Após mais de 20 anos de fuga, réu é condenado por tentativa de homicídio em Minas Gerais

Mais de duas décadas depois de ter cometido um crime violento e desaparecido sem deixar rastros, um homem finalmente foi julgado e condenado em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. O réu, que ficou 21 anos foragido da Justiça, foi sentenciado a 12 anos, 5 meses e 10 dias de prisão em regime fechado por tentativa de homicídio triplamente qualificado.
O crime ocorreu em junho de 2003, no bairro Fraternidade, e foi motivado por uma discussão banal sobre dívida. Segundo as investigações, o homem deixou o local após a briga, mas voltou armado e abriu fogo contra a vítima, efetuando seis disparos em plena via pública. Além de atingir o alvo, o criminoso colocou a vida de outras pessoas em risco.
Os tiros atingiram o abdômen e a perna da vítima, que ficou gravemente ferida e sobreviveu por um milagre, graças ao socorro rápido de populares. Foram mais de 14 meses de recuperação, com seis meses de imobilização total.
Logo após o atentado, o autor fugiu com a família e sumiu do mapa. Durante anos, seu nome constou na lista de procurados da Justiça mineira, mas sem qualquer pista de paradeiro. Somente em novembro de 2024, o homem foi localizado e preso, pondo fim a uma das fugas mais longas já registradas na região.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu a culpa e a frieza do acusado. O tribunal confirmou as três qualificadoras do crime: motivo fútil, uso de meio que gerou perigo comum e recurso que impediu a defesa da vítima.
A defesa tentou convencer o júri de que o homem teria agido “tomado pela emoção”, mas os jurados não se deixaram enganar e acompanharam integralmente os argumentos do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Segundo o promotor de Justiça Mateus Netto das Flôres Coelho, o julgamento mostra que “a Justiça pode até demorar, mas não falha”. Ele ressaltou que a condenação, mesmo após 20 anos, reforça o compromisso do Judiciário com a aplicação da lei e o combate à impunidade.
A sentença negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade, e ele foi encaminhado diretamente ao sistema prisional estadual, onde cumprirá a pena.
O caso, que voltou a chamar atenção em Governador Valadares, é um alerta de que o tempo não apaga crimes e de que o braço da Justiça pode demorar, mas sempre alcança.









