Divinópolis

Mulher nas alturas

Ômar Souki

Vi uma postagem no facebook sobre Flávia Lucilio, comandante do Airbus A380, maior avião comercial do mundo. O texto despertou minha curiosidade sobre a participação feminina na aviação. Ela pilota na empresa aérea Emirates desde 2016 e confessa que voar o A380 era um sonho. Em entrevista ao g1, afirmou que, “em uma área predominantemente masculina, as mulheres estão conquistando seu espaço, e eu me sinto grata por representar isso com meu trabalho. A representatividade é fundamental para a igualdade em uma sociedade. É através dela que grupos—no meu caso, de mulheres—se enxergam, se inspiram e se sentem validadas. Saber que tenho esse papel é extremamente gratificante” (g1.globo.com).

As mulheres que, como Flávia, sonham em abraçar essa profissão precisam superar inúmeras barreiras, pois existem poucas referências femininas na área. Há o preconceito de incompatibilidade entre o “ser feminina” e atuar em cargos técnicos, o que gera uma falta de incentivo, desde a infância, para que as meninas trilhem esse caminho, além do alto preço do treinamento. As horas de voo custam de 700 a 1000 reais cada. “Antes de tornar-se piloto comercial, a pessoa precisa terminar o curso de piloto privado, e depois o de piloto comercial, que exige muito mais horas e custa mais”, afirma Aline Canedo, copiloto de um Boeing de carga na LATAM, em rotas internacionais, em entrevista para o site da Forbes.

Marcela Fernandes foi promovida a comandante depois de 10 anos na Azul. Pilota um avião Embraer, com capacidade de 136 passageiros e confessa que “foi uma fase de muita renúncia, sabia quais etapas precisava completar e vivia em função disso. Meu primeiro voo como comandante foi para Brasília, e o avião estava lotado. Olhei para o lado esquerdo e vi o meu reflexo. Eu, comigo mesma, à frente de tudo”. Ela só percebeu que desejava abraçar uma carreira na aviação quando conheceu, aos 19 anos, outra piloto enquanto trabalhava como comissária de bordo. “Ela me mostrou que era possível: que a gente podia chegar onde quisesse, desde que se esforçasse” (forbes.com.br).  

Existe um imenso glamour em torno dessa carreira. Eu mesmo, enquanto cursava engenharia elétrica na UFMG, frequentei o aero clube de Lagoa Santa e fiz 10 horas de aulas de voo. Depois desisti da ideia. Somente agora, fazendo a pesquisa sobre as mulheres piloto, descobri no Google que ser piloto de avião, é a profissão mais desejada do mundo. Mas a trajetória entre o desejo de pilotar e a cabine de comando é extremamente desafiadora, principalmente para as mulheres. Por isso, a participação delas nessa profissão não chega nem a seis por cento.

Flávia Lucilio, de Itápolis, no interior de São Paulo, não só conseguiu conquistar a cabine de comando, foi além. E hoje pilota o maior avião comercial do mundo na Emirates, empresa que foi eleita em 2024, pelo Telegraph Travel, como a melhor companhia aérea do mundo. Belíssimo exemplo de superação, não só para as mulheres, mas para os homens também.

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