Minas Gerais

Feminicídios aumentam em Minas Gerais e chegam a 177 vítimas em 2025, aponta Anuário de Segurança Pública

Minas Gerais registrou 177 vítimas de feminicídio em 2025, oito a mais do que as 169 contabilizadas em 2024. Os dados constam no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento aponta crescimento de 4,4% no número de casos no estado.

O aumento ocorreu mesmo com a redução das mortes violentas de mulheres no território mineiro. O número geral de mulheres vítimas de homicídio caiu de 350, em 2024, para 306 em 2025, uma diminuição de 12,9%. No mesmo período, entretanto, os feminicídios avançaram de 169 para 177.

Os números mostram que os feminicídios passaram a representar uma parcela maior das mortes violentas de mulheres no estado. Em 2024, 48,3% das mortes femininas analisadas receberam essa classificação. Em 2025, a proporção chegou a 57,8%.

Dados da violência contra a mulher em Minas Gerais

Indicador20242025Variação
Mulheres vítimas de mortes violentas350306-12,9%
Vítimas de feminicídio169177+4,4%
Taxa de feminicídio por 100 mil mulheres1,61,6Estável
Participação dos feminicídios nas mortes de mulheres48,3%57,8%+9,5 pontos percentuais
Tentativas de feminicídio248207-16,5%
Registros de violência doméstica e familiar154.189161.497+4,7%
Descumprimentos de medidas protetivas11.25112.403+9,9%

Fontes: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 e dados do Registro de Eventos de Defesa Social apresentados pelo Ministério Público de Minas Gerais.

Embora a taxa de feminicídios tenha permanecido em 1,6 vítima por grupo de 100 mil mulheres, o número absoluto aumentou. A manutenção da taxa ocorre porque o cálculo considera a população feminina estimada no estado, enquanto a quantidade de vítimas passou de 169 para 177.

Os dados sobre violência doméstica também apresentaram crescimento. Minas Gerais passou de 154.189 registros em 2024 para 161.497 em 2025, aumento de 4,7%. O volume representa uma média de aproximadamente 442 ocorrências por dia ao longo de 2025.

Outro indicador que avançou foi o descumprimento de medidas protetivas de urgência. O estado registrou 11.251 ocorrências em 2024 e 12.403 em 2025, alta de 9,9%. A taxa passou de 52,8 para 58 registros por 100 mil habitantes.

As medidas protetivas podem determinar, entre outras providências previstas em lei, o afastamento do agressor e a proibição de contato ou aproximação da vítima. O descumprimento dessas decisões constitui crime e pode resultar na prisão do investigado.

As tentativas de feminicídio apresentaram queda no estado, passando de 248 registros em 2024 para 207 em 2025, redução de 16,5%. O resultado, porém, aparece ao lado do aumento dos crimes consumados e dos registros gerais de violência doméstica.

O Anuário destaca que episódios de ameaça, violência psicológica, agressão física, perseguição e descumprimento de medidas protetivas podem integrar uma escalada de violência. O estudo ressalta que essa sequência não ocorre obrigatoriamente em todos os casos, mas aponta a importância da identificação e da intervenção antes que as agressões avancem.

Em todo o país, as tentativas de feminicídio também aumentaram em 2025. O levantamento contabilizou 4.189 mulheres sobreviventes, crescimento de 5,9% em comparação com o ano anterior. Para cada feminicídio consumado, o Brasil registrou quase três tentativas.

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais informou que 177 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado em 2025. O tema foi discutido em audiência pública com representantes de órgãos governamentais, forças de segurança e entidades envolvidas no atendimento e na proteção de mulheres.

O feminicídio ocorre quando uma mulher é morta em razão da condição do sexo feminino, especialmente em contextos de violência doméstica e familiar ou de menosprezo e discriminação contra a mulher. O enquadramento de cada ocorrência depende da investigação policial e da análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.

Em Minas Gerais, os registros estatísticos sobre violência doméstica e vítimas de feminicídio são disponibilizados em uma base pública estadual alimentada com informações da Polícia Civil. Os números podem sofrer atualizações após o andamento das investigações e a revisão da classificação das ocorrências.

Mulheres em situação de violência podem acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 ou procurar uma delegacia. Denúncias também podem ser feitas por testemunhas, familiares, vizinhos e outras pessoas que tenham conhecimento das agressões. A orientação das autoridades é comunicar situações de ameaça, perseguição, agressão ou descumprimento de medida protetiva.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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