Minas Gerais

Cruzeiro 1965–1970: “Esquadrão”, a era dourada da Raposa

Entre 1965 e 1970, o Cruzeiro viveu o período mais glorioso de sua história e formou uma das maiores equipes do futebol brasileiro. Foi a fase do pentacampeonato mineiro consecutivo (1965 a 1969), da afirmação nacional e de um time que encantava pela técnica, velocidade e inteligência tática. A Raposa deixou de ser força regional e passou a ser respeitada em todo o país.

O elenco reunia nomes que se tornaram lendas. No gol, Raul Plassmann transmitia segurança. A defesa tinha Pedro Paulo, Procópio Cardoso, Neco e o versátil Wilson Piazza, um dos maiores ídolos do clube. No meio e no ataque, o talento era abundante com Dirceu Lopes, Natal, Evaldo, Hilton Oliveira e, sobretudo, Tostão, o cérebro e principal referência técnica daquela geração.

Nesse período, o Cruzeiro mudou o equilíbrio do futebol mineiro. Até então, o clássico dominante era Atlético x América, o “Clássico das Multidões”. Com a ascensão cruzeirense, impulsionada por títulos e futebol vistoso, o duelo entre Cruzeiro e Atlético ganhou protagonismo e se tornou o maior clássico de Minas Gerais — status que permanece até hoje.

Além de dominar o estadual, o Cruzeiro impôs superioridade sobre seus rivais, com vitórias marcantes e um estilo ofensivo, envolvente e eficiente. A equipe passou a ser reconhecida como uma verdadeira escola de futebol, admirada no Brasil inteiro.

O auge veio na Taça Brasil de 1966. No Mineirão, o Cruzeiro goleou o Santos de Pelé por 6 a 2, em uma das maiores atuações da história do futebol brasileiro. O Santos, com Pelé, Coutinho, Pepe e Gilmar, era considerado quase imbatível, o que tornou o resultado ainda mais impactante.

Mesmo com a derrota no primeiro jogo, o Santos não conseguiu reverter a vantagem cruzeirense na volta. O Cruzeiro conquistou a Taça Brasil de 1966, encerrou a hegemonia santista e se consolidou entre os grandes do país.

O maestro daquele time era Tostão, jogador de inteligência rara, visão de jogo e grande capacidade de finalização. Anos depois, ele seria peça fundamental da Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1970, ao lado de Pelé, Jairzinho, Rivellino, Gérson e Carlos Alberto Torres. Ao seu lado, Dirceu Lopes brilhava pela criatividade, Piazza pela liderança e versatilidade, e Raul Plassmann se firmava como um dos melhores goleiros do país.

Entre 1965 e 1970, o Cruzeiro viveu sua era dourada: conquistou títulos, revelou ídolos, derrotou o Santos de Pelé, transformou o futebol mineiro e projetou craques para a Seleção Brasileira. Mais do que vitórias, construiu uma identidade vencedora e um dos capítulos mais marcantes da história do futebol nacional.

Por: Ronner Miranda

Diretor de Esportes

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