passou a funcionar com interdição parcial. O sentido bairro–Centro foi afetado e motoristas tiveram de procurar caminhos alternativos.
O que inicialmente poderia ser compreendido como uma alteração temporária começou a se transformar em um problema prolongado. Maio terminou, junho chegou, depois julho, agosto e setembro, e as restrições continuaram fazendo parte da rotina de quem circula pela região.
O impacto não fica limitado aos poucos metros onde a obra está sendo executada. Quando uma ligação importante perde capacidade de circulação, o fluxo de veículos migra para outras ruas e avenidas, aumentando o movimento em trajetos alternativos.

Para quem utiliza diariamente o Viaduto do Esplanada, cada nova alteração significa reorganizar horários e caminhos. O motorista que sai para trabalhar, estudar ou acessar serviços no Centro precisa acompanhar constantemente as mudanças anunciadas.
Em junho, a própria Prefeitura informou que a fiscalização municipal identificou necessidade de melhorias nas condições de segurança da obra. A empresa responsável foi advertida e notificada sobre questões relacionadas à sinalização e ao uso de equipamentos de proteção.
O episódio reforçou a necessidade de fiscalização rigorosa sobre o contrato, não apenas em relação à segurança dos trabalhadores e motoristas, mas também sobre a execução das etapas previstas e o cumprimento dos prazos.
Ainda naquele mês, a administração anunciou que a obra entraria em uma nova fase, com preparação das armaduras destinadas às barreiras rígidas laterais do viaduto.
Parte das peças foi produzida fora do local e posteriormente levada para instalação e concretagem. Durante determinados períodos, o trânsito chegou a ser novamente liberado nos dois sentidos.

A liberação, porém, durou pouco. Em julho, motoristas passaram a conviver com uma sequência de aberturas durante os fins de semana e novas interdições a partir das segundas-feiras.
O resultado foi um verdadeiro calendário de abre e fecha. Em determinados dias, o motorista conseguia utilizar normalmente o viaduto. Pouco depois, novas restrições eram implantadas para continuidade dos trabalhos.
Essa falta de previsibilidade passou a gerar ainda mais reclamações. A população conseguia saber quando ocorreria a próxima interdição, mas continuava sem uma resposta para a principal pergunta: quando as obras terminariam definitivamente?
Agosto chegou e os bloqueios permaneceram. Em diferentes dias, a estrutura precisou ser completamente fechada para realização de serviços de concretagem das novas barreiras laterais.
A cada nova etapa, o trânsito era novamente desviado. Motoristas precisavam procurar rotas alternativas e enfrentar maior circulação em ruas próximas.
No fim de agosto, novas interdições totais foram anunciadas. Depois dos bloqueios, a estrutura voltou a operar em meia pista em determinados períodos.
Setembro começou sem que a população pudesse considerar a obra encerrada. No dia 10, o viaduto voltou a ser completamente fechado para outra etapa de concretagem das barreiras rígidas laterais.
O bloqueio ocorreu aproximadamente nove meses depois do início dos serviços informado pela própria Prefeitura. O tempo transcorrido aumentou ainda mais a cobrança por explicações sobre o cronograma.
A questão não é defender que uma obra estrutural seja executada às pressas. Um viaduto precisa receber serviços adequados de engenharia, respeitando as condições técnicas e os períodos necessários para garantir segurança.
Mas segurança não elimina a necessidade de planejamento. Se uma obra inicialmente prevista dentro de determinado prazo precisa durar mais, o poder público deve explicar de maneira detalhada os motivos.
Se surgiram novos problemas estruturais, a população precisa saber quais foram. Se o projeto precisou ser alterado, é necessário informar o que mudou.
Caso tenha ocorrido atraso no fornecimento de materiais, mudança no método de execução ou qualquer outra dificuldade, essas informações precisam ser apresentadas de forma transparente.
Depois de tantos meses, não basta divulgar apenas um novo comunicado informando que o trânsito será bloqueado outra vez.
O motorista precisa saber quanto da obra já foi executado, quais etapas ainda faltam e qual é a previsão real de conclusão.
Também é necessário esclarecer a situação do contrato. O prazo originalmente divulgado era de oito meses, enquanto os trabalhos continuavam sendo executados meses depois.
Isso não significa, por si só, que exista irregularidade. Contratos de obras públicas podem sofrer alterações justificadas, prorrogações e adequações. Mas essas mudanças precisam ser explicadas à população.
