Minas Gerais

Minas Gerais lança sistema que permite identificar automaticamente o ponto exato de onde partem as ligações para os números 190, 197 e 193

O Governo de Minas Gerais anunciou a implantação do Sistema de Localização (Siloc), uma ferramenta inovadora que promete transformar o atendimento das chamadas de emergência no estado. A tecnologia, lançada oficialmente nesta sexta-feira (26/9), permite identificar automaticamente o ponto exato de onde partem as ligações para os números 190, da Polícia Militar, 197, da Polícia Civil, e 193, do Corpo de Bombeiros. A expectativa é que o recurso reduza o tempo de resposta e aumente a precisão nos atendimentos, especialmente em situações críticas.

O Siloc foi desenvolvido pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) em parceria com as Forças de Segurança de Minas Gerais. Trata-se de um sistema web que recebe informações em tempo real da geolocalização das ligações feitas de celulares, exibindo os dados diretamente na central de atendimento. A iniciativa tem como público-alvo todas as ocorrências, mas será de grande utilidade em casos em que a vítima não consegue informar sua localização, como em situações de sequestro, acidentes em áreas isoladas ou pedidos de socorro de crianças e idosos.

A tecnologia utilizada no sistema é baseada no conceito de localização móvel avançada (AML, na sigla em inglês). Por meio da integração de GPS, wi-fi e antenas de celular, o sistema envia automaticamente a posição do dispositivo que realizou a chamada de emergência. O Siloc funciona em smartphones Android e iOS sem a necessidade de instalação de aplicativos adicionais. Assim que a ligação é realizada, a localização é enviada instantaneamente ao atendente, que pode despachar as equipes com maior rapidez e precisão.

O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, destacou que a iniciativa representa um passo fundamental para modernizar o setor de segurança pública. Segundo ele, o sistema está alinhado à estratégia de governança digital do estado, que busca eficiência e transparência nos serviços. “Trata-se de um passo essencial para consolidar um modelo de atendimento mais proativo, preventivo e centrado no cidadão, garantindo que Minas Gerais continue sendo referência nacional em inovação e eficiência”, afirmou o secretário.

Na prática, o Siloc já está sendo utilizado no Centro Integrado de Atendimento e Despacho (Ciad), localizado na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. É lá que chegam todas as chamadas de emergência das três forças de segurança. A central recebe em média milhões de ligações ao longo do ano, e a expectativa é que o uso da tecnologia aumente a efetividade do atendimento, evitando deslocamentos equivocados de viaturas e melhorando a alocação de recursos humanos e materiais.

De acordo com dados oficiais, a Polícia Civil registrou 117.288 chamadas para o número 197 apenas entre janeiro e agosto deste ano. Já a Polícia Militar contabilizou mais de 2,3 milhões de ligações no mesmo período para o telefone 190. O Corpo de Bombeiros, por sua vez, atende em média 1,2 mil chamadas diárias somente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, número que pode triplicar em épocas de estiagem, chegando a até 3 mil atendimentos em um único dia. Além disso, a corporação realiza cerca de 70 resgates por mês de pessoas perdidas em trilhas ou matas no estado.

Um dos diferenciais do sistema é a capacidade de funcionar mesmo em áreas com baixa cobertura de sinal. Nesses casos, o Siloc consegue enviar a geolocalização via SMS, aumentando as chances de resgate em regiões rurais e de difícil acesso. Esse recurso é considerado fundamental para Minas Gerais, estado que abriga diversas áreas de mata, serras e trilhas ecológicas bastante frequentadas pela população e por turistas. Situações como desaparecimentos durante caminhadas ou acidentes em áreas isoladas poderão ser atendidas com maior rapidez.

Além de agilizar os atendimentos, o Siloc deve contribuir para coibir o número de trotes recebidos diariamente pelas centrais de emergência. Ao fornecer automaticamente a localização de quem liga, a ferramenta pode ajudar a identificar chamadas falsas ou de má-fé, possibilitando responsabilização mais efetiva dos autores. Isso deve reduzir o desperdício de tempo e recursos das forças de segurança, que muitas vezes são deslocadas desnecessariamente por causa de ligações fraudulentas.

Apesar dos benefícios, especialistas e entidades de direitos digitais apontam que será necessário acompanhar de perto o uso da ferramenta para garantir conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A legislação exige transparência sobre a coleta, armazenamento e uso das informações pessoais, o que inclui dados de geolocalização. Até o momento, o governo não divulgou detalhes sobre o tempo de retenção desses dados nem sobre quem terá acesso a eles além das centrais de emergência. A Sejusp informou, em nota, que adota políticas de segurança da informação e conformidade com a LGPD em todos os seus sistemas.

Outro ponto ainda não esclarecido é o custo do projeto e os contratos envolvidos na sua implementação. O Governo de Minas não informou, até agora, quanto foi investido na criação e na integração do Siloc às centrais de atendimento. Também não há informações públicas sobre fornecedores ou licitações. Questionada por veículos de imprensa, a Sejusp limitou-se a destacar os ganhos operacionais e estratégicos do sistema, sem detalhar aspectos financeiros.

A implantação do Siloc reforça a aposta do estado em soluções tecnológicas para aumentar a eficiência da segurança pública. Nos próximos meses, a expectativa é de que ocorrências resolvidas com maior rapidez sirvam de exemplo prático dos benefícios da ferramenta. Ainda assim, a efetividade da tecnologia dependerá do acompanhamento contínuo, da transparência na gestão dos dados e da integração plena com todas as regiões do estado.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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