Política

Ipsemg Saúde recebe reajuste, mas usuários cobram melhora em Minas Gerais

O Ipsemg Saúde passou a cobrar mais dos servidores em abril de 2025, após a entrada em vigor do reajuste previsto na Lei 25.143, de 2025, e a mudança deve render R$ 954 milhões até o fim deste ano; na Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta terça-feira (15/9/26), usuários e representantes do instituto divergiram sobre os efeitos da medida e sobre a qualidade do atendimento.

Lei elevou piso, teto e novas cobranças

A Lei 25.143, de 2025, atualizou os valores mínimo e máximo descontados dos contracheques. O piso de contribuição saiu de R$ 34,55 para R$ 60, e o teto foi de R$ 287,86 para R$ 500. A alíquota dos servidores continuou em 3,2%, mas o texto criou uma cobrança adicional de 1% para usuários com mais de 59 anos de idade e também instituiu cobrança para cônjuges e dependentes.

O governo disse que as mudanças serviriam para reduzir o déficit do Ipsemg Saúde. Beatriz Cerqueira (PT), que pediu a audiência pública, contestou essa leitura e afirmou que os relatos recebidos indicam que os serviços seguem precários.

Servidores falam em fila, falta de rede e salário baixo

A crítica à qualidade do atendimento dominou a audiência. Gestores do Sindicato dos Servidores do Ipsemg defenderam que a reestruturação do instituto precisa passar pela revisão das carreiras do quadro de pessoal. Pedro Oliveira, presidente do sindicato, disse que salários “pífios” não retêm os servidores no serviço, causando alta rotatividade. Há 25 anos no Ipsemg e com curso superior completo, ele relatou receber R$ 2.043 de salário-base.

Marina Costa, vice-presidente do sindicato, cobrou um plano de carreira e valorização dos servidores e afirmou que a remuneração no instituto é ainda pior que a da rede da Fundação Hospitalar do Estado (Fhemig), já defasada.

Os usuários levaram à comissão as mesmas queixas: dificuldade para agendar consultas e exames, dependência da rede credenciada, falta de profissionais e convênios no interior e ausência de material essencial para procedimentos médicos. Cristiana Oliveira, presidente da Associação dos Docentes da Universidade do Estado (UEMG), tenta agendar um ultrassom desde agosto. Segundo ela, uma das causas seria uma estratégia de terceirização do serviço, com crescimento da rede credenciada muito superior ao da rede própria.

Elaine Cristina Ribeiro, dirigente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) em Uberlândia (Triângulo Mineiro), relatou angústia na fila para marcar exames sem sucesso e classificou a situação como “inadmissível e vexatória”. Ela também reclamou do encerramento de convênios com clínicas e dois hospitais locais.

Núbia Roberta Dias, diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde), disse que os usuários não podem ficar na busca constante por atendimento. Ela contou que a clínica que fez sua cirurgia de catarata já estava descredenciada no retorno agendado após o procedimento. Outras clínicas ainda conveniadas informaram que suas cotas — o quantitativo mensal de procedimentos definido pelo instituto — estavam esgotadas.

Ipsemg diz ter investido na rede própria

André Luiz dos Anjos, presidente do Ipsemg, afirmou que os R$ 954 milhões arrecadados a mais com o reajuste foram usados em investimentos na rede própria, no Hospital Governador Israel Pinheiro. Segundo ele, isso ampliou leitos, exames e eficiência hospitalar.

Ele citou a nomeação de aprovados em concurso público — hoje são 376 novos servidores em exercício —, o aumento de profissionais credenciados de 767, em 2024, para 1.047, em 2026, e a abertura de 177 leitos. A principal obra foi a reabertura da ala B do hospital, fechada desde 2014, ao custo de R$ 24 milhões. Outros R$ 21 milhões foram gastos na compra de mobiliário, equipamentos e utensílios.

De acordo com o gestor, o hospital reduziu o tempo por internação e a espera por atendimento na urgência. Ele também apontou aumento no número de cirurgias e altas hospitalares, retomada de exames ambulatoriais, ampliação dos recursos e expansão do atendimento da rede. Do total vindo do aumento das contribuições, disse André Luiz dos Anjos, 65% foram aplicados na rede contratada, 25% em gastos com pessoal, 7% na rede própria e 3% na gestão do Ipsemg.

Beatriz Cerqueira disse que as informações serão sistematizadas e encaminhadas ao Tribunal de Contas. As informações são da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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