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Gerdau confirma férias e banco de horas em Divinópolis enquanto sindicato aponta risco de fechamento de setores e cerca de 400 demissões

A possibilidade de desativação de setores da Gerdau em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, voltou a mobilizar trabalhadores e representantes sindicais nesta quarta-feira (28 de outubro). A discussão envolve principalmente a continuidade das atividades do alto-forno e da aciaria da unidade localizada no bairro Interlagos. O Sindicato dos Metalúrgicos estima que aproximadamente 400 trabalhadores possam ser afetados caso essas áreas sejam desativadas. Em comunicado divulgado na terça-feira (27), a Gerdau confirmou que parte de seus funcionários está em período de férias ou utilizando banco de horas, atribuindo a medida aos elevados estoques de aço e às condições do mercado siderúrgico brasileiro. A empresa não anunciou oficialmente o fechamento da fábrica, não confirmou a desativação dos setores mencionados e também não informou a realização de demissões relacionadas à situação.

O posicionamento da Gerdau foi divulgado após novas informações sobre possíveis mudanças no funcionamento da unidade começarem a circular entre trabalhadores e representantes da categoria. A companhia informou que mantém parte dos empregados afastada temporariamente das atividades por meio de férias ou compensação de horas trabalhadas. Segundo a empresa, a medida está relacionada à necessidade de administrar os níveis de estoque diante da situação do mercado brasileiro do aço. O comunicado também informa que a companhia continua avaliando o cenário e mantendo diálogo com os envolvidos nas atividades da unidade. Não foram apresentados números sobre a quantidade de empregados abrangidos, os setores atingidos ou a duração prevista das medidas.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis aponta a possibilidade de interrupção das atividades do alto-forno e da aciaria, duas estruturas utilizadas no processo de produção siderúrgica. O alto-forno participa da fabricação do ferro-gusa, enquanto a aciaria realiza etapas necessárias à produção do aço. Segundo a entidade sindical, aproximadamente 400 trabalhadores estão vinculados às áreas que poderiam passar por mudanças. Esse número corresponde à estimativa apresentada pelos representantes da categoria e não representa uma quantidade de demissões confirmadas pela Gerdau. Até o momento, a empresa não divulgou qualquer relação de funcionários que seriam desligados ou transferidos para outras funções.

As preocupações sobre a continuidade das operações não começaram nesta semana. Em 28 de agosto de 2026, o Sindicato dos Metalúrgicos realizou uma manifestação em frente à Gerdau, no bairro Interlagos, depois que informações sobre um possível fechamento da unidade passaram a circular. Trabalhadores e representantes sindicais participaram do ato para solicitar esclarecimentos e defender a manutenção das atividades industriais. Naquela ocasião, a empresa negou que estivesse preparando o encerramento das operações em Divinópolis e informou que não havia mudanças previstas para a unidade. A manifestação ocorreu cerca de dois meses antes do comunicado mais recente sobre férias e banco de horas.

Durante a mobilização de agosto, representantes sindicais também levantaram questões relacionadas à preservação dos empregos, às condições de trabalho e aos resultados financeiros da companhia. O dirigente sindical Carlos, ligado ao setor de mineração da Gerdau, questionou a possibilidade de encerramento das atividades diante dos resultados econômicos apresentados pela empresa. Participantes da manifestação defenderam a participação de representantes do poder público nas discussões caso fossem confirmadas medidas que afetassem os empregados. A mobilização também contou com representantes de outras cidades de Minas Gerais, incluindo integrantes da Federação Sindical Democrática dos Metalúrgicos do estado.

A manifestação de agosto aconteceu após a Gerdau anunciar mudanças na unidade Açonorte, localizada em Recife, Pernambuco. Naquela operação, a empresa encerrou as atividades dos setores de aciaria e laminação e passou a concentrar a produção em outros segmentos. A reestruturação resultou no desligamento de aproximadamente 160 trabalhadores, enquanto cerca de 450 empregos foram mantidos na unidade pernambucana. Na época, a companhia informou que as alterações realizadas em Recife não afetariam suas operações localizadas em Minas Gerais. A unidade de Divinópolis não foi incluída entre as instalações atingidas pelo anúncio.

Além das informações relacionadas ao fechamento de setores em Pernambuco, publicações anteriores mostram que a Gerdau manteve processos seletivos para sua unidade de Divinópolis durante 2026. Em março, a companhia divulgou vagas para atividades de produção e manutenção, incluindo funções de operador de alto-forno, aciaria, laminação e manutenção eletroeletrônica e mecânica. Em maio, também foram divulgadas oportunidades para operadores dessas áreas. Os processos seletivos ocorreram meses antes das discussões atuais e não representam confirmação sobre a continuidade das contratações ou das operações industriais nos próximos meses.

O histórico da unidade de Divinópolis também registra medidas temporárias de adequação da produção em períodos anteriores. Em outubro de 2016, a Gerdau anunciou a adoção de um programa de suspensão temporária de contratos de trabalho, conhecido como lay-off, com previsão de início em dezembro daquele ano. A medida foi apresentada na ocasião como uma forma de ajustar a produção à redução da demanda do setor da construção civil. Os trabalhadores abrangidos deveriam participar de atividades de qualificação profissional durante o afastamento. A situação registrada em 2016 corresponde a um episódio anterior e distinto das férias e do banco de horas confirmados em outubro de 2026.

