Minas Gerais

Nossa filiação divina

Ômar Souki

Em uma das palestras que assisti do padre Rufus Pereira, famoso exorcista, ele afirmou que aquela declaração do Pai Celestial durante o batismo de Jesus—“você é meu Filho muito amado, em quem coloco todo o meu agrado”—deve ser considerada como sendo para cada um de nós. Todos devemos nos considerar como filhos muito amados de Deus Pai. O amor do Criador por nós é cantado em verso e prosa pelas Escrituras. “Deem graças ao Senhor porque ele é bom. Eterna é a sua misericórdia. A casa de Israel agora o diga: ‘eterna é a sua misericórdia’. A mão direita do Senhor fez maravilhas. A mão direita do Senhor me levantou. Não morrerei, mas pelo contrário, viverei para cantar as grandes obras do Senhor. Você é meu Deus e eu lhe bendigo e agradeço. Você é meu Deus e eu lhe exalto com louvores” (Salmos 117).

“Não tenha medo porque eu o redimi e o chamei pelo nome; você é meu. Quando passar pelas águas estarei com você, e os rios não o afogarão; quando você passar pelo fogo não se queimará, e a chama não o alcançará, pois eu sou o Senhor seu Deus, o Santo de Israel, o seu Salvador. Para pagar a sua liberdade, eu dei o Egito, a Etiópia e a Sebá em sua troca, porque você é precioso para mim, é digno de estima e eu o amo; dou homens em troca de você, e povos em troca de sua vida. Não tenha medo, pois eu estou com você” (Isaías 43, 1-5).

No Tratado do amor de Deus, Francisco de Sales, afirma: “A graça é tão agradável, e prende tão afavelmente os nossos corações para os atrair, que em coisa alguma prejudica a liberdade da vontade; apenas estimula com força, mas tão delicadamente, as energias do espírito, que o livre-arbítrio não recebe com isso violência alguma. […] Eis como é carinhosa a mão de Deus no meio do nosso coração, e hábil em nos comunicar seu poder, sem nos sequestrar a liberdade, dando-nos o impulso de sua força sem impedir o do nosso querer, e harmonizando o seu poder com a sua suavidade” (pp. 123-124).

Mesmo sendo as graças derramadas pelo nosso Pai Celestial tão abundantes e tão poderosas, depende de nós aceitá-las ou não. De acordo com Francisco de Sales: “…isso não quer dizer que se possa impedir a Deus de nos inspirar, e de atrair com as suas graças os nossos corações, pois como já disse, isso se dá em nós e sem nós, são mercês que Deus nos concede antes que nelas tenhamos pensado. […] Não podemos impedir que a inspiração nos provoque e por consequência nos agite; mas se, à medida que ela nos excita, a repelimos, para não seguirmos seu impulso, então lhe resistimos” (pp. 124-125).

O amor do Pai Celestial por nós é tão grande que ele faz de tudo para nos abençoar e cumular de graças, mas, divido à sua extrema delicadeza, respeita a nossa vontade. Depende apenas de nós aceitarmos, ou não, o fato de que ele é um Pai Amoroso sempre disposto a nos elevar.  Ao nos abrirmos para esta verdade—que somos seus filhos muito amados—passamos, então, a receber tudo de bom e maravilhoso que ele tem para nos ofertar.  

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