Minas Gerais

Aécio Neves muda decisão, entra na disputa pelo Senado em Minas Gerais e será candidato na chapa de Alexandre Kalil

O deputado federal e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, anunciou nesta sexta-feira (28) que disputará uma das duas vagas de Minas Gerais no Senado Federal nas eleições de 2026. A decisão foi apresentada durante entrevista coletiva realizada na sede do partido, em Belo Horizonte, e representa uma mudança em relação ao posicionamento adotado pelo parlamentar no início deste mês, quando havia informado que não concorreria a um cargo eletivo.

Aécio será o único candidato ao Senado na chapa liderada pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), candidato ao Governo de Minas. A composição tem ainda o ex-deputado Carlos Mosconi (PSDB) como candidato a vice-governador.

A entrada do tucano na disputa ocorreu depois das renúncias de Gustavo Galassi, do PSDB, e Marcelo Heringer, do PDT, que haviam sido registrados inicialmente como candidatos ao Senado pela aliança. Os dois formalizaram a saída da corrida eleitoral, abrindo caminho para a substituição.

Como o prazo regular para registro das candidaturas terminou em 15 de agosto, a inclusão de Aécio ocorre pelas regras de substituição estabelecidas pela Justiça Eleitoral. A legislação permite a troca de candidatos em situações como renúncia, desde que sejam cumpridos os procedimentos e prazos previstos.

Pelo calendário eleitoral, os partidos têm até 14 de setembro, 20 dias antes do primeiro turno, para apresentar pedidos de substituição nas situações previstas pela legislação. A candidatura ainda passa pelos procedimentos formais da Justiça Eleitoral.

Durante o anúncio, Aécio afirmou que decidiu modificar os planos depois de receber manifestações de aliados, dirigentes partidários e lideranças políticas de diferentes regiões de Minas Gerais.

“Mudei de rota com um sentimento muito profundo de responsabilidade com Minas Gerais. Volto ao jogo, volto à disputa eleitoral, por responsabilidade para com Minas Gerais e por ter a consciência de que eu posso, sim, ajudar Minas a enfrentar e superar suas gravíssimas dificuldades”, declarou.

A decisão representa uma mudança em relação ao anúncio feito por Aécio no início de agosto. Na ocasião, ele havia informado que não disputaria as eleições de 2026 e que concentraria sua atuação na presidência nacional do PSDB e no processo de reorganização da legenda.

Nos dias que antecederam a mudança, dirigentes do PSDB, Cidadania e PDT fizeram um movimento público para defender a entrada do deputado na corrida pelo Senado. Entre os participantes estavam os presidentes estaduais do PSDB e do PDT, os deputados federais Paulo Abi-Ackel e Mário Heringer.

Com a confirmação, Aécio retorna a uma disputa pelo Senado, cargo que já exerceu entre 2011 e 2018. Atualmente, ele cumpre mandato de deputado federal por Minas Gerais.

Aécio também governou Minas Gerais por dois mandatos e exerceu outros mandatos como deputado federal. Em 2014, disputou a Presidência da República e chegou ao segundo turno da eleição.

Ao explicar a decisão de concorrer novamente ao Senado, Aécio colocou a situação financeira de Minas Gerais entre os assuntos que pretende levar para a campanha. Um dos temas citados foi a dívida do Estado e os efeitos do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

Segundo ele, uma eventual atuação no Senado permitiria participar diretamente das discussões envolvendo a dívida mineira e a relação financeira entre Minas Gerais e o governo federal.

Aécio afirmou que, caso seja eleito, pretende buscar articulação com bancadas de outros estados para discutir as condições relacionadas à dívida e à capacidade de investimento do governo mineiro em áreas como saúde, educação e segurança pública.

Outro ponto apresentado pelo candidato foi a intenção de fortalecer politicamente o PSDB em âmbito nacional. Aécio afirmou que pretende trabalhar pela construção de um projeto político de centro para as eleições de 2030.

A aliança eleitoral em Minas reúne o PDT e a Federação PSDB-Cidadania em torno da candidatura de Alexandre Kalil ao Governo do Estado. Com as renúncias apresentadas nos últimos dias, Aécio passa a ser o único nome ao Senado vinculado à chapa.

Durante a coletiva, o deputado também informou que pretende iniciar a campanha por Belo Horizonte e retomar, a partir da próxima semana, encontros com prefeitos, vereadores, deputados e outras lideranças em diferentes regiões mineiras.

Aécio afirmou ainda que pretende manter uma campanha respeitosa em relação aos demais concorrentes. Segundo ele, candidatos de diferentes posições políticas devem apresentar suas propostas aos eleitores durante o período eleitoral.

A disputa pelo Senado em 2026 terá uma característica diferente da eleição realizada há quatro anos. Neste ano, Minas Gerais escolherá dois senadores, já que estarão em disputa duas das três cadeiras destinadas ao Estado.

Cada eleitor poderá, portanto, votar em dois candidatos diferentes para o Senado. O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. Os senadores eleitos terão mandato de oito anos.

A entrada de Aécio também modifica o cenário eleitoral medido anteriormente por pesquisas de intenção de voto. Levantamentos realizados antes de sua decisão de ficar inicialmente fora da eleição chegaram a testar o nome do ex-governador entre os possíveis candidatos ao Senado.

Pesquisas divulgadas posteriormente deixaram de incluir Aécio nos cenários porque, naquele momento, ele havia anunciado que não participaria das eleições. Novos levantamentos poderão mostrar o impacto da entrada do tucano na disputa pelas duas vagas.

Com a decisão anunciada nesta sexta-feira, Aécio Neves retorna à disputa eleitoral em Minas Gerais e passa a integrar a chapa de Alexandre Kalil. A candidatura seguirá os procedimentos previstos pela Justiça Eleitoral para substituição dos nomes que renunciaram à corrida pelo Senado.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
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