O que a vida quer da gente?
Ômar Souki
“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”, disse Guimarães Rosa. Coragem para seguir adiante, para enfrentar os desafios de cabeça erguida e não esmorecer. Quantas vezes nos vemos fraquejando e quase desistindo daquele sonho tão acalentado? Mas, de repente, somos encontrados por um desses instigantes clamores, como aquele que nos coloca Guimarães Rosa, e que assim continua: “O que Deus quer é ver a gente aprendendo a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria, e ainda mais alegre ainda no meio da tristeza!”.
Grande desafio é o que nos propõe o gênio: “ficar mais alegre ainda no meio da tristeza!”. Quando o caçador arma o laço contra nós, em vez de enfrentá-lo com coragem, pensamos em fugir desesperados e desesperançados. Mas não é isso que nem a vida, nem Deus, querem de nós. Nossa atitude frente ao rugido do leão é rugir mais forte ainda, respaldados por aquele que tudo pode. Como diz o salmo (121, 3-7): “Não deixará vacilar o seu pé; pois, aquele que guarda você não dormirá. […] O Senhor é o seu protetor, como a sombra à sua direita. De dia o sol não o ferirá, nem a lua, de noite. O Senhor protegerá você de todo o mal. Protegerá a sua vida. Protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre”.
Poderia haver algo mais auspicioso do que nos oferece o nosso Pai Celestial? Proteção de dia e de noite, ao sairmos e ao chegarmos, desde hoje e por toda a eternidade. Mas, quantas vezes questionamos: “Será assim mesmo? Será que posso confiar? Será que devo lançar-me por ‘mares nunca dantes navegados’?”. É nesses momentos que chega até nós o doce sussurro de Jesus: “Tudo quanto pedirem em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirem alguma coisa em meu nome, eu o farei” (João 14, 13-14).
Chego, portanto, à conclusão de que “o que a vida quer da gente”, e que dá sustentação para a nossa coragem, é a fé em Deus. De fato, somos pequenos demais para enfrentar sozinhos as tormentas desta passagem. Precisamos confiar que, se ele nos colocou nesta jornada, também nos dará os recursos para enfrentar as incertezas, os acidentes, as doenças, as dores, os sofrimentos, as injustiças e traições que o caminho nos reserva. A nossa fé em Deus é, sem sombra de dúvida, o sustentáculo de nossa coragem.
“A fé é um modo de já possuir aquilo que se espera. É um meio de conhecer realidades que não se veem. […] Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa àqueles que o buscam” (Hebreus 11, 1; 6). Como, então, possuir a coragem que a vida quer da gente? Cultivando uma fé inabalável no Pai Celestial!









