Estado de presença

Ômar Souki
“O lugar de cada pessoa no mundo é um desejo eterno do Pai com relação a ela. Para que a sua vida tenha êxito, para que a humanidade tenha sucesso, cada ser humano deve estar o mais perfeitamente possível presente em seu lugar. A sua vida é uma obra divina”, escreveu Michel Quoist na obra Poemas para rezar. “O estado de presença é o agora, e é tudo que existe, já pensou nisso? Não existe amanhã, nem mesmo ontem ou hoje mais tarde. Só existe o agora. E, por isso mesmo, sua mente pode descansar, pois, não há com o que se preocupar além do exato momento presente. O tempo passa, mas quando você permanece no agora, você permanece no estado de presença, vivendo o que realmente há para viver, sem as ruminações do passado ou as ansiedades sobre o futuro” (revista.meuretiro.com.br).
Estar no presente é estar entusiasmado, isto é, com Deus dentro de nós. A palavra “entusiasmo” provém do termo grego “enthousiasmos”, que significa “estar inspirado por um deus”. É o que acontece quando o nosso interesse em uma ação é tão profundo que nos absorve por completo. Conseguimos estar entusiasmados com o momento presente quando vivemos uma vida com significado. Porém, não é isso que acontece com muita gente, que já perdeu a vontade de viver. No mundo, a cada dia, cerca de duas mil pessoas tiram a própria vida. Acredito que isso acontece porque as pessoas estão cada dia mais distantes de Deus—vivendo no passado, ou no futuro—sem desfrutar do único momento que existe: o presente.
De fato, não é fácil ficar no presente quando estamos constantemente revisitando o nosso passado, ou preocupados com o que vai acontecer no futuro. Quando estamos espiritualmente enfraquecidos nos culpamos exageradamente pelos erros cometidos. Não nos perdoamos e temos medo de que o próprio Deus também não nos perdoe. Ao mesmo tempo, nos preocupamos demais com o que pode acontecer no futuro, pois, os prognósticos relativos ao Brasil e ao mundo são de dificuldades crescentes devido à corrupção generalizada, aos desastres naturais e às guerras.
Para permanecermos no presente é fundamental que cultivemos uma fé inabalável no Criador. Só assim poderemos mergulhar apaixonadamente no aqui, agora. Minha permanência neste presente—visitado pela divina inspiração e embalado pelo som que brota do teclado de meu computador—depende unicamente do Todo Poderoso. “Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja confiança é o Senhor. Porque será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro, e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se afadiga, nem deixa de dar fruto” (Jeremias 17, 7-8). “Eis que Deus é a minha salvação; nele confiarei, e não temerei, porque o Senhor é a minha força e o meu cântico, e se tornou a minha salvação” (Isaías 12, 2).
O estado de presença, portanto, é também o estado de confiança no Pai Celestial. Ao analisarmos a nossa caminhada, assim como a história dos povos, percebemos que tudo é transitório. E, isso pode nos gerar insegurança e falta de presença. Porém, a sabedoria milenar das Escrituras nos assegura que—por pior que seja a situação—Alguém estará sempre zelando por nós.








