Brasil

Inadimplência bate recorde no Brasil e atinge quase 84 milhões de pessoas

A inadimplência no Brasil alcançou um novo recorde em agosto de 2026, com 83,98 milhões de consumidores com pelo menos uma dívida em atraso. Segundo o Mapa da Inadimplência da Serasa, o total corresponde a 51,04% da população adulta brasileira e representa o maior número de pessoas inadimplentes registrado na série histórica.

Em julho, o país contabilizava aproximadamente 83,93 milhões de consumidores nessa condição. De acordo com a Serasa, o avanço registrado em agosto foi de 0,06%, levando cerca de 50 mil novos consumidores ao grupo de pessoas com pendências financeiras.

Agosto também marcou o 20º mês consecutivo de crescimento do número de consumidores inadimplentes no país. Apesar da manutenção da trajetória de alta, a variação de 0,06% entre julho e agosto foi menor do que as registradas em outros períodos de 2026.

O Portal G37 reuniu os principais indicadores da Serasa e do Banco Central do Brasil para apresentar um panorama da inadimplência no país. Os levantamentos possuem metodologias diferentes e permitem observar tanto o número de consumidores com dívidas negativadas quanto o comportamento de determinadas modalidades do mercado de crédito.

A proporção de 51,04% significa que pouco mais da metade da população adulta considerada no levantamento apresentava pelo menos uma pendência financeira registrada em agosto. O percentual acompanha o avanço do número absoluto de consumidores inadimplentes, que ficou próximo da marca de 84 milhões.

O número de 83,98 milhões corresponde à quantidade de consumidores nessa situação e não ao número total de dívidas existentes. Uma mesma pessoa pode possuir dois ou mais compromissos financeiros vencidos e continuar sendo contabilizada apenas uma vez no total de inadimplentes.

Por esse motivo, a quantidade de pendências financeiras existentes no país é superior ao número de pessoas inadimplentes. Um consumidor pode acumular débitos com diferentes empresas, bancos, instituições financeiras ou prestadores de serviços.

A inadimplência também não deve ser confundida com o endividamento. Uma pessoa pode possuir empréstimos, financiamentos, compras parceladas e outras obrigações financeiras e permanecer com todos os pagamentos em dia.

A condição de inadimplência ocorre quando existe um compromisso financeiro vencido e não regularizado dentro dos critérios utilizados para o registro da dívida. Os débitos podem envolver operações bancárias, cartões de crédito, empréstimos, financiamentos, compras no comércio e outros contratos.

Os principais números registrados entre julho e agosto mostram crescimento do total de consumidores inadimplentes e aumento dos percentuais de atraso em algumas modalidades específicas de crédito.

IndicadorJulho de 2026Agosto de 2026
Consumidores inadimplentes83,93 milhões83,98 milhões
População adulta inadimplente—51,04%
Inadimplência no rotativo do cartão65,55%66,15%
Inadimplência no consignado privado10%10,56%

Além do recorde no número de consumidores inadimplentes, dados do Banco Central mostram aumento da inadimplência no crédito rotativo do cartão. O percentual passou de 65,55% em julho para 66,15% em agosto de 2026.

Quando os números são arredondados para uma casa decimal, o indicador passa de 65,5% para 66,2%. O resultado de agosto representa o maior percentual registrado na série histórica dessa modalidade, iniciada em março de 2011.

O Banco Central considera nesse indicador a parcela da carteira de crédito que apresenta pelo menos uma prestação em atraso superior a 90 dias. Por isso, o percentual não representa a quantidade de brasileiros que possuem cartão de crédito e deixaram de pagar as respectivas faturas.

O índice de 66,15% está relacionado especificamente às operações enquadradas na carteira do crédito rotativo. O universo considerado é diferente daquele utilizado para calcular o número total de pessoas inadimplentes no país.

O crédito rotativo é utilizado quando o consumidor não realiza o pagamento integral da fatura do cartão e parte do valor permanece financiada. A operação passa a seguir as regras previstas para essa modalidade enquanto existir saldo submetido ao financiamento.

A carteira de cartões de crédito possui diferentes tipos de operações. O indicador do rotativo, portanto, não pode ser aplicado ao conjunto de todos os usuários de cartão existentes no Brasil.

O Banco Central também registrou aumento na inadimplência do crédito pessoal consignado destinado aos trabalhadores do setor privado. O percentual passou de 10% em julho para 10,56% em agosto.

Arredondado para uma casa decimal, o resultado corresponde a 10,6%. O percentual registrado em agosto também representa o maior nível observado na série referente ao consignado privado.

Nesse indicador, o Banco Central igualmente considera operações com atraso superior a 90 dias dentro da carteira analisada. O percentual não significa que 10,6% de todos os trabalhadores do setor privado estejam inadimplentes.

O crédito consignado possui características próprias, com parcelas vinculadas às condições definidas no contrato e aos mecanismos previstos para pagamento. As operações dessa modalidade são contabilizadas separadamente de outros tipos de empréstimos.

Os percentuais do cartão rotativo e do consignado privado não podem ser somados aos 51,04% da população adulta inadimplente. Os indicadores representam universos diferentes e utilizam metodologias distintas.

A Serasa acompanha consumidores com dívidas negativadas, enquanto o Banco Central monitora o comportamento das operações de crédito do sistema financeiro. Por isso, cada número precisa ser interpretado de acordo com o indicador ao qual pertence.

Dados do Banco Central também mostram que o saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a aproximadamente R$ 7,4 trilhões em agosto de 2026, registrando crescimento de 0,5% na comparação com o mês anterior.

As operações destinadas às pessoas físicas representavam aproximadamente R$ 4,7 trilhões desse total. O desempenho inclui diferentes modalidades de financiamento, empréstimos e outras formas de crédito oferecidas pelo sistema financeiro.

No acumulado de 12 meses encerrado em agosto, o crédito total apresentou crescimento de 9,2%. Entre as pessoas físicas, o avanço acumulado no mesmo período ficou em 10,5%.

A carteira de crédito com recursos livres alcançou aproximadamente R$ 4,1 trilhões em agosto. Dentro desse conjunto, o crédito livre destinado às famílias ficou próximo de R$ 2,6 trilhões.

Entre as modalidades que participaram do crescimento do crédito às famílias estavam operações relacionadas à aquisição de veículos, cartão de crédito rotativo e crédito pessoal consignado destinado aos trabalhadores do setor privado.

Enquanto os indicadores de crédito avançaram, o número de consumidores inadimplentes também permaneceu em crescimento. Segundo a Serasa, agosto completou uma sequência de 20 meses consecutivos de aumento na quantidade de brasileiros com dívidas negativadas.

A Serasa também registrou crescimento das renegociações de dívidas. Entre maio e agosto de 2026, foram contabilizados aproximadamente 19,7 milhões de acordos, número 36% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

No mesmo período, a quantidade de consumidores que realizaram negociações passou de aproximadamente 7,1 milhões para 9,4 milhões na comparação apresentada pela empresa.

Mesmo com o avanço das renegociações, o número total de pessoas inadimplentes permaneceu em alta e alcançou 83,98 milhões em agosto. O resultado estabeleceu uma nova referência para as comparações dos meses seguintes.

Os próximos levantamentos permitirão verificar se o contingente permanecerá próximo dos 84 milhões, registrará novo crescimento ou apresentará redução durante os últimos meses de 2026.

O Portal G37 continuará acompanhando os indicadores divulgados pela Serasa e pelo Banco Central do Brasil para mostrar a evolução da inadimplência, das operações de crédito e do número de consumidores com compromissos financeiros em atraso no país.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.

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