Os pensamentos

Ômar Souki
Imagine que você esteja parado em um engarrafamento de trânsito e alguém começa a buzinar. Nota que no seu entorno, outras pessoas seguem aquele pensamento e buzinam também. Ao desconforto de ficar parado no trânsito, se adiciona o barulho das buzinas. Seu primeiro pensamento talvez seja buzinar, mas você se contém, pois sabe que isso não vai adiantar. Em vez de seguir aquela tendência, você se controla. Respira fundo e relaxa. Acalma o seu coração, pega o celular, verifica algumas mensagens recebidas e as responde. Você muda o foco mental. Para de pensar no fato de estar preso no trânsito. Com isso o tempo passa ligeiro e logo percebe que os veículos começam a se movimentar e a situação é resolvida.
Os pensamentos surgem de situações que vivemos, do ambiente que nos envolve e das pessoas com as quais nos relacionamos. Somos o tempo todo estimulados por fatores externos, que podem ou não afetar as nossas respostas. O nosso lado animal sucumbe facilmente aos estímulos e produz respostas iguais e contrárias, é o famoso: “bateu, levou!”. Mas, o nosso lado humano é dotado de quatro capacidades fundamentais: a consciência, a dissociação, a vontade e a imaginação. Essas forças nos habilitam a separar os estímulos das respostas.
Temos consciência do que é bom para nós, para os outros e para a natureza como um todo. Essa capacidade se baseia em nosso sistema de valores, que cultivamos através de relacionamentos, de leituras e do aprofundamento de nossa espiritualidade. No caso do engarrafamento a sua consciência não deixou que você sucumbisse à tendência geral de buzinar. A dissociação é a habilidade de nos auto-observarmos. Você está ali parado no trânsito, mas pode mentalmente ocupar a posição de alguém que esteja assentado no banco do passageiro. O que você vê? Um motorista irritado—sentando a mão na buzina—ou alguém que assume o controle de seus pensamentos?
A vontade é a força que nos permite remar contra a maré. Se muitos estão fazendo algo que não é correto, a nossa vontade é a energia necessária para criar nossos próprios pensamentos e agir na direção oposta. Enquanto a nossa consciência nos mostra o certo e o errado, a nossa vontade nos movimenta na direção correta. Já a nossa imaginação nos auxilia na criação de cenários alternativos. Você está preso em um engarrafamento, mas isso não lhe impede de imaginar soluções criativas para questões do seu trabalho ou da sua família. Enfim, usando a sua consciência, a sua capacidade de dissociação (ou autopercepção), a sua vontade e a sua imaginação você—em vez de reagir aos estímulos externos—pode criar os seus próprios pensamentos.
A isso chamamos de liberdade de resposta, pois frente aos desafios da existência, não precisamos simplesmente reagir, mas podemos encontrar soluções criativas. Temos a alternativa de escolher os nossos pensamentos e escrever o roteiro de nossas vidas. Tudo começa com os pensamentos, que influenciam nossos sentimentos, que, por sua vez, motivam as nossas ações. Não apenas no caso de um engarrafamento de trânsito, mas em todas as situações, temos a opção de escolher qual será a melhor resposta.





















