Minas Gerais

Mulher denuncia primo após montagem falsa em WhatsApp acusá-la de golpes em idosos em São Gonçalo do Pará

A cidade de São Gonçalo do Pará, no Centro-Oeste de Minas, foi surpreendida nesta semana pela divulgação de uma montagem falsa que acusava injustamente uma moradora de aplicar golpes em idosos. A vítima, identificada como Lindamara Meireles Costa, procurou a Polícia Militar e registrou boletim de ocorrência contra o primo Lucas Filipe Meireles de Oliveira, de 27 anos, apontado como responsável pela criação e disseminação do material em grupos de WhatsApp.

De acordo com o registro, Lindamara descobriu que circulava em aplicativos de mensagens uma montagem que simulava uma reportagem jornalística, trazendo seu nome completo e fotografia. O conteúdo apresentava a manchete falsa “Mulher presa por aplicar golpe em idosos em São Gonçalo do Pará” e afirmava que ela teria sido autuada em flagrante por enganar sete vítimas.

Ao investigar a origem do material, Lindamara constatou que a peça havia sido criada pelo próprio primo, que admitiu o ato. Segundo relato da vítima, ele teria feito a montagem com “intuito jocoso”, sem imaginar que a publicação tomaria grandes proporções e prejudicaria sua imagem. Apesar de um pedido posterior de desculpas, Lindamara decidiu registrar a ocorrência para resguardar sua integridade.

A Polícia Militar recolheu prints da montagem como prova e orientou a vítima sobre a possibilidade de representação criminal, cabendo à Polícia Civil dar sequência às investigações. Até o momento, não houve prisão em flagrante. O caso será apurado como possível crime de calúnia e difamação, previstos no Código Penal.

Em entrevista a portais locais, Lindamara relatou que não percebeu a publicação no momento em que ocorreu, já que costuma dormir cedo. Na manhã seguinte, ao acordar por volta das 6h, recebeu inúmeras ligações e mensagens de conhecidos, que enviaram capturas da montagem já circulando em grupos de outras cidades da região.

A princípio, a vítima não se preocupou, acreditando que a publicação ficaria restrita ao grupo local de São Gonçalo do Pará, onde é conhecida. No entanto, quando o conteúdo começou a circular em grupos de municípios vizinhos, a situação se agravou, atingindo sua reputação e provocando constrangimento social.

Preocupada com os impactos, Lindamara seguiu orientação da Polícia Militar e gravou um vídeo explicativo para esclarecer que a notícia era falsa e para preservar sua segurança. “A polícia me orientou o seguinte, a procurar tentar ao máximo limpar minha imagem, até mesmo por questão de segurança, porque você já imagina se eu estiver andando na rua e a pessoa não sabe o que tá acontecendo, faz alguma coisa comigo”, relatou.

O caso também trouxe consequências emocionais e físicas à vítima. Ela contou que precisou iniciar tratamento com medicação devido ao estresse e relatou sintomas de forte ansiedade. “Eu fiquei muito alterada, fiquei sentindo muita dor no peito, então assim, é uma coisa que me prejudicou muito”, afirmou em entrevista.

A repercussão foi imediata em São Gonçalo do Pará, onde Lindamara é conhecida. Amigos e familiares demonstraram apoio, destacando sua idoneidade e repudiando a atitude do primo. Muitos moradores também se solidarizaram nas redes sociais, pedindo cuidado com o compartilhamento de conteúdos sem verificação da veracidade.

Para especialistas, casos como esse exemplificam os riscos das chamadas fake news quando direcionadas a pessoas comuns. Mesmo quando feitas em tom de brincadeira, montagens desse tipo podem causar sérios danos à honra e à integridade psicológica da vítima, além de configurar crimes contra a honra com penas previstas em lei.

O Ministério Público de Minas Gerais e a Polícia Civil acompanham episódios semelhantes na região, reforçando que a responsabilização pode incluir tanto sanções criminais quanto ações cíveis por danos morais. O processo agora seguirá para análise do delegado responsável, que deverá decidir os próximos passos da investigação.

Enquanto isso, Lindamara tenta retomar sua rotina, ainda abalada pelos desdobramentos da falsa acusação. Para ela, a experiência serve de alerta para que outras pessoas não compartilhem conteúdos sem checar sua origem. “Acaba que sujou minha imagem, porque quem me conhece sabe. Não desejo que ninguém passe pelo que estou passando”, desabafou.

A Polícia orienta a população a denunciar casos semelhantes e alerta que a propagação de fake news, além de ilegal, representa risco à convivência social. Informações anônimas podem ser repassadas pelo Disque Denúncia 181 e situações de emergência devem ser comunicadas pelo 190.

Com o boletim de ocorrência registrado, a expectativa é de que a investigação esclareça as responsabilidades e possa servir de exemplo para coibir práticas semelhantes. O caso de São Gonçalo do Pará mostra como a divulgação de informações falsas em aplicativos de mensagens pode ultrapassar fronteiras rapidamente e transformar a vida de uma pessoa em poucas horas.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
Botão Voltar ao topo

Bloqueador de Anúncio Detectado

Nosso conteúdo é gratuito e o faturamento do nosso portal é proveniente de anúncios. Desabilite o seu bloqueador de anúncios para ter acesso ao conteúdo do Portal G37.