As quatro dimensões da existência
Ômar Souki
Ao ser perguntado sobre qual era o maior mandamento, Jesus respondeu que era amar o Senhor, nosso Deus, de todo coração, de toda alma, de todo entendimento e de todas as forças (Marcos 12, 30). Estão aí definidas as quatro dimensões da existência: emocional, espiritual, mental e física. Acredito que a ordem definida por Jesus não é aleatória. Ele colocou em primeiro lugar a dimensão emocional. Em nossa experiência diária o que mais nos afeta são justamente as emoções, isto é, nossas respostas aos estímulos que recebemos das pessoas e do ambiente que nos rodeia. Ao andarmos distraídos pela vida, nos tornarmos vítimas desses estímulos. Por isso, é importante cultivarmos um estado de atenção plena a cada momento. Isso também foi aconselhado em outra passagem do Evangelho: “Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26, 41).
Enquanto estamos na carne, isto é, participando desta experiência na Terra, é importante “vigiar e orar” para não cometermos o pecado de agir segundo os estímulos externos. De fato, conquistamos a liberdade de escolha quando conseguimos separar os estímulos de nossas respostas. Por isso é preciso cultivar uma vida de entrega espiritual, isto é, de oração, de meditação, de caridade e de jejum. Assim, nos fortalecemos e não nos deixamos controlar pelas coisas que nos acontecem e nem pelo que os outros pensam, falam ou fazem com relação a nós. Existe, portanto, uma relação sinérgica entre nossas emoções e nossa espiritualidade. Ao lermos a vida dos santos observamos uma notável resiliência face aos impactos externos. Encaram os ataques, a adversidade e as doenças com incrível serenidade. Isso só acontece porque fortaleceram o espírito por meio de rigorosa disciplina religiosa.
Nossas emoções e a nossa espiritualidade, por sua vez, exercem forte influência sobre o nosso estado mental, e este sobre a nossa saúde física. A doença que atinge o corpo muitas vezes tem origem no desequilíbrio da mente, que sem espiritualidade, se deixa facilmente contaminar pelas emoções negativas: medo, raiva, culpa, inveja, remorso, mágoa, tristeza, ansiedade etc. Para reverter esse processo é de suma importância que estejamos “vigiando e orando”, atentos à dança de nossas emoções.
Podemos optar pelo cultivo de emoções positivas: amor, alegria, felicidade, prazer, paixão, entusiasmo, esperança, gratidão, motivação, aceitação etc. “As emoções positivas ajudam a aumentar a atenção, a memória, a consciência e a retenção de informação e permitem que possamos manter vários conceitos em simultâneo, definindo também como eles se relacionam uns com os outros. Perante isso, cabe destacar que as emoções positivas são mobilizadoras, ou seja, quando as experienciamos temos mais vontade de fazer coisas e apresentamos um desempenho melhor” (br.psicologia-online.com).
São, portanto, as emoções positivas que nos motivam a uma maior entrega espiritual que nos predispõe ao cultivo de pensamentos positivos que, por sua vez, contribuem para a nossa saúde física. E, um corpo saudável pensa melhor e reza melhor, enfim, consegue ser mais feliz!









