Divinópolis

Aprofundamento no amor

Ômar Souki

Deus fala a Santa Catarina de Sena: “Todas as qualidades que lhes dei destinam-se ao benefício dos outros, em geral e em particular. É obrigação de vocês amar com o mesmo puro amor que eu lhes amo. Vocês não são capazes de praticá-lo para comigo, já que eu lhes amei antes de ser amado por vocês. Meu amor não tem justificação; amo antes. Foi tal dileção que me levou a criá-los à minha imagem e semelhança. Sim, amor igual vocês não podem manifestar relativamente a mim, portanto, pratiquem-no para com as pessoas. Amando-as sem serem amados, amando-as sem interesses espirituais e materiais; amando-as unicamente para o louvor do meu nome, amando-as porque são amadas por mim. É desse modo que vocês cumprirão o mandamento de ‘amar-me sobre todas as coisas e ao próximo como a vocês mesmos’” (O diálogo, 2021, p. 190).

Nesse texto, o próprio Deus explica que não conseguimos amá-lo como ele nos ama. Pois, foi ele quem nos amou primeiro, mesmo antes de existirmos. A nossa criação como a sua imagem e semelhança é um mistério que somente ele consegue desvendar. Mais ainda, depois da queda dos primeiros pais, e do distanciamento provocado pelo pecado original, o Criador ainda teve compaixão do gênero humano. Aconteceu algo que não conseguimos compreender: enviou o seu Filho único para nos resgatar. Foi assim que o Verbo Divino, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, tomou forma humana com a finalidade de se entregar por nós.

Jesus dá origem a uma segunda criação, que se sustenta pelo amor. Embora tenhamos a impressão de que é o ódio que domina a face da Terra—se não fosse esse carinho infinito que Deus tem pela sua criação—o planeta já teria sido destruído. E a forma mais eficaz de retribuir a esse infinito amor que Deus tem por nós é nos entregarmos constantemente à oração: “Orem sem cessar” (I Tessalonicenses 5, 17).

Em diversas ocasiões, Jesus, o próprio Deus encarnado, orou. Em preparação para a sua missão, permaneceu 40 dias em jejum e oração no deserto (Lucas 4, 1-13). Antes de escolher os doze apóstolos, passou a noite em oração (Lucas 6, 12-13). No Getsêmani, enquanto os apóstolos dormiam, ele orou (Mateus 26, 36-46). Ao despedir-se, suplicou: “Pai, em suas mãos entrego o meu espírito” (Lucas 23, 46).  

Assim como Jesus mantinha sua profunda conexão com o Pai, por meio da oração, nós também, devemos fazer o mesmo. Dessa forma, poderemos afirmar, junto com São Paulo: “Em todas essas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 8, 37-39).

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