Divinópolis

Saudade do carnaval da terra do Divino…

Neste sábado aconteceu o carnaval temporão de Divinópolis e parece que correu tudo bem, na maior harmonia, graças a Deus.
Mas aquele carnaval antigo da terrinha, esse acabou.

Nós, que somos da terrinha, temos saudade dos nossos carnavais raiz, tempo em que a cidade pegava fogo e a gente brincava de carnaval de verdade.

Quem viveu, como eu, na época em que a terra do Divino ainda era pequena sabe do que estou falando. Era um tempo em que os clubes pegavam fogo e a rua, a toda hora, tinha alguma coisa acontecendo.

Existia uma disputa pelo melhor carnaval. No Estrela e no Divinópolis Clube aconteciam a matinê, o vesperal e o poderoso baile à noite, e nós íamos em tudo kkk.

Na rua, nos domingos à noite, existia o desfile das escolas de samba e, o melhor, a cidade inteira comparecia para aplaudir e torcer por sua escola.

Me lembro que, na nossa adolescência, tínhamos os blocos para pular o carnaval no Estrela, e a animação era uma coisa de outro mundo.

Os blocos eram enormes e a competição era pesada. Lembro de um ano em que resolvemos fazer uma fantasia para a Noite do Havaí, que era a mais chique do Estrela. O Zé Alonso, presidente do clube, tratava essa noite como a menina dos olhos dele, e nós, rebeldes, resolvemos arrasar kkk.

Só pelo nome do bloco já dava para imaginar a rebeldia da moçada: FUNERAL HAWAIANO, chique demais kkk.

Naquela noite, as fantasias eram todas coloridas, com muitas flores, muitos colares, enfim, bem estilo praia. Não para nós kkk.

Bolamos nossas fantasias em preto e verde, estilo funeral mesmo.
As meninas usavam um vestido bem curto de cetim preto, com flores em paetê verde, uma faixa de paetê verde e uma pena na cabeça.
Os meninos, bermuda preta de cetim e uma flor verde de paetê.

O número de foliões era grande, quase 60, e todos super animados. Fizemos o maior segredo até o dia do baile.

Naquela noite, fizemos o grande encontro para o esquenta e partimos para o baile sentindo que a vitória estava certa kkk.

Entramos no salão fazendo um grande trenzinho. Tinha gente já na pista do salão e ainda tinha gente entrando lá da rua. O mais engraçado era nosso hino, gritado a todo vapor: FUNERAL, FUNERAL, FUNERAL kkk.

Naquele dia, achamos que o Zé e sua diretoria iam infartar kkk. Fecharam a cara para nós, e aí a turma foi ao delírio.

No meio da noite tinha a entrega dos troféus aos melhores blocos. Paravam a música e todo mundo ficava em frente ao palco, na torcida.

Nosso bloco parecia uma grande mancha preta kkk, e nós achando que estávamos arrasando kkk. Então veio o Zé Alonso com a famosa frase:
“Vamos entregar a praca pro broco vencedor” (o Zé trocava o L pelo R) kkk.

E, nessa hora, não falou do poderoso FUNERAL HAWAIANO, e sim de um bloco de umas patricinhas, cheio de florzinhas kkk.

Nessa hora, nossa turma, em um manifesto de rebeldia kkk, deitou no chão kkk, e custaram a nos tirar. Mesmo assim, saímos gritando FUNERAL, FUNERAL kkk.

Durante o dia, a Savassinha pegava fogo com as batucadas e os bloquinhos, delícias de um tempo que passou. Ainda bem que o vivemos, né…

Amnysinho Rachid
WhatsApp: (37) 99963-2807

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