Utilização do tempo

Ômar Souki
Durante a semana depois do atentado contra Donald Trump permaneci colado no celular por muitas horas. Grande era a minha curiosidade para saber do que se tratava: de “um lobo solitário” ou de uma conspiração? Embora as evidências estejam pendendo mais para ter sido algo orquestrado pelos inimigos de Trump, houve outra coisa que me preocupou ainda mais: a quantidade de tempo que dediquei a esse assunto. Depois que selecionamos algo, o algoritmo do YouTube nos inunda de conteúdos relacionados ao tema. Corremos, assim, o risco de naufragarmos por conta de nossa curiosidade. Agora, mais de uma semana depois, estou mais cheio de perguntas do que de respostas. Mas, algo de positivo aconteceu. Estou mais consciente de que preciso monitorar mais de perto como está o uso do meu preciso tempo.
Temos três modalidades de tempo: ( a ) o que se vende; ( b ) o que se perde; ( c ) o que se escolhe. O primeiro se aplica quando realizamos um trabalho remunerado. O segundo se refere ao tempo que esperamos o sinal abrir, em filas, em deslocamento, em consultórios, no celular etc. E, o terceiro, é aquele que investimos no que é nosso, em atividades que escolhemos e que nos gratificam, tais como, boas leituras, realização de cursos, interação com familiares e amigos, escuta atenciosa aos semelhantes, atividades humanitárias, esportes, orações e celebrações religiosas. Esse é justamente o tempo que efetivamente contribui para a nossa felicidade presente e futura. É o dedicado a atividades felicitarias.
Embora eu ainda realize atividades remuneradas como palestras, mentorias on line, e venda de livros, a maior parte do meu tempo ainda dança entre as perdas e as realizações gratificantes. Quanto mais tempo gasto no WhatsApp, no Facebook, no Instagram ou no YouTube, menos sobra para investir no meu próprio crescimento, na minha felicidade. Mas, é fácil me descuidar e permitir que o algoritmo determine o curso de minha navegação diária diminuindo cada vez mais a dedicação àquelas atividades que, de fato, irão contribuir mais e melhor para a minha felicidade. Você já teve a sensação de que está deixando o tempo escorrer por dentre os dedos?
Algo que tem me ajudado é a minha agenda semanal, com colunas referentes a cada dia. Cada coluna é dividida em pequenos espaços que vão das 6h00 até às 20h00. Neles anoto o que estou realizando a cada momento. Por exemplo, hoje é o dia 22 de julho de 2024. Comecei a preparar esta crônica às 10h00 e devo ir até às 12h00. Então, nos espaços relativos a esses horários, faço a seguinte anotação: “escrevendo”. Cada dia eu me autoavalio (de 0 a 10) de acordo com o tempo dedicado a atividades geradoras de felicidade.
A nossa tendência à distração é grande, daí a importância de prestarmos atenção redobrada sobre a utilização do nosso tempo. Por mais chocante que seja uma ocorrência—como foi o atentado contra Trump—o que, de fato, vai ou não contribuir para o nosso crescimento, no longo prazo, é o nosso foco em ações felicitarias. Podemos nos orientar diariamente pelo conselho de Jesus: “Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26, 41).








