Mulher compra apartamento em leilão e encontra corpo da antiga moradora morta há cerca de um ano em Minas Gerais

Uma mulher de 36 anos encontrou o corpo da antiga proprietária de um apartamento que havia adquirido em leilão, na quinta-feira (5 de novembro), em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais. A vítima, identificada como Marilene de Fátima, de 53 anos, estava sobre uma cama, em avançado estado de decomposição, dentro do imóvel localizado na Avenida Wilson Gomes Coelho, no bairro Alto da Serra. A descoberta aconteceu quando a compradora, Kalina Poliana, entrou no apartamento acompanhada de um chaveiro. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte e trabalha com a possibilidade de que Marilene estivesse morta havia aproximadamente um ano, sem que familiares e vizinhos soubessem do ocorrido.
Kalina havia arrematado o imóvel no dia 9 de outubro de 2026, após o apartamento ser colocado à venda em leilão em razão de pendências no pagamento do financiamento imobiliário. Antes de entrar na propriedade, a compradora tentou localizar a antiga moradora e entrar em contato com seus familiares para resolver a situação dos móveis e objetos pessoais que ainda estavam no local. Durante essas tentativas, recebeu informações de que Marilene não era vista havia vários meses e que pessoas próximas acreditavam que ela havia deixado a cidade.
A nova proprietária conseguiu autorização do filho de Marilene para acessar o apartamento. Como não possuía as chaves, contratou um profissional para abrir a porta. Ao entrar no imóvel, encontrou os cômodos organizados e os pertences da antiga moradora ainda no interior. Durante a verificação de um dos quartos, foi identificado um corpo sobre a cama, coberto por tecidos. Diante da situação, o imóvel foi fechado, e a Polícia Militar (PM) foi acionada para registrar a ocorrência e solicitar os procedimentos necessários.
A descoberta ocorreu após aproximadamente um ano sem notícias da antiga proprietária. A síndica do condomínio informou que havia mantido o último contato com Marilene em 16 de outubro de 2025, por meio de mensagens. Na ocasião, a moradora teria comentado que conhecera um homem e pretendia se mudar para Varjão de Minas, município situado na mesma região do estado. A informação levou pessoas próximas a acreditarem que ela havia deixado o apartamento e iniciado uma nova fase da vida em outra cidade. Entretanto, o imóvel permaneceu fechado, e a ausência da moradora não havia sido esclarecida.
Familiares também relataram que perderam contato com Marilene em outubro de 2025. Antes de desaparecer, ela havia procurado um irmão para falar sobre dificuldades relacionadas ao apartamento e pedir ajuda financeira. Em uma das conversas, mencionou a possibilidade de perder o imóvel e solicitou R$ 1.800 emprestados. Posteriormente, voltou a procurar parentes e pediu outra quantia. A família chegou a buscar informações sobre a situação do financiamento e as cobranças recebidas por ela, mas não conseguiu esclarecer o que havia acontecido após o último contato.
Apesar do longo período sem notícias, não havia registro anterior de desaparecimento de Marilene nos sistemas da Polícia Civil de Minas Gerais. A informação foi identificada durante os levantamentos realizados após a localização do corpo. A ausência de um boletim de ocorrência de desaparecimento e a possibilidade de mudança para Varjão de Minas estão entre os elementos considerados para esclarecer por que a morte não havia sido descoberta anteriormente.
Durante a perícia realizada no apartamento, os profissionais encontraram cartas manuscritas atribuídas à antiga moradora. Os documentos continham mensagens de despedida, orientações sobre o local onde ela desejava ser sepultada, informações relacionadas às roupas que gostaria de utilizar no funeral e indicações sobre pagamentos pendentes. Também havia referências a providências funerárias. As cartas foram recolhidas para análise e passaram a integrar os elementos examinados durante a investigação.
A avaliação inicial não identificou lesões aparentes no corpo, e o apartamento não apresentava sinais de arrombamento. A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias da morte e apura, entre outras possibilidades, a hipótese de intoxicação por medicamentos ou outras substâncias. Entretanto, a causa do óbito ainda não foi confirmada. A existência das cartas e as condições em que o corpo foi encontrado não permitem, isoladamente, estabelecer o que aconteceu com Marilene.
Os restos mortais foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML), onde passaram pelos procedimentos necessários à investigação. Amostras de material biológico serão submetidas a exames laboratoriais em Belo Horizonte, com o objetivo de buscar elementos que auxiliem na identificação da causa da morte. Os resultados periciais também poderão contribuir para estabelecer uma estimativa mais precisa do período em que Marilene morreu. A informação de que ela permaneceu aproximadamente um ano dentro do apartamento ainda depende dessa confirmação.
Depois da descoberta, Kalina Poliana manifestou o desejo de desistir da compra do imóvel e recuperar o dinheiro investido no leilão. A situação passou a ser acompanhada por profissionais responsáveis pela assessoria jurídica da aquisição. A compradora pretende questionar a validade do procedimento que resultou na venda do apartamento, considerando as circunstâncias envolvendo a morte da antiga proprietária e o período em que o imóvel permaneceu fechado.
Um dos pontos que serão analisados é a data em que Marilene recebeu as notificações relacionadas à dívida do financiamento. A defesa da compradora pretende verificar se a antiga proprietária ainda estava viva quando a instituição financeira realizou as comunicações necessárias ao procedimento de retomada e venda do imóvel. Caso os exames periciais indiquem que ela já havia falecido antes dessas notificações, a informação poderá ser utilizada para questionar judicialmente a validade dos atos praticados. A eventual anulação do leilão dependerá de análise jurídica e decisão da Justiça.
O apartamento havia sido colocado à venda após a interrupção dos pagamentos do financiamento imobiliário. Nesse tipo de procedimento, a situação contratual e as notificações realizadas ao devedor fazem parte das etapas consideradas para a retomada e posterior comercialização do bem. No caso de Patos de Minas, a apuração da data da morte poderá ter consequências tanto para a investigação policial quanto para a discussão sobre a regularidade dos procedimentos adotados antes do leilão.
O corpo de Marilene de Fátima foi sepultado na sexta-feira (6 de novembro), às 10h, no cemitério de Major Porto, distrito de Patos de Minas. Familiares acompanharam os desdobramentos da ocorrência após a identificação da antiga moradora. A investigação sobre as circunstâncias do falecimento permanece em andamento, enquanto a compradora avalia as medidas judiciais relacionadas à aquisição do apartamento.
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