A Prefeitura deve informar qual é atualmente o prazo oficial da obra, se houve termo aditivo e quais justificativas técnicas sustentaram eventual ampliação do cronograma.
Outro ponto importante é que o contrato não envolve somente o Viaduto do Esplanada. O pacote de aproximadamente R$ 2,26 milhões também contempla o Viaduto Campo do Meio e a Ponte Dr. Fábio Notini.
Se uma das estruturas consome meses de trabalho e continua recebendo intervenções, é necessário explicar como está o andamento das demais obras previstas no mesmo contrato.
A própria situação da Ponte Dr. Fábio Notini chegou a provocar questionamentos na Câmara Municipal, com pedido de informações sobre o andamento das intervenções.
O caso reforça que a administração precisa apresentar um balanço global do contrato: quanto já foi executado, quanto já foi pago, quais serviços estão concluídos e o que ainda falta realizar.
No caso específico do Esplanada, a insatisfação está diretamente ligada ao tempo. A obra deixou de representar um transtorno temporário e passou a fazer parte da rotina de milhares de deslocamentos.
Primeiro vieram as intervenções iniciais. Depois, bloqueios noturnos. Em seguida, interdição parcial. Posteriormente, liberações temporárias, novas restrições, funcionamento em meia pista e fechamentos totais.
O motorista passou meses convivendo com uma obra necessária, mas que parece não chegar ao fim.
A Prefeitura tem divulgado avisos sobre cada nova intervenção, o que é importante para orientar quem precisa passar pela região. Porém, comunicar um bloqueio não substitui a obrigação de apresentar uma previsão concreta de encerramento.
Pedir compreensão aos motoristas também não pode se tornar uma resposta permanente para uma obra que atravessa vários meses.
A população já demonstrou compreensão ao mudar trajetos, enfrentar desvios e conviver com as restrições necessárias para a recuperação da estrutura.
Agora, cabe ao Município oferecer em troca uma informação objetiva: quando tudo isso termina?
A atual administração municipal precisa apresentar o cronograma atualizado, explicar as razões da demora e informar quais medidas estão sendo tomadas para acelerar aquilo que pode ser acelerado sem comprometer a segurança da obra.
Também deve fiscalizar rigorosamente a empresa responsável, principalmente quanto ao cumprimento do contrato e à qualidade dos serviços realizados.
Caso o atraso seja responsabilidade da contratada, a Prefeitura precisa informar quais medidas administrativas estão sendo adotadas.
Caso o prolongamento resulte de mudanças determinadas pelo próprio Município ou de dificuldades técnicas descobertas durante os trabalhos, isso também precisa ser esclarecido.
O que não pode permanecer é a ausência de uma resposta definitiva enquanto os meses continuam passando e novas interdições são anunciadas.
O Viaduto do Esplanada é uma ligação importante para a mobilidade de Divinópolis. Quanto maior o período de restrições, maior o impacto sobre o restante do sistema viário.
A demora também desgasta a confiança da população no planejamento das obras públicas. Quando o prazo se prolonga e não existe uma data clara de entrega, cresce naturalmente a cobrança sobre gestores, fiscais e empresa responsável.
A necessidade da obra jamais pode ser utilizada como argumento para impedir questionamentos sobre sua duração. Recuperar a estrutura é obrigação do poder público. Planejar e fiscalizar adequadamente também são.
Depois de problemas conhecidos desde 2021, estudos realizados nos anos seguintes, licitações em 2025 e trabalhos iniciados em dezembro, Divinópolis chegou a setembro de 2026 ainda convivendo com restrições no Viaduto do Esplanada.
São meses de cones, desvios, interdições, mudanças de rota e comunicados sobre novos bloqueios.
Enquanto a recuperação não termina, motoristas continuam pagando no dia a dia o preço da demora, seja com trajetos maiores, seja com congestionamentos ou com a incerteza sobre como estará o trânsito no dia seguinte.
A Prefeitura precisa agora apresentar mais do que uma nova previsão de interdição. Precisa informar o percentual concluído, o que ainda falta fazer e quando o serviço será definitivamente entregue.
A pergunta feita pelos motoristas depois de tantos meses é simples e precisa de uma resposta igualmente objetiva: até quando a população de Divinópolis continuará enfrentando transtornos provocados pelas obras do Viaduto do Esplanada?








