Minas Gerais

Marta e Maria

Ômar Souki

“Marta então invoca a ajuda de Jesus. ‘Mestre, olha como eu estou neste calor. Parece-lhe justo que eu fique trabalhando sozinha? Diga a ela que venha me ajudar’. Marta está realmente inquieta. Jesus olha para ela com um sorriso meio doce e um pouco irônico, ou melhor, brincalhão. Marta se inquieta com isso: ‘Estou falando sério, Mestre. Olha como ela fica ociosa enquanto eu estou trabalhando. E ela fica aí olhando…’

“Jesus se torna mais sério: ‘Ela não está ociosa, Marta. Não se trata de ócio, mas de amor. […] Marta, Marta! Deverei eu então dizer que esta aqui (e Jesus lhe põe a mão sobre a cabeça), que veio de tão longe, superou você no amor? Deixe-a em sua paz. Ela esteve tão doente! […] Com este seu mundo novo, ela deve esquecer-se do passado e conquistar para si o que é eterno. Isso não será conquistado apenas com o trabalho, mas também com a adoração. […] Você se preocupa com muitas coisas, Marta. E esta aqui se preocupa só com uma, mas é a que basta para o seu espírito e sobretudo para o seu Senhor. Deixe que caiam as coisas inúteis. Imite a sua irmã. Maria escolheu a melhor parte, a que nunca lhe será tirada” (Maria Valtorta, O Evangelho como me foi revelado, vol. 6, p. 129).

Na década de 40 do século passado, Jesus mostrou para Maria Valtora, uma mística italiana, inúmeras passagens de sua vida. E, um dos momentos mais citados é justamente esse em que Marta, a irmã de Maria Madalena, pede a Jesus que a repreenda por estar “fazendo nada” aos pés dele. Jesus, então, explica para Marta que Maria, de fato, havia escolhido a melhor parte. A partir daí, Marta passou a representar todos aqueles que se apegam demasiadamente às coisas deste mundo e se esquecem de devotar tempo para a espiritualidade. Enquanto Maria Madalena—aquela que se prostrou em adoração amorosa—tornou-se sinônimo das pessoas que colocam Deus em primeiro lugar.

As palavras de Jesus nos mostram que—para atingirmos o Céu—precisamos nos entregar apaixonadamente a uma vida de oração. Madalena, mesmo tendo passado grande parte de sua vida nos caminhos da perdição, se arrependeu e passou a adorar ao Senhor com todas as suas forças. Mais adiante na descrição de Valtorta, Jesus fala sobre o poder do arrependimento: “O arrependimento sincero é como um filtro que purifica. E o amor é uma substância que preserva de toda nova contaminação. Eis, pois, que aqueles que a vida tornou adultos e pecadores poderão tornar-se inocentes como os pequeninos e entrar como eles no meu Reino. Agora, vamos para casa. Para que Marta não fique muito em sua dor. Vamos levar-lhe o nosso sorriso de amigo e de irmã” (p. 130).

A doçura de Jesus conclui a reflexão com o seguinte apelo: “Ó almas, o que vocês temem? Aprendam a não ter medo de mim, lendo a vida de Maria de Magdala. Ó almas, que amam, aprendam dela o amor, com um ardor seráfico. Ó almas, vocês que erraram, aprendam com ela a ciência, que lhes torna preparadas para o Céu. Eu lhes abençoo a todos, para lhes ajudar a subir. Vão em paz” (p. 130).

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