Divinópolis

Provação versus tentação

Ômar Souki

Dom Basílio, monge beneditino, nos brindou no Instituto São Bento de Divinópolis, Minas Gerais—em 10 de janeiro de 2026—uma magistral apresentação sobre o papel dessas duas forças, a provação e a tentação, em nossa caminhada rumo ao Céu.  

“A provação vem de Deus. Vem para provar, para sentir o sabor. Sempre que desejamos saber o sabor de um alimento, precisamos provar, o que implica em esmagar. Por exemplo, quando desejamos saber o sabor de uma uva, nós a mastigamos, o mesmo com relação à azeitona, e assim por diante”.

Basílio nos explicou que através da provação, tomamos consciência da nossa vida interior. Nos ofereceu o imbatível exemplo de Jó que, apesar de ser pagão, servia com admirável zelo ao Deus verdadeiro. Mas, havia um problema: ele quis ensinar a Deus como ser Deus. Assim também nós, muitas vezes dizemos: “Por que Deus tirou este que era tão bom, em vez de tirar aquele que só nos causa dor?”. Mas, o Criador de todas as coisas, sempre sabe mais e melhor do que nós, meros mortais.

Chegou, porém, o dia em que Jó, cansado de tanto sofrer, caiu em si e disse: “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora lhe veem os meus olhos. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza (Jó 42, 5-6). A partir daí tudo que tinha perdido, foi-lhe retornado em dobro. Deus permite a provação para que nos humilhemos. Ele deseja que nos lembremos que somos suas criaturas.

Ao contrário da provação—que vem de Deus—a tentação tem origem no demônio. “Ele nos pega em nosso ponto fraco e fala sempre na primeira pessoa, para nos confundir. Para que a gente ache que o mau pensamento é algo nosso. A tentação visa a nossa ruína. E somos tentados porque somos a imagem e a semelhança de Deus. Mas, é algo permitido para que cresçamos em virtude. Sem ela, ninguém se salvaria, pois seriamos tomados de orgulho espiritual”.

O método ensinado por Jesus no deserto, para vencer o demônio, foi através das Escrituras: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4, 4). Jesus, apesar de ser Deus, com frequência, subia a montanha para orar. Para superarmos tanto a provação, quanto a tentação—que são necessárias para o nosso crescimento espiritual—precisamos permanecer em estado de oração. “Fazer da oração um hábito de vida, que nos levará a um diálogo contínuo com Deus. Uma declaração constante de amor ao Criador, realizando até as atividades mais corriqueiras, como o ato de nos vestir ou de nos alimentar, como atos de amor a Deus”.

Para finalizar, o ilustre monge, nos aconselha a estarmos sempre protegidos com armadura de Deus, como nos aconselha São Paulo na carta aos Efésios: “Sejam fortes no Senhor e em seu grande poder. Vistam toda a armadura de Deus, para que possam permanecer firmes contra as estratégias do diabo. […]Permaneçam atentos e sejam persistentes em suas orações por todo o povo santo” (6, 10-20).

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