Notícias de Divinópolis

Quase 70% das pessoas em situação de rua abordadas em Divinópolis são de outras cidades, apontam dados oficiais

Um levantamento apresentado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social mostra que 68% das pessoas em situação de rua abordadas em Divinópolis no primeiro semestre de 2025 eram de outros municípios. Das 341 pessoas alcançadas pelas equipes no período, 108 eram de Divinópolis e 233 foram identificadas como provenientes de outras cidades. Os números foram apresentados durante uma reunião realizada na Câmara Municipal para discutir a situação dessa população e as ações de assistência, saúde e acolhimento desenvolvidas no município.

O percentual significa que aproximadamente sete em cada dez pessoas abordadas não eram de Divinópolis. O dado, entretanto, precisa ser interpretado dentro do universo pesquisado: ele se refere às 341 pessoas que passaram pela abordagem social durante o período analisado e não representa necessariamente um censo de todas as pessoas que estavam vivendo nas ruas da cidade em um único momento. A população em situação de rua apresenta circulação entre municípios, entradas e saídas dos serviços de acolhimento e reincidência nos atendimentos.

Os números apresentados na Câmara também mostraram outras características do público atendido. De acordo com o levantamento, 60% das pessoas abordadas faziam uso de crack, enquanto 82% não tinham trabalho formal. Outro dado apontou que 80% recebiam algum benefício do Governo Federal, entre eles Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e modalidades de aposentadoria.

A assistência social apresentou ainda informações sobre os atendimentos realizados por comunidades terapêuticas durante o primeiro semestre de 2025. Foram registrados 317 usuários, sendo 60% de Divinópolis e 40% de outros municípios. Na Casa de Passagem, foram contabilizados 283 acolhimentos no mesmo período, dos quais 244 eram de pessoas que já haviam passado anteriormente pelo serviço, demonstrando um número elevado de reincidências.

Os dados ajudam a dimensionar uma característica importante do atendimento realizado em Divinópolis: parte significativa das pessoas que utilizam os serviços socioassistenciais chegou à cidade depois de viver em outros municípios. Essa realidade levou o tema da migração e da origem dos usuários a entrar no planejamento das políticas públicas voltadas à população em situação de rua.

Em fevereiro de 2026, o Diagnóstico da População em Situação de Rua 2025 foi apresentado ao Comitê Intersetorial responsável pelo acompanhamento das políticas voltadas a esse público. O levantamento considera informações como idade, sexo, escolaridade, naturalidade, tempo de permanência em Divinópolis, histórico de migração, vínculos familiares, situação profissional, documentação, benefícios sociais, saúde e consumo de álcool e outras drogas.

O diagnóstico também analisa fatores como a presença de pessoas egressas do sistema prisional, problemas de saúde, situações relacionadas ao uso de substâncias psicoativas e acesso aos serviços de saúde mental. Entre os equipamentos considerados no acompanhamento está o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), utilizado para encaminhamento de casos que necessitam de acompanhamento especializado.

Um dos serviços utilizados para pessoas que chegaram de outras localidades é o Programa de Volta para Casa, que oferece encaminhamento para o município de origem ou para a retomada do convívio familiar quando existe essa possibilidade. Entre janeiro e maio de 2026, 226 pessoas foram encaminhadas para suas cidades de origem ou para familiares por meio do programa.

O número registrado nos cinco primeiros meses de 2026 dá continuidade a uma quantidade expressiva de encaminhamentos realizados no ano anterior. Em 2025, mais de 600 passagens foram concedidas pelo Programa de Volta para Casa. A iniciativa depende da avaliação de cada situação e busca estabelecer contato com familiares ou referências existentes no local para o qual a pessoa pretende retornar.

Além dos encaminhamentos para outras cidades, a rede de assistência mantém serviços de abordagem e acolhimento para quem permanece em Divinópolis. As equipes percorrem diferentes regiões, fazem escuta das pessoas encontradas nas ruas e oferecem acesso a serviços sociais, documentação, Cadastro Único, saúde, alimentação, higiene, acolhimento institucional e acompanhamento especializado, conforme a situação de cada usuário.

