Como um caramujo.

Guiomar Castro
Mudei, de novo. Gosto de mudar. Tirando a mudança em si (que mesmo com o know-how adquirido é extremamente cansativa), ter a casa nas costas, como um caramujo ou uma tartaruga, é muito prazeroso. É como viajar definitivamente para um lugar, a cada 3 ou 4 anos. Cigana, maluca, sem raízes, pode falar o que for.
Por trás do impulso de algo novo, sempre tem um motivo (ou vários). Ficar perto da mãe, dos filhos… Antes: estudo, trabalho, gravidez, marido, separação, mais trabalho, mais estudo, mais filho. A vida de todos tem altos e baixos, mas poucos têm o privilégio de sacudir a poeira e dar meia volta pra recomeçar. É difícil? Sim. Ficar é difícil, partir também. Mas o que a vida quer da gente é coragem, já disse Guimarães Rosa.
E ficar não quer dizer continuar, nem partir desistir. O coração se divide entre mãe e filhos. Entre irmãos, sobrinhos, sobrinhos netos, amigos, projetos. Se divide, mas fica cada vez maior quando se ouve sua voz, gritando “vá!”. Obedecê-lo pode ser desafiador (sempre é), mas é também extremamente gratificante.
Guiomar Castro é jornalista e locutora do Vozes de Minas: www.vozesdeminas.com.br/voz/guiomarcastro





















