Como manter a memória jovem

Ômar Souki
Nossa memória é constituída por passagens neurais. Cada vez que executamos uma tarefa ou aprendemos algum conceito novo, estimulamos conexões neurais: sinapses. Para cada atividade e cada aprendizado formamos redes neurais correspondentes. Ao praticarmos uma atividade com frequência ou manifestarmos um conhecimento várias vezes, estamos reforçando rotas neurais, que esculpem certos padrões anatômicos dentro de nosso cérebro. São eles que formam a memória, e se tornam tanto mais indeléveis quanto mais nos exercitamos dentro de atividades ou conhecimentos específicos.
Para escrever este artigo estou me utilizando de um computador e da linguagem escrita. Quanto mais uso o computador, mais reforço a minha habilidade de utilizá-lo; e cada vez que uso a linguagem escrita, aprofundo minha capacidade de memorizá-la. Ao estimularmos regularmente nossos caminhos neurais, eles passam a oferecer menos resistência. É como se eu estivesse trafegando em uma estrada com asfalto lisinho. Sinto que meu veículo me conduz com velocidade até o destino, que é produzir um texto esclarecedor e gostoso de ler.
Ao aprendermos algo novo, ou exercermos uma atividade diferente das habituais, criamos ligações entre os neurônios. Quanto mais passagens neurais, mais inteligente é a pessoa. E quanto mais se envolve com determinadas tarefas (intelectuais ou físicas), melhor será sua capacidade de memorização naquela área específica. Portanto, essa capacidade está ligada tanto à atividade intelectual quanto à física.
A memória pode ser consciente ou inconsciente. A consciente se manifesta quando conseguimos lembrar o nome de alguém ou de algum livro. Já a inconsciente é quando acertamos “sem querer”. Às vezes optamos por uma escolha certa sem sabermos exatamente por que fizemos tal opção. Tomamos uma certa rua que nos levará a um determinado local sem termos certeza que aquela era a rua, e depois descobrimos que percorremos o caminho certo. Isso ocorre porque a informação estava no inconsciente.
Em 1954, um cinema em Fort Lee, New Jersey, passou durante seis semanas uma programação diferente. Era apenas um flash de 40 milésimos de segundo—rápido demais para ser visto pelo público—implantado a intervalos regulares, dentro do próprio filme. Eram mensagens simples: “Está com fome? Coma pipoca” e “Tome Coca-Cola”. Durante as semanas da propaganda subliminar, a venda de pipoca no cinema aumentou 57,7% e a de Coca-Cola, 18,1% (vice.com/pt/article/os-primordios-…).
Isso mostra que podemos agir em resposta a informações que não sabemos que possuímos. Esse tipo de informação é algo que faz parte do nosso dia a dia, de nossos hábitos, enfim, de nossa cultura pessoal. Daí a importância de criarmos uma cultura pessoal de aprendizado e atividade física. Isso irá promover a nossa jovialidade e boa memória durante toda a vida.
Nossa capacidade de resolver problemas e sermos bem-sucedidos, depende tanto do resgate de informações, quanto do domínio de processos—que é quase inconsciente—algo que fazemos sem pensar muito, que se cultiva durante a existência. E, para mantermos essa habilidade, mesmo na idade madura, é necessário criar uma cultura pessoal de ação, tanto no campo intelectual, quanto no físico.








