Minas Gerais

A oração das formigas

“O caso que você vai ler é único na história da humanidade, no sentido de nunca ter ocorrido outro igual, talvez nem parecido”. Assim inicia Olivo Cesca, a sua obra, Maria das lágrimas e as formigas bordadeiras. Ele relata o fenômeno de uma colônia de formigas que—no quintal de uma casa, na cidade de Serra, no Espírito Santo—de um dia para o outro, começou a bordar figuras religiosas e citações bíblicas nas folhas das árvores.

Quando eu escutei essa história contada por minhas irmãs Jane e Cibele, que haviam visitado o local, pensei: “Já que os seres humanos não estão atendendo aos inúmeros apelos de conversão que nos chegam através de tantas aparições de Nossa Senhora, o Senhor resolveu agora apelar pelo auxílio desses minúsculos seres que povoam nossos quintais”.

“Como justificar o que acontece por lá? […] Talvez seja a mão daquele que tudo criou que de repente assume o comando desses fenômenos? […] Lança mão até dos meios mais terra-a-terra, recorre a bichinhos tão insignificantes quanto as formigas, pondo-as a trabalhar como artistas para a sua causa?” continua Cesca. Tudo começou a partir de 1994 quando a vidente de Nossa Senhora, Maria Aparecida Martins d´Ávila (Cidinha), visitou a casa de Joceli e Caudialúcia na Serra. Enquanto conversava com o casal, percebeu que o vento tinha levado uma folha até os seus pés. Resolveu pegá-la e, para sua surpreso, viu o desenho de uma cruz, bordada por meio de pequenos orifícios no centro da folha. Ele perguntou ao casal se eles fizeram isso e eles disseram que não.

Foram conversar no quintal e—por incrível que pareça—cada árvore que Cidinha tocava se enchia de formigas. Em uma delas, as formigas contornaram a sua mão, se dirigiram para uma folha, e começaram a bordar outra cruz. Nesse momento, Cidinha relata que pensou: “Se elas fazem cruzes, por que não podem fazer outros desenhos também?” (p. 39). Desse momento em diante, a vidente compreendeu que Nossa Senhora queria mostrar que “os menores bichinhos” estavam laborando pelo Reino de Deus. Pouco tempo depois encontrou, gravada em uma folha, a citação Provérbios 6, 6-11. Ao consultar a Bíblia leu a seguinte mensagem:

“Vamos, preguiçoso, olhe a formiga, observe os hábitos dela, e aprenda. Ela não tem chefe, nem guia, nem governante. Apesar disso, no verão ela acumula o grão e ajunta provisões durante a colheita. Até quando você vai ficar dormindo, preguiçoso? Quando é que vai se levantar da cama? Dormindo um pouco, cochilando outro pouco ainda, cruzando os braços e descansando, sobre você cairá a pobreza do vagabundo e a indigência do mendigo”.

Outra folha tinha apenas o número 91. Cidinha consultou os Salmos e encontrou o daquele número que, dentre outras, continha as seguintes palavras: “Ele ordenou aos seus anjos que guardem você em seus caminhos. Eles o levarão nas mãos, para que seu pé não tropece numa pedra. Você caminhará sobre cobras e víboras, e pisará leões e dragões”.

Atestando a prodigiosa Misericórdia Divina, milhares de mensagens continuam sendo escritas, todas com um único propósito: “mostrar que até os menores bichinhos laboram pelo Reino de Deus”.    

Ômar Souki

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