Ser proativo
Ômar Souki
Pessoas proativas são aquelas que fazem acontecer. Elas cultivam certas crenças fundamentais como: “assumo responsabilidade por tudo que me acontece”, “tudo que me acontece me beneficia”, “não existe fracasso, apenas resultado”. Ao assumir a responsabilidade pelas coisas que me acontecem, eu coloco o meu destino em minhas próprias mãos. Mas, em geral, não é isso que acontece. Com frequência procuramos culpados para as coisas que não estão dando certo. É comum culparmos os nossos pais pelas nossas escolhas erradas ou o nosso país por não nos oferecer as oportunidades que merecemos. Vivemos entre estímulos de um lado e, do outro, as respostas que damos a esses estímulos. Um estímulo negativo pode ser a dificuldade de realizar um sonho ou empreender um negócio que fracassa. Em vez de buscarmos um culpado, podemos nos perguntar: “o que foi que aprendi com essa experiência?”.
Quando acreditamos que tudo que nos acontece nos beneficia, não esmorecemos frente aos desafios. Podem ser considerados como pedras em nosso caminho que—utilizadas corretamente—servirão de degraus para o nosso crescimento e realização pessoal. Uma fé inabalável no Criador gera essa crença fortalecedora, principalmente durante as tormentas da vida. Podemos nos lembrar da afirmação de São Paulo: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o projeto dele” (Romanos 8, 28). E, quando erramos, podemos interpretar nossos “fracassos” como resultados. Em vez de nos prostrarmos diante do infortúnio, podemos nos levantar, sacudir a poeira e estudar novas abordagens para a solução de nossos problemas.
Aos 13 anos, Irmã Dulce, original de Salvador, Bahia, descobriu a sua vocação religiosa, mas foi recusada pelo convento de Santa Clara por ser muito jovem. Mas não desistiu de seu sonho. Aos 19 anos, em 1933, um ano depois de formada como professora, foi aceita na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em São Cristóvão, Sergipe. Em 1936, aos 22 anos, de volta a Salvador, passou a dedicar sua vida a obras de caridade, fundando um albergue para doentes, que depois virou hospital e um colégio para filhos de operários.
Coronel Sanders, o fundador da franquia de restaurantes Kentucky Fried Chicken (KFC), teve uma vida difícil. Aos 16 anos, abandonou a escola; aos 17, já tinha perdido quatro empregos; aos 20, sua esposa o deixou. Durante os anos seguintes, trabalhou em vários empregos, até que se estabeleceu em um posto de beira de estrada, onde cozinhava e vendia pedaços de frango. Porém, depois que se aposentou, em 1952, aos 65 anos, recebia um benefício de apenas 105 dólares por mês. Era tão pouco que ele se sentia fracassado, pensando até em tirar a própria vida. Mas, em vez disso, passou dois anos viajando pelos Estados Unidos oferecendo a sua receita para vários restaurantes, até que o proprietário de um deles aceitou tornar-se seu sócio. O empreendimento prosperou e transformou-se em uma franquia de sucesso.
Não importa qual seja o ramo de atuação, o que vai determinar se alguém vai vencer ou não, é a sua proatividade. Não podemos esperar que as coisas aconteçam. Precisamos fazer acontecer como fizeram tanto a Irmã Dulce, quanto o Coronel Sanders. Pois, de fato, não existe fracasso, apenas resultado.








