Brasil

Cantor de axé Netinho morre aos 60 anos em Salvador após complicações de câncer

O cantor Netinho, um dos nomes conhecidos do axé brasileiro e intérprete de sucessos como “Milla”, “Beijo na Boca” e “Fim de Semana”, morreu na manhã desta terça-feira (13 de outubro), aos 60 anos, em Salvador, na Bahia. O artista estava internado no Hospital Aliança Star, onde recebia tratamento contra um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que afeta o sistema linfático. A doença havia sido diagnosticada em 2025 e voltou a se manifestar em 2026. Durante a internação, o quadro clínico evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos, complicações que provocaram sua morte.

A confirmação do falecimento foi divulgada pela equipe responsável pela carreira do cantor. Netinho enfrentava problemas de saúde relacionados ao câncer desde março de 2025, quando recebeu o diagnóstico e precisou passar por internação hospitalar. Na ocasião, permaneceu internado por aproximadamente 25 dias após apresentar dores nas pernas e nas costas. Depois de receber tratamento e apresentar melhora, o artista chegou a retomar sua agenda de apresentações, mas voltou a enfrentar a doença em 2026, quando precisou reiniciar o acompanhamento médico e realizar sessões de quimioterapia.

Nos últimos meses, o estado de saúde do cantor exigiu cuidados hospitalares. O agravamento do linfoma comprometeu o funcionamento dos rins e provocou alterações em outros órgãos. Netinho permaneceu sob acompanhamento médico em Salvador, mas não resistiu às complicações. O linfoma não Hodgkin é um grupo de cânceres que afetam os linfócitos, células do sistema imunológico, e pode atingir diferentes regiões do organismo. O tipo B, diagnosticado no artista, está relacionado às células B, responsáveis pela produção de anticorpos.

Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior, em 12 de julho de 1966, na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Netinho iniciou sua trajetória musical ainda jovem. Aos nove anos, mudou-se com a família para Salvador, onde desenvolveu seu interesse pela música e aprendeu a tocar violão. Antes de consolidar a carreira artística, chegou a cursar Engenharia Civil, mas passou a se dedicar profissionalmente à música e às apresentações que movimentavam o cenário cultural da capital baiana.

A projeção nacional começou no final da década de 1980, quando Netinho assumiu os vocais da Banda Beijo. Em 1988, o grupo passou a ganhar espaço no Carnaval de Salvador e em outras regiões do país, impulsionado por canções que ajudaram a ampliar a presença do axé no mercado musical brasileiro. Entre os primeiros sucessos estava “Beijo na Boca”, música que passou a integrar o repertório de festas e apresentações carnavalescas.

Na década de 1990, Netinho consolidou sua carreira solo e ampliou sua presença em programas de televisão, rádios e grandes eventos musicais. Uma das músicas mais conhecidas de sua trajetória foi “Milla”, lançada em sua voz em 1996 e que ganhou projeção nacional. O repertório do cantor também reuniu canções como “Menina”, “Fim de Semana”, “A Vida É Festa”, “Vem Me Dar um Beijo” e “Estrela Primeira”, que marcaram diferentes períodos de sua carreira.

A trajetória de Netinho também incluiu apresentações internacionais. Em 1990, o cantor participou de uma iniciativa que levou um trio elétrico brasileiro à Itália durante a Copa do Mundo. A estrutura foi transportada de navio e utilizada em apresentações para torcedores durante o evento esportivo. A experiência integrou o processo de divulgação do axé fora do Brasil, em um período de expansão do ritmo para outros mercados.

Ao longo da carreira, o artista participou de carnavais, festivais e apresentações em diferentes estados brasileiros. Sua atuação esteve ligada à expansão do axé durante as décadas de 1980 e 1990, período em que o gênero ganhou espaço nas rádios, na televisão e nas festas populares. Netinho também desenvolveu trabalhos posteriores ao período de maior circulação comercial de suas músicas, mantendo atividades relacionadas à produção musical e às apresentações ao vivo.

Netinho deixa uma filha, Bruna Trindade, de 28 anos, fruto de seu casamento com a jornalista Mariana Trindade. A família e a equipe do artista informaram que o velório e a cremação serão realizados de maneira reservada, com a participação apenas de familiares e amigos próximos. A decisão atende a um desejo manifestado pelo próprio cantor. Os horários e os locais das cerimônias não foram divulgados.

A morte de Netinho encerra uma trajetória de aproximadamente quatro décadas na música brasileira, marcada pela participação na Banda Beijo, pela carreira solo e pela gravação de canções que integraram o repertório do axé nas últimas décadas. O cantor morreu em Salvador, cidade onde desenvolveu grande parte de sua carreira artística, após complicações decorrentes do câncer diagnosticado no ano anterior.

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Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.

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