Minas Gerais

O tecido da nossa existência

Ômar Souki

Se a nossa vida tivesse um pano de fundo—isto é, algo que estivesse por trás de cada um de nossos pensamentos, sentimentos, palavras e ações—o que seria isso? Eu acredito que esse algo, que transcende o nosso ser, e que também move cada uma de nossas respirações e movimentos, só pode ser o amor. O amor é a luz e a sua ausência é a sombra. Mesmo aqueles que andam pelo caminho das trevas, lá no fundo sonham com a luz, e desejam um dia, quem sabe, encontrar o amor. Andei pelo vale sombrio da existência à procura da fama e do sucesso material, saí de minha terra e percorri o mundo à procura de algo que pudesse preencher a minha alma, mas não encontrei. Decidi, então, fazer o caminho oposto, vir em direção ao meu centro e, somente aí, encontrei a força que tange todo o cosmos: o amor. Às vezes eu me espanto com isso: “Como pode haver algo que se manifesta tanto na menor partícula quanto nas galáxias que povoam os céus?”.

Nisso reside a genialidade de nosso Criador: para onde quer que voltemos o nosso olhar, seja para o mais potente microscópio, ou para o mais poderoso telescópio, só enxergamos uma coisa: o amor. Se é assim no mundo físico, mais ainda se verifica no palco das relações humanas, onde se manifesta na baila das emoções. Ao nos sentirmos amados brotam em nós a gratidão, a alegria, o afeto. Temos vontade de viver e de realizar cada vez mais e mais. Mas, quando somos rejeitados, surgem a culpa, a decepção, a raiva, emoções que tiram a nossa graça e enfraquecem o nosso viver. Enfim, somos iluminados pelo amor e apagados pela sua falta.

Mas, temos o tempo todo acesso a Deus, fonte infinita de amor. Para dizer o quanto nos ama, ele mandou que se escrevessem as Escrituras e para confirmar a sua paixão por nós, fez-se carne na presença magnífica de Cristo. “Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem a altura nem a profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8, 38-39). “Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus” (I João 4, 7).  “Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele” (I João 4, 16).

Permanecer no amor é viver, afastar-se dele é morrer. Simples assim. O tecido de nossa existência é o amor e a sua fonte é Deus. O propósito de nossa passagem pela Terra é, não só descobrir essa verdade, mas também senti-la em cada fibra de nosso ser. Algo que se personifica em Jesus, o caminho, a verdade e a vida.     

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