Minas Gerais

No CTI, quem cuida do paciente?

Até a pandemia do COVID-19, a sociedade cometia um grave equívoco de desvalorizar as atribuições dos enfermeiros e enfermeiras no dia a dia dos hospitais, dos postos de saúde, nas empresas de saúde, etc.

Quem nunca disse ou ouviu dizer: “eu quero o médico!”

Com a pandemia o mundo inteiro presenciou o PROTEGONISMO FORTE e importância dos enfermeiros, dos técnicos de enfermagem, dos auxiliares de enfermagem, dos médicos, na fronte da saúde.

Outro dia, em contato com uma paciente do COVID-19 retratávamos os trabalhos e as tarefas dos enfermeiros dentro do CTI, segundo ela, se não fossem os enfermeiros em seu tratamento da COVID-19, ela estaria muito largada no trato dentro do CTI, senão morta, de escovar os dentes a uma boa conversa tranquilizadora, lá estavam os enfermeiros.

Realmente é dos auxiliares, dos técnicos, dos enfermeiros o contato direto com paciente justamente para cumprir com todo tratamento recomendado e prescrito pelos médicos.

Segundo o COFEN (Conselho Federal de Enfermagem) somente no Brasil temos mais de 2,6 milhões de profissionais que dão duro na lida na saúde brasileira.

Em se falando em remuneração os médicos sempre tiveram uma atenção e um respeito maior nas discussões sobre salário e seus reajustes, ignorando toda uma legião de guerreiros que de fato são a base de sustentação de todo serviço de saúde pública e privada.

Como se pensassem “resolve-se o salário e a remuneração dos médicos primeiro, depois, falamos do restante…”

Conheço enfermeiros e enfermeiras na rede SUS e Privada que esforçam e se estressam em jornadas extraordinárias, em dobras de turnos, justamente para manter um padrão mínimo de vida e dignidade, reflexo da desvalorização da categoria pela sociedade e das questões salariais dos profissionais largadas de lado á décadas.  

E mais, sabemos que muitos dos enfermeiros e enfermeiras estão trabalhando em casas e clínicas de saúde, de crianças, de idosos, de recuperação de pessoas, em serviço Home Care sem o mínimo que é o REGISTRO DO CONTRATO DE TRABALHO, arriscando-se na informalidade – já quanto ao salário então, é caso de polícia!

Passada essa turbulência do COVID-19 a categoria dos enfermeiros, como também dos técnicos, auxiliares e obstetrizes tiveram voz e foram ouvidos pelo Congresso Nacional e Governo Federal, quando fixaram o PISO SALARIAL NACIONAL.

Desde o último dia 04 de agosto os profissionais tem piso salário de R$4.750,00, os técnicos R$3.325,00, os auxiliares e obstetrizes R$2.375,00, além de limitação na jornada de trabalho.

Mas, em pouco mais de um mês, a Lei que fixou os novos salários, Lei 14.434/22, foi alvo de questionamento no Supremo Tribunal Federal, e, já na primeira canetada do Ministro Roberto Barroso tem a sua suspensão.

Ou seja, tudo que foi trabalhado, discutido, votado e sancionado, tem seus efeitos suspensos, e quebrada, a priori, a expectativa dos profissionais em ter melhor salário e a devida valorização de seu trabalho.

Contra corrente, inclusive contra a própria jurisprudência da Corte o Ministro do Supremo vem interferir diretamente nas coisas do Parlamento, do Governo – rasgando, por exemplo, o princípio da separação dos poderes.

Acreditamos que ao final deste processo judicial, os Ministros, em sua maioria no Plenário, entenderão pela mantença da Lei, conservando o ficou decidido no Congresso Nacional e sancionado pelo Governo Federal, é questão de JUSTIÇA, como serve para todo e qualquer profissão, um salário justo e adequado. 

Eduardo Augusto Silva Teixeira

Advogado

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.

Leia mais

Botão Voltar ao topo

Bloqueador de Anúncio Detectado

Nosso conteúdo é gratuito e o faturamento do nosso portal é proveniente de anúncios. Desabilite o seu bloqueador de anúncios para ter acesso ao conteúdo do Portal G37.