Homem vira réu por feminicídio de estudante de 22 anos encontrada morta em apartamento em Belo Horizonte
Adalton Martins Gomes, de 45 anos, tornou-se réu pela morte da estudante Giovanna Neves Santana Rocha, de 22 anos, encontrada sem vida dentro do apartamento onde morava, na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. A Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais por feminicídio e manteve a prisão preventiva do acusado. Giovanna foi encontrada morta em 9 de fevereiro de 2026 e, inicialmente, o caso chegou a ser tratado como possível suicídio, mas a investigação mudou de direção após o resultado do exame de necropsia indicar morte por asfixia mecânica decorrente de sufocação direta.
A decisão que recebeu a denúncia foi proferida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte. Com a decisão, Adalton passa formalmente à condição de réu e deverá responder à acusação no decorrer do processo. A magistrada também decidiu manter a prisão preventiva. O homem está preso desde maio deste ano, quando as investigações avançaram e a Polícia Civil passou a tratá-lo como principal suspeito da morte da jovem.
Segundo o Ministério Público, Giovanna teria sido atacada dentro do próprio apartamento e morta por sufocação direta. A acusação sustenta que o crime teria sido praticado por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. O órgão atribui a motivação, em tese, a interesse no patrimônio da estudante e a um sentimento de posse relacionado ao relacionamento mantido entre os dois. Esses pontos integram a denúncia e ainda serão analisados no processo judicial.
Giovanna foi encontrada morta por uma amiga com quem havia combinado de almoçar naquele dia. Nos primeiros momentos após a descoberta do corpo, a hipótese considerada era de que a jovem pudesse ter sofrido uma overdose. Havia medicamentos no apartamento e informações relacionadas ao estado de saúde da estudante contribuíram inicialmente para essa possibilidade. O resultado da necropsia, porém, modificou o rumo da investigação ao apontar que a causa da morte havia sido asfixia por sufocação direta, caracterizada pela obstrução externa das vias respiratórias.
A Polícia Civil passou então a analisar o período que antecedeu a morte, o relacionamento entre Giovanna e Adalton e a movimentação no condomínio. Conforme as informações reunidas durante a investigação, imagens de segurança registraram o acusado deixando o prédio na manhã do dia em que o corpo foi encontrado. Testemunhas indicaram que nenhuma outra pessoa teria entrado no apartamento entre a saída dele e a chegada da amiga que encontrou Giovanna morta.
Os investigadores também analisaram declarações feitas pelo acusado após a morte. Segundo informações divulgadas durante a apuração, ele apresentou versões diferentes a pessoas próximas da estudante sobre o que teria acontecido naquela noite e chegou a afirmar que Giovanna havia morrido enquanto estava com ele. As contradições relatadas por testemunhas foram incluídas entre os elementos considerados pela Polícia Civil durante a investigação.
Outro ponto investigado envolve o patrimônio da estudante. Giovanna havia recebido patrimônio após a morte do pai e, segundo a Polícia Civil, havia informações de que poderia receber dinheiro decorrente de uma negociação imobiliária. A investigação apontou ainda que Adalton entrou com uma ação judicial para reconhecimento de união estável após a morte da jovem. A medida teria sido ajuizada no dia do enterro de Giovanna.
A Polícia Civil também apurou que o relacionamento entre os dois havia começado em outubro de 2025, poucos meses antes da morte. Testemunhas relataram aos investigadores mudanças no comportamento da estudante depois do início do namoro. Conforme a investigação, familiares e amigas disseram que Giovanna teria se afastado de pessoas próximas e apresentado mudanças em sua rotina. O Ministério Público sustenta na denúncia que o relacionamento teria passado a apresentar características de controle, violência e comportamento possessivo por parte do acusado.
De acordo com informações apresentadas durante a investigação, Adalton teria passado a morar no apartamento de Giovanna pouco tempo após o início do relacionamento. A Polícia Civil também apurou circunstâncias relacionadas à administração das contas do imóvel e à participação do acusado na rotina patrimonial da jovem. Esses elementos foram considerados na linha investigativa sobre eventual interesse financeiro relacionado ao crime.
Depois da conclusão de parte das investigações, a Polícia Civil indiciou Adalton por feminicídio. Posteriormente, o Ministério Público ofereceu denúncia à Justiça, afirmando que a morte ocorreu em contexto de violência contra a mulher. Para a acusação, além do feminicídio, existem circunstâncias qualificadoras relacionadas ao motivo, à forma de execução e à dificuldade de defesa da vítima.
A defesa de Adalton contesta as conclusões da investigação e sustenta que ele é inocente. O advogado responsável afirmou que pretende questionar tecnicamente o laudo do Instituto Médico-Legal e que contratou assistentes técnicos e peritos para analisar os elementos apresentados pela acusação. Segundo a defesa, existem provas que deverão ser apresentadas ao longo do processo para contestar a versão sustentada pelo Ministério Público.
A decisão da Justiça que tornou Adalton réu não representa condenação. O recebimento da denúncia significa que o Judiciário considerou presentes os requisitos necessários para dar continuidade à ação penal. A partir de agora, acusação e defesa poderão apresentar provas, testemunhas e argumentos antes de uma decisão sobre eventual submissão do acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Adalton deverá apresentar resposta à acusação no prazo estabelecido pela Justiça. A prisão preventiva foi mantida durante essa fase processual. O processo tramita no Tribunal de Justiça de Minas Gerais sob o número 5051990-25.2026.8.13.0024.
A investigação e o processo deverão esclarecer definitivamente as circunstâncias da morte de Giovanna, a motivação e eventual responsabilidade do acusado. Até uma decisão final da Justiça, Adalton permanece réu e deve ser considerado inocente para fins legais enquanto não houver condenação definitiva.









