Polícia

Motorista de ônibus envolvido em acidente que matou seis romeiros é preso; polícia apura pneus desgastados, tacógrafo e autorização vencida

O motorista do ônibus que caiu em uma ribanceira e deixou seis pessoas mortas na serra entre Cruzeiro, no interior de São Paulo, e Passa Quatro, no Sul de Minas, foi preso após o acidente registrado na manhã deste domingo, 20 de setembro. O veículo transportava um grupo de romeiros que havia saído de Rosário do Rio Grande, distrito de Itumirim, com destino ao Santuário Nacional de Aparecida. Além das seis mortes, dezenas de passageiros ficaram feridos e foram encaminhados para unidades de saúde da região.

O motorista foi identificado como Lammounier Domingos Botelho Naves. Depois de receber atendimento médico, ele foi preso em flagrante por homicídio culposo na direção de veículo automotor, modalidade em que não há intenção de matar. A ocorrência também envolve a apuração das lesões sofridas pelos passageiros sobreviventes e das condições em que o transporte interestadual era realizado.

O acidente aconteceu por volta das 5h30, na Rodovia Doutor Avelino Júnior, a SP-52, em um trecho de serra próximo à divisa com Minas Gerais. O ônibus saiu da pista e despencou cerca de 15 metros por uma ribanceira, parando depois de atingir a vegetação. A ocorrência mobilizou bombeiros, equipes do Samu, Polícia Militar, Polícia Rodoviária, profissionais de hospitais da região e aeronaves utilizadas no atendimento às vítimas.

Cinco pessoas morreram ainda no local do acidente. Uma sexta vítima chegou a ser retirada com vida e encaminhada para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos. Entre os mortos estão moradores do Sul de Minas que participavam da romaria com destino a Aparecida.

Acidente de trânsito em uma estrada curva com equipes de resgate e pessoas reunidas, rodeadas por vegetação e montanhas ao fundo.

As seis vítimas foram identificadas como Sebastião Petronilo, de 74 anos; Jairo Antônio de Paula, de 47 anos; Augusto Antônio de Lima; Alice Fátima Alves da Silva, de 14 anos; Evandro Carlos Garcia; e Ilza Nazaré Pereira Paulo, apontada como uma das responsáveis pela organização da viagem. Parte dos corpos foi levada para Rosário do Rio Grande, onde familiares e moradores da comunidade organizaram as despedidas.

O município de Itumirim decretou luto oficial de três dias em razão da tragédia. Cinco vítimas começaram a ser veladas na Igreja do Rosário, no distrito de onde saiu a excursão. O acidente provocou mobilização de moradores de diferentes cidades do Sul de Minas, já que o grupo era formado por pessoas da região que viajavam para cumprir uma programação religiosa.

A investigação passou a analisar também a situação administrativa do ônibus. As informações levantadas após o acidente indicaram que a autorização necessária para a realização do transporte interestadual de passageiros não estava válida no momento da viagem. O veículo, de placa BXF-8324, aparecia registrado em nome da Meteoro Transportes Coletivas Ltda., enquanto a excursão era realizada sob organização vinculada à Botelho Viagens.

A situação documental passou a integrar a apuração policial, juntamente com as condições mecânicas do ônibus. Entre os pontos levantados estão o estado dos pneus e possíveis irregularidades no cronotacógrafo, equipamento responsável por registrar informações relacionadas à velocidade, distância percorrida e tempo de condução do veículo.

As condições desses equipamentos deverão ser analisadas tecnicamente antes de qualquer conclusão sobre eventual participação deles na causa do acidente. O fato de haver pendências administrativas ou irregularidades identificadas no veículo não permite, isoladamente, determinar o que provocou a saída da pista.

Ônibus acidentado na encosta, parcialmente danificado, rodeado por vegetação alta.

O motorista apresentou uma versão sobre os momentos que antecederam o acidente. Segundo o relato prestado durante a apuração, ele teria encontrado dificuldade para reduzir a marcha durante a descida da serra e afirmou que os freios não responderam adequadamente. A possível falha no sistema de frenagem ainda depende de confirmação por meio de perícia.

A defesa do motorista sustenta que o ônibus estava em condições de circulação e que não havia excesso de velocidade registrado nos pontos de fiscalização anteriores ao acidente. Essas informações também serão confrontadas com os dados técnicos, registros do veículo, depoimentos dos sobreviventes e demais elementos reunidos durante a investigação.

O condutor foi submetido ao teste do etilômetro após o acidente. O resultado foi negativo para presença de álcool. A Polícia Civil deverá analisar o conjunto de informações antes de estabelecer as circunstâncias que levaram o ônibus a sair da rodovia e cair na ribanceira.

O número de pessoas hospitalizadas também foi atualizado após os atendimentos realizados durante o domingo e a segunda-feira. Vinte e três pessoas já haviam recebido alta, enquanto 19 continuavam internadas. Entre os pacientes que permaneciam em unidades de saúde, uma pessoa estava em Unidade de Terapia Intensiva. Parte dos feridos continuava na Santa Casa de Cruzeiro e outros na Santa Casa de Lorena.

A operação de socorro mobilizou equipes durante várias horas devido à quantidade de passageiros e à dificuldade de acesso ao local onde o ônibus parou. O trecho de serra exigiu trabalho conjunto para retirada das vítimas, estabilização dos feridos e transferência para hospitais de Cruzeiro, Lorena e Guaratinguetá.

A investigação também deverá verificar a regularidade da empresa responsável pela viagem, as condições de manutenção do ônibus, o histórico de inspeções, a situação do transporte interestadual e os registros produzidos pelo tacógrafo. Os exames periciais serão utilizados para tentar estabelecer a velocidade, a trajetória e o comportamento do veículo antes da saída da pista.

O motorista deverá passar pelos procedimentos judiciais relacionados à prisão em flagrante. Caberá à Justiça decidir sobre a manutenção da prisão durante o andamento da investigação ou eventual concessão de liberdade mediante as condições previstas em lei.

O acidente permanece sob investigação. A definição das responsabilidades dependerá dos laudos técnicos, depoimentos, documentos relativos ao ônibus e demais elementos reunidos pelas autoridades. Até a conclusão desses procedimentos, a versão sobre falha nos freios permanece como relato apresentado pelo motorista e não como causa oficialmente determinada.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
Botão Voltar ao topo

Bloqueador de Anúncio Detectado

Nosso conteúdo é gratuito e o faturamento do nosso portal é proveniente de anúncios. Desabilite o seu bloqueador de anúncios para ter acesso ao conteúdo do Portal G37.