Sejamos misericordiosos
Ômar Souki
No primeiro domingo após a Páscoa, a Igreja celebra a Festa da Misericórdia, como Jesus pediu a Santa Faustina. Durante a sua curta vida de 33 anos, a santa teve inúmeros encontros com o Divino Mestre, que lhe pediu para escrever um diário, no qual ela descreve os seus diálogos com ele. Os colóquios entre os dois confirmam e reforçam o que já estava declarado nas Escrituras: “Sejam misericordiosos, como também o Pai de vocês é misericordioso. Não julguem, e vocês não serão julgados; não condenem, e não serão condenados; perdoem, e serão perdoados” (Lucas 6, 36-37).
Em várias passagens do diário, Jesus reitera a sua vontade de nos perdoar: “Alma pecadora, não tenha medo do seu Salvador. Eu, por primeiro, tomo a iniciativa de me aproximar de você, pois sei que por você mesma não é capaz de elevar-se até mim. Não fuja, filha, do seu Pai, disponha-se a dialogar a sós com o seu Deus de misericórdia, que quer lhe dizer palavras de perdão e cumular-lhe com suas graças. Oh! Como me é cara a sua alma! Inscrevi o seu nome nas minhas mãos; você se gravou como chaga profunda em meu coração. Eu sou a sua força. Eu lhe darei poder para a luta” (Sessão 1485).
Como não adentrar o nosso quarto interior, fechar a porta e escutar no silêncio as doces palavras do nosso Criador? Mas, nos encontramos tão atarefados que não temos tempo nem disposição de pararmos para escutar a pessoa mais importante de nossa vida: Jesus Cristo! Ele, que em sua infinita bondade e humildade, nos suplica: “A minha misericórdia é maior que as suas misérias e as do mundo inteiro. Quem pode medir a extensão da minha bondade? Por você desci do Céu à Terra. Por você permiti que me pregassem na cruz. Por você permiti que fosse aberto pela lança o meu Sacratíssimo Coração e, assim, abri para você uma fonte de misericórdia. Venha haurir graças dessa fonte com o recipiente da confiança. Nunca rejeito um coração humilhado. A sua miséria ficou submersa no abismo da minha misericórdia. Por que você teria que travar comigo uma disputa sobre a sua miséria? Dê-me antes o prazer de me entregar todas as suas penúrias e toda a sua miséria, e eu lhe cumularei com tesouros de graças” (Sessão 1485).
A única exigência do Divino Mestre é que reconheçamos as nossas faltas e peçamos perdão. E, na medida em que perdoarmos os nossos irmãos, seremos também perdoados por ele. Assim está escrito: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia (Provérbios 28, 13). “Se perdoarem aos homens as suas ofensas, também o Pai celestial lhes perdoará” (Mateus 6, 14). “Venham, então, e discutiremos, diz o Senhor. Ainda que seus pecados sejam vermelhos como púrpura, ficarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como escarlate, ficarão brancos como a lã” (Isaías 1, 18).
Jesus Cristo, Deus feito homem, já tomou sobre si as nossas faltas e, praticamente, nos implora que peçamos perdão. E, na medida em que perdoarmos, seremos nós também perdoados. Não podemos deixar passar essa incrível proposta de salvação eterna. Sejamos, pois, misericordiosos, como o nosso Pai que está no Céu!









