O bem mais precioso

Ômar Souki
O mundo está em constante turbulência. Sou tentado a acompanhar as notícias nas redes sociais e deixar-me embalar pelas ondas desse mar revolto. Guerras, terremotos, epidemias, acidentes de toda sorte, ataques a escolas, desatinos de governantes, corrupção generalizada etc. Ao colocar o barco de minha consciência para navegar nesse contexto caótico, corro o risco de naufragar. Pois, além de não encontrar sentido nos movimentos externos, contamino o meu ser interior. Depois de passar um fim de semana encharcado nesse lamaçal até o pescoço, descido que é hora de esconder o celular por algum tempo, respirar fundo, e retomar a vida—o bem mais precioso que Deus colocou em minhas mãos.
Antes de escrever, entro no silêncio, peço ao Espírito Santo que me ilumine e começo a caminhar com leveza. O cultivo da paz interior—não importa o tamanho da confusão à nossa volta—nos ajuda a manter o equilíbrio e o foco nas coisas mais importantes: planejamento de ações, investimento em relacionamentos, espiritualidade e exercício físico. Assim como a minha sala precisa de ordem, também a minha vida clama por disciplina, um horário para cada ação e uma ação para cada momento. Olhando para trás vejo que foi a disciplina que proporcionou o meu crescimento tanto pessoal, quanto profissional. O cultivo de amizades alimentou a minha alegria, enquanto o tempo dedicado às orações e às celebrações eucarísticas fortaleceu o meu espírito. E, para o corpo e a mente, nada melhor do que o exercício físico.
O poeta Marcial Salaverry disse que “por paradoxal que possa parecer, muita gente desiste de viver, ainda em vida”. E, o médico Norman Cousins observou que “a morte não é a maior perda da vida; a maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos”. Será porque algo morre dentro de nós? “Muitas vezes quando perdemos algo ou alguém, quando nossas expectativas são frustradas, quando sentimos que fracassamos em nosso propósito, passamos a acreditar que a vida terminou, e optamos por continuar apenas sobrevivendo. Nossa postura muda e decai, nossa pele empalidece, nosso coração enrijece, e passamos a ver a nós mesmos como vegetais ou zumbis ambulantes que aguardam ansiosamente pelo encerramento do contrato de experiências na Terra” (Fernanda Luongo, somostodosum.com.br).
O desânimo com relação à vida pode também ocorrer quando nos envolvemos demais com os acontecimentos externos e nos descuidamos de nós mesmos. E, por experiência própria, aprendi que durante as lutas e as decepções desta passagem, quanto maior for a nossa entrega à espiritualidade, isto é, à intimidade com o Criador, maior será a nossa força para prosseguir. Não adianta buscar consolo no mundo. Isso somente aprofundará a nossa descrença. A força vem do Alto, de onde ela sempre esteve. Pois foi de lá que recebemos a vida, nosso bem mais precioso!





