As condições atuais do mercado brasileiro do aço foram mencionadas pela Gerdau como justificativa para as medidas adotadas em Divinópolis. A companhia tem informado que suas operações nacionais enfrentam dificuldades relacionadas à concorrência internacional e à entrada de aço importado. O posicionamento específico sobre a fábrica divinopolitana, entretanto, destaca os níveis elevados de estoque e a situação do setor siderúrgico. A empresa não divulgou o volume de aço armazenado na unidade, a quantidade produzida atualmente ou a existência de uma decisão permanente de redução da capacidade instalada.

Na segunda-feira (26 de outubro), a Gerdau divulgou os resultados financeiros referentes ao terceiro trimestre de 2026. Entre julho e setembro, a companhia registrou receita líquida consolidada de R$ 18,7 bilhões, lucro líquido ajustado de R$ 1,5 bilhão e Ebitda ajustado de R$ 3,8 bilhões. As vendas físicas de aço alcançaram 2,9 milhões de toneladas no período. Os números correspondem ao resultado consolidado das operações da empresa, incluindo suas atividades no Brasil e no exterior, e não apresentam separadamente o desempenho financeiro da unidade de Divinópolis.

As operações da América do Norte responderam por mais de 76% do Ebitda consolidado da companhia no terceiro trimestre. A Gerdau também informou que investiu R$ 955 milhões no período, sendo 45% destinados à manutenção e 55% a projetos de expansão e atualização tecnológica. Para todo o ano de 2026, o plano de investimentos apresentado pela empresa é de R$ 4,7 bilhões. No comunicado sobre os resultados, a direção informou que continua promovendo adequações em seus ativos industriais brasileiros. Não foi apresentado um anúncio específico sobre o encerramento das atividades do alto-forno ou da aciaria de Divinópolis.

A situação da siderúrgica também passou a ser abordada por representantes políticos. Nesta quarta-feira (28), o ex-prefeito de Divinópolis e deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos) publicou um vídeo gravado em frente à unidade e relacionou a possibilidade de fechamento ao resultado da eleição presidencial. Na gravação, ele mencionou a possibilidade de milhares de empregos serem afetados. Entretanto, a Gerdau não confirmou essa quantidade de trabalhadores nem estabeleceu, em seu comunicado, qualquer relação entre as medidas adotadas e o resultado eleitoral. A informação apresentada pela representação sindical trata de aproximadamente 400 trabalhadores vinculados aos setores cuja continuidade está sendo discutida.

O Sindicato dos Metalúrgicos convocou uma assembleia para terça-feira, 3 de novembro, às 17h, no Polo Esportivo, localizado na Avenida Getúlio Vargas, em Divinópolis. A reunião deverá discutir a situação da Gerdau e os encaminhamentos relacionados à possibilidade de mudanças nas atividades industriais. Entre os assuntos previstos estão a manutenção dos empregos, os direitos dos trabalhadores e a possibilidade de negociação caso a empresa anuncie medidas que afetem o quadro funcional. O sindicato também defende a realização de uma audiência pública para ampliar as discussões sobre a unidade.

A representação sindical informou que pretende buscar esclarecimentos sobre os planos da empresa para o alto-forno e a aciaria. Também deverão ser discutidas eventuais medidas de proteção aos trabalhadores caso ocorram alterações no funcionamento da fábrica. A convocação da assembleia não significa que a companhia já tenha formalizado um plano de desligamentos. As condições de uma possível negociação dependerão das decisões que forem apresentadas pela empresa e dos procedimentos trabalhistas correspondentes.

A Gerdau mantém atividades em diferentes municípios de Minas Gerais, incluindo Divinópolis, Ouro Branco, Ouro Preto, Sete Lagoas e Barão de Cocais. A unidade localizada no bairro Interlagos integra a estrutura industrial da companhia no Centro-Oeste mineiro. Além dos trabalhadores empregados diretamente na operação, a atividade siderúrgica envolve relações comerciais com fornecedores e prestadores de serviços. Entretanto, não foram divulgados levantamentos que permitam estabelecer a quantidade de empregos indiretos que poderiam ser atingidos por uma eventual mudança na produção em Divinópolis.

O comunicado divulgado em 27 de outubro não apresentou previsão para a retomada integral das atividades dos funcionários que estão em férias ou utilizando banco de horas. Também não esclareceu se existem negociações para transferência de empregados, alterações definitivas nos turnos de trabalho ou modificações no funcionamento de linhas de produção. Essas informações permanecem sem confirmação pública. A Gerdau afirmou que continua avaliando as condições do mercado e mantendo diálogo com as partes envolvidas na operação.

Até esta quarta-feira (28 de outubro), a situação confirmada é a utilização de férias e banco de horas por parte dos empregados da Gerdau em Divinópolis. O sindicato aponta a possibilidade de desativação do alto-forno e da aciaria e estima que aproximadamente 400 trabalhadores possam ser afetados caso essa medida seja adotada. Não existe anúncio oficial de fechamento da usina, confirmação de demissões em massa ou cronograma de encerramento das atividades industriais. A assembleia convocada para 3 de novembro será a próxima reunião anunciada para discutir a situação com os trabalhadores.

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Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.

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