A construção no Céu

Ômar Souki
Chegamos à Terra com a missão de construirmos uma morada no Céu. Assisti um vídeo sobre o jovem Carlo Acutis, que faleceu com 15 anos em 12 de outubro de 2006 e foi canonizado em 07 de setembro de 2025. Ele se entregou a essa missão de corpo e alma desde uma tenra idade. Quando tinha quatro anos—de acordo com sua mãe—começou a fazer perguntas que a deixavam sem resposta: “Por que Jesus morreu na cruz?”, “A hóstia é realmente o corpo dele?”, “Você reza todos os dias?”. Não conseguia responder porque, apesar de serem católicos, seu esposo e ela não eram praticantes. Aos sete anos, Carlo desejava fazer a primeira comunhão e a mãe pediu a um sacerdote que conversasse com ele. O padre ficou tão impressionado com o conhecimento que o menino já tinha sobre a Eucaristia, que permitiu que ele a recebesse.
Depois disso, Carlo mudou. Ia à missa todos os dias às 6h30 da manhã, antes de ir para a escola. Fazia adoração ao Santíssimo Sacramento, rezava o terço e visitava os pobres. Dava comida aos moradores de rua e distribuía sua merenda na escola. Aos 11 anos criou um site sobre milagres eucarísticos. Queria que o mundo inteiro soubesse que Jesus está vivo na hóstia consagrada. Enquanto isso, a sua mãe diz que levava a mesma vida de sempre, se ocupando das tarefas domésticas, mas que, lá no fundo se sentia vazia e com vergonha: “Como poderia ela, mãe de um santo, ser tão fria quanto a religião?”. Aos poucos, foi sendo convertida pelo filho, não com palavras, mas com o seu exemplo. Começou a rezar de verdade, a se confessar, a receber a Eucaristia. Mas, em 2006, quando Carlo tinha 15 anos, segundo ela, “tudo explodiu”.
O jovem foi diagnosticado com leucemia mieloide aguda, letal, fulminante. Ofereceu seu sofrimento pela Igreja, pelo Papa e pela conversão dos jovens. Foi durante seus três últimos dias de vida que ele começou a falar do Céu como se já tivesse estado lá: “O Céu é a realidade mais real, e aqui, na Terra é como se fosse apenas uma sombra”. Explicou que as cores de lá não existem aqui, pois as tonalidades são vivas, e que tudo tem um sentido. A natureza canta e tudo existe para glorificar a Deus. “Ao respirar, inspiramos alegria, paz e amor”.
Carlo relatou que aqui “somos peregrinos, mas que a nossa verdadeira morada é o Céu”. Enquanto estamos nesta caminhada o propósito de nossa vida deve ser a construção de um lar permanente no Céu. Começa com a adoração eucarística, seguida pela Eucaristia, pois “cada comunhão é um encontro face-a-face com Jesus”. Depois vem a confissão semanal, que ajuda a “queimar os apegos materiais”, seguida do sofrimento oferecido pela Igreja e do terço diário.
Levamos uma vida inteira e, muitas vezes, não conseguimos aceitar o óbvio: estamos aqui de passagem. A morte não é o fim, mas apenas o começo. Você já começou a sua construção no Céu?