O atendimento não ocorre apenas durante os períodos de baixas temperaturas. Embora as ações sejam intensificadas durante o inverno, a abordagem social funciona de maneira permanente ao longo do ano. O trabalho envolve assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais responsáveis por identificar as demandas e encaminhar cada pessoa para os serviços existentes.

Em junho de 2025, dados da assistência social já apontavam 334 pessoas atendidas, das quais 234 haviam sido acolhidas em equipamentos da rede. Posteriormente, a consolidação apresentada na Câmara contabilizou 341 pessoas abordadas ao longo do primeiro semestre, utilizando como referência o levantamento fechado do período.

Uma das dificuldades identificadas pelos serviços está relacionada à continuidade dos atendimentos. Há pessoas que aceitam inicialmente o encaminhamento, mas posteriormente deixam os equipamentos ou não aderem às propostas oferecidas. A atuação das equipes precisa considerar a autonomia individual e os limites legais para intervenções, especialmente em situações relacionadas à saúde mental e à dependência de álcool e outras drogas.

O tema também envolve a reconstrução de vínculos familiares. Parte das pessoas abordadas possui parentes ou referências fora de Divinópolis, mas rompeu esses vínculos por diferentes circunstâncias. Quando há possibilidade e interesse do usuário, as equipes podem trabalhar a reaproximação com familiares e avaliar um eventual retorno à cidade de origem.

Os dados mais recentes divulgados em 2026 mostram que o fluxo continua significativo. Além das 226 pessoas encaminhadas pelo Programa de Volta para Casa entre janeiro e maio, foram registrados aproximadamente 300 acolhimentos recentes nas estruturas de assistência existentes em Divinópolis.

A presença de pessoas provenientes de outras cidades também levou representantes locais a discutir uma maior articulação regional. Durante reunião na Câmara em 2025, foi apresentada a intenção de estabelecer diálogo com municípios vizinhos sobre o custeio e a responsabilidade compartilhada pelas políticas de assistência, considerando que parte expressiva das pessoas atendidas em Divinópolis tem origem em outras localidades.

Apesar do percentual de 68%, os números não permitem afirmar que todas as pessoas que vieram de outros municípios chegaram recentemente a Divinópolis ou que todas pretendam retornar às cidades de origem. O diagnóstico considera também o tempo de permanência no município, histórico migratório e vínculos familiares, fatores necessários para compreender individualmente cada situação.

Da mesma forma, ser natural ou proveniente de outra cidade não retira o direito ao atendimento socioassistencial. Os serviços trabalham com a condição de vulnerabilidade apresentada pela pessoa e com os encaminhamentos previstos na rede de proteção, independentemente do município onde ela nasceu.

Os números também não significam que existam atualmente exatamente 341 pessoas vivendo nas ruas de Divinópolis. O total corresponde às pessoas abordadas ao longo do primeiro semestre de 2025, e uma mesma realidade social sofre alterações constantes com novos atendimentos, retornos familiares, acolhimentos, mudanças de cidade e saídas da situação de rua.

O levantamento, portanto, mostra que a origem de outras cidades é uma característica relevante entre as pessoas atendidas pelas equipes de Divinópolis. Dos 341 registros apresentados referentes ao primeiro semestre de 2025, 233 eram de outros municípios, equivalente a 68%, enquanto 108 eram de Divinópolis. Os dados passaram a integrar o planejamento das ações de abordagem, acolhimento, saúde, tratamento e retorno ao convívio familiar desenvolvidas no município.

Por Fernando Rodrigues - Redação Portal G37

Fernando Rodrigues é diretor do Portal G37 de Notícias, sediado em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais. Sua trajetória está ligada à imprensa regional e à história do jornal Gazeta do Oeste, veículo do qual assumiu a direção após a morte de seu pai, Antônio Eustáquio Rodrigues Cassimiro, em 2004. Em 2018, acompanhou a transformação definitiva do jornal para o ambiente digital, processo que consolidou o Portal G37 como continuidade dessa trajetória no jornalismo local e regional.
Botão Voltar ao topo

Bloqueador de Anúncio Detectado

Nosso conteúdo é gratuito e o faturamento do nosso portal é proveniente de anúncios. Desabilite o seu bloqueador de anúncios para ter acesso ao conteúdo do Portal G37.