Polícia

Chefe do Comando Vermelho no Rio de Janeiro é preso com a companheira em Igaratinga após cinco meses de investigação

Uma operação conjunta das polícias civis de Minas Gerais e do Rio de Janeiro resultou na prisão de Samuel Henrique Terra, conhecido pelos apelidos de “Chefinho”, “SH” e “S”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos fluminense. O homem foi localizado na terça-feira (3 de novembro), em Igaratinga, no Centro-Oeste de Minas Gerais, após aproximadamente cinco meses de investigação. A companheira dele, Maysa de Oliveira Pinto, também foi presa durante a ação. Os dois tinham mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça do Rio de Janeiro e estavam entre os alvos da Operação Fruto Podre II, que investiga a atuação de uma organização criminosa envolvida com o tráfico de drogas e outros crimes.

A prisão ocorreu após investigadores da 127ª Delegacia de Polícia de Armação dos Búzios identificarem informações sobre o paradeiro do casal. As equipes realizaram levantamentos de inteligência e cruzamento de dados para localizar os investigados, que estavam fora do território fluminense. Com a identificação do endereço em Minas Gerais, policiais civis do Rio de Janeiro percorreram mais de 700 quilômetros para cumprir as determinações judiciais. A operação contou com o apoio da Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Patrimoniais (Depatri), da Polícia Civil mineira.

Homem detido em frente ao emblema do Departamento de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (DPATRI).
Mulher diante do emblema do Departamento de Investigação de Crimes contra o Patrimônio de Minas Gerais.

Samuel Henrique Terra é investigado por sua possível participação na estrutura de comando do Comando Vermelho em Armação dos Búzios. Conforme os levantamentos policiais, ele teria exercido funções de liderança do tráfico de drogas na localidade de Cem Braças e, posteriormente, passado a atuar na região do bairro José Gonçalves e em outros pontos da cidade. As investigações apontam que o homem participaria do gerenciamento das atividades de comercialização de entorpecentes e manteria ligação com outros integrantes da organização criminosa.

Vídeo Jornal Folha de Búzios

Entre as pessoas mencionadas durante a investigação está um homem conhecido como Efraim, também apontado como liderança da facção na região. A Polícia Civil apura a relação entre os investigados e a divisão de responsabilidades dentro da organização criminosa. Os levantamentos procuram identificar como funcionariam o abastecimento dos pontos de venda de drogas, a atuação dos integrantes do grupo e as atividades relacionadas ao controle do tráfico em diferentes bairros de Armação dos Búzios.

Além das investigações por associação para o tráfico de drogas e organização criminosa, Samuel é investigado por envolvimento em crimes contra a vida. Uma das apurações envolve a suspeita de que ele tenha determinado o espancamento do pai de uma policial civil. Os investigadores também analisam sua possível participação em outro episódio de violência relacionado a uma tentativa de homicídio. As suspeitas fazem parte dos procedimentos policiais e ainda dependem de análise judicial quanto à responsabilidade do investigado.

A companheira de Samuel, Maysa de Oliveira Pinto, também era procurada pela Justiça fluminense. Ela é investigada por possível participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro. Conforme as informações relacionadas à operação, os investigadores apuram a existência de movimentações financeiras vinculadas às atividades atribuídas ao grupo criminoso. Maysa foi localizada no mesmo município e presa em cumprimento a uma ordem judicial.

Durante as buscas no endereço onde o casal foi encontrado em Igaratinga, os policiais apreenderam aparelhos celulares, um tablet e um notebook. Os equipamentos foram recolhidos para integrar a investigação e poderão ser submetidos aos procedimentos legais de análise de dados. As informações disponíveis não detalham o conteúdo encontrado nos dispositivos nem apresentam resultados de eventuais exames realizados posteriormente.

A prisão de Samuel e Maysa representa uma nova etapa da Operação Fruto Podre II, coordenada pela 127ª Delegacia de Polícia de Armação dos Búzios, sob responsabilidade do delegado Lauro Coelho Ferreira Neto. As investigações começaram meses antes da captura em Minas Gerais e tiveram como objetivo identificar pessoas apontadas como integrantes da estrutura de comando e distribuição de drogas na cidade fluminense.

Em maio de 2026, uma das fases da investigação resultou no cumprimento de seis mandados de prisão. Posteriormente, em 19 de outubro, os policiais realizaram outra operação em Armação dos Búzios, com aproximadamente 30 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de prisão. Naquela etapa, dez pessoas foram presas durante as primeiras diligências. Os agentes também recolheram drogas, armas de fogo, munições e materiais relacionados às atividades investigadas.

A operação realizada em outubro contou com o apoio de equipes de outras delegacias da Região dos Lagos, incluindo unidades de Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Arraial do Cabo. As diligências se concentraram em localidades apontadas pelos investigadores como áreas de atuação da organização criminosa, principalmente o bairro José Gonçalves. Samuel e Maysa continuaram sendo procurados após aquela etapa, até serem localizados em Igaratinga, no início de novembro.

O nome de Samuel Henrique Terra também aparece em uma investigação anterior sobre a atuação de facções criminosas na Região dos Lagos. Em janeiro de 2019, ele foi identificado entre os denunciados em uma operação denominada Conexão Búzios, que investigava tráfico de drogas, extorsão, homicídios e lavagem de dinheiro. Na ocasião, as autoridades apontaram sua possível participação na liderança de um grupo ligado ao Comando Vermelho. A investigação de 2019 é distinta da Operação Fruto Podre II, realizada em 2026.

A apuração de 2019 envolveu organizações criminosas que atuariam em Armação dos Búzios, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Araruama e na cidade do Rio de Janeiro. Entre os elementos investigados estavam a utilização de armas de fogo, ameaças contra moradores e possíveis mecanismos de movimentação de recursos provenientes do tráfico de drogas. O histórico demonstra que o nome de Samuel já havia sido relacionado a investigações sobre organizações criminosas na mesma região, sem que isso represente, por si só, comprovação de culpa nos processos atuais.

Após o cumprimento dos mandados em Igaratinga, os policiais iniciaram o deslocamento dos dois presos para Belo Horizonte, onde seriam realizados os procedimentos necessários para o encaminhamento à Justiça do Rio de Janeiro. A prisão preventiva é uma medida cautelar determinada judicialmente e não equivale a uma condenação definitiva. A continuidade da custódia e os demais procedimentos dependerão das decisões adotadas no âmbito dos processos.

A defesa de Samuel Henrique Terra contestou as acusações. Em manifestação divulgada após a prisão, afirmou que ele vivia havia anos em outro estado e negou a existência de vínculo atual com atividades criminosas em Armação dos Búzios. Os advogados também questionaram os fundamentos da investigação e sustentaram que pretendem demonstrar a inocência do investigado durante a tramitação judicial.

A Operação Fruto Podre II permanece em andamento para esclarecer a participação dos investigados nas atividades atribuídas ao Comando Vermelho em Armação dos Búzios. Com as prisões realizadas em Minas Gerais, a Polícia Civil cumpriu os mandados contra Samuel Henrique Terra e Maysa de Oliveira Pinto, que estavam entre os alvos procurados desde as etapas anteriores. Os aparelhos eletrônicos apreendidos poderão contribuir para os próximos procedimentos investigativos, enquanto os dois presos permanecem sujeitos às determinações da Justiça fluminense.

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Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.

